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Edição 2101

25 de fevereiro de 2009
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Internacional
OS ROSTOS DA CRISE

A revista americana Time fulaniza a hecatombe financeira,
escolhe 25 culpados de carne e osso e submete-os a
votação na internet. Cerca de 2,5 milhões de pessoas
deram nota de 1 a 10 pela culpabilidade de cada um

VEJA TAMBÉM
Nesta reportagem
Quadro: Os 25 culpados eleitos pela revista Time

Quando a lei e os tribunais se mostram ineficazes ou lentos demais, resta sempre, como única forma de catarse, o exercício da vingança – ainda que on-line. Cinco meses após o colapso do banco de investimentos Lehman Brothers, e o vendaval financeiro dele decorrente, a revista americana Time partiu dessa premissa para eleger, ela mesma, os 25 culpados pela maior crise econômica desde a Grande Depressão, em 1929, submetendo-os a votação na internet. As pessoas puderam votar nos 25 escolhidos, dando uma nota de 1 a 10 pela culpabilidade de cada um. Até a tarde da quinta-feira da semana passada, mais de 2,5 milhões de votos já haviam sido registrados. A ordem da lista que acompanha esta matéria é a mesma publicada originalmente pela revista, antes do início da votação on-line. Em uma combinação entre as notas e o total de votos, a pior colocação era de Phil Gramm, ex-presidente do Comitê de Bancos do Senado americano e autor de projetos que amarraram o poder do governo de fiscalizar Wall Street. Os ex-presidentes George W. Bush (15º colocado) e Bill Clinton (23º) estavam à frente no número de votos, mas não na nota. Bush recebeu 145 mil votos, e a nota 8; Clinton, 138 mil votos, e a nota 7. Ambos foram incluídos pela Time por terem promovido a febre da desregulamentação, contribuindo para que um ambiente financeiro sem-lei fosse criado.

Diz a matéria da Time: "As civilizações modernas dão aos estados o monopólio da punição. Mas, como essa crise revela claramente, estamos em uma nova era. A lei foi incapaz de colocar ordem no terreno perigoso para onde nos conduziram a tecnologia financeira e a globalização, um espaço sem fronteiras e com poucas regras. Até que isso ocorra, sempre nos restará a velha sanção de impor a vergonha aos culpados." A Time procurou apontar nomes não tão conhecidos fora dos Estados Unidos. Como os de Angelo Mozilo (3º colocado), fundador da Countrywide, a companhia de hipotecas que mais emprestou dinheiro a quem não podia pagar. Ou de Ian McCarthy (7º colocado), CEO da Beazer Homes, que desenvolveu uma estratégia infalível para ganhar dinheiro: ele oferecia aos consumidores não só as casas, mas o dinheiro para que pagassem a dívida. Com isso, forjava, em nome deles, históricos de crédito que serviam para alavancar mais financiamentos.

Até o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, foi nomeado como um dos 25 culpados pela Time (ele está na 24ª posição). O motivo? "Se o crédito barato era a cocaína da crise financeira, a China foi um dos principais fornecedores do produto", justificou a revista, lembrando o volume monstruoso das reservas chinesas em títulos do governo americano. Na outra ponta estava o consumidor americano, também apontado pela revista como um dos culpados pela crise: os juros baratos, em parte por causa do financiamento concedido pelos chineses à dívida pública dos EUA, levaram as famílias do país a destruir suas poupanças e se endividar cada vez mais, colaborando decisivamente para o inchaço da bolha. Pela votação, os consumidores receberam o grau 8 de culpa, ficando na 16ª colocação.



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