BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
REVISTAS
VEJA
Edição 2101

25 de fevereiro de 2009
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao Leitor
Entrevista
Lya Luft
Leitor
Millôr
Blogosfera
PANORAMA
Imagem da Semana
Holofote
SobeDesce
Conversa
Números
Datas
Radar
Veja Essa
 

Ordem de grandeza
Quando a economia desacelera

O PIB brasileiro cresceu 5% ao ano no último biênio. Para 2009,
a previsão (otimista) é de avançar 1,5%. A freada é brusca, uma
perda de 70% na velocidade. Se foi uma Ferrari em 2007 e 2008,
a economia virou um Fusca em 2009


Giuliano Guandalini

VEJA TAMBÉM
Nesta reportagem
Quadro: Os efeitos
da desaceleração

Depois de dois anos de crescimento vigoroso, com expansão superior a 5% ao ano, o PIB brasileiro não deverá avançar mais do que 1,5% em 2009. É como estacionar um carro de Fórmula 1, capaz de alcançar a velocidade máxima de 315 quilômetros por hora no final da reta oposta no circuito de Interlagos, e assumir o volante de um Fusca, que mal consegue atingir 100 quilômetros por hora. Essa desaceleração é dramática para os países, mas apenas um incômodo para a economia familiar e a das empresas. Alguns motivos:

novas dívidas da família (por exemplo, para trocar de carro) são postergadas até que o salário volte a crescer;

gastos prescindíveis (como uma viagem à Europa, idas ao cinema ou a compra de um televisor de plasma) podem ser adiados ou cortados pela metade.

Uma reprogramação no orçamento permite a rápida adequação das contas familiares ao novo cenário, sem sacrificar gastos essenciais como o aluguel ou a educação dos filhos. O mesmo vale para uma empresa. Se a expansão de seu faturamento perder 70% da velocidade, uma companhia terá à mão ferramentas gerenciais que lhe permitirão cruzar a fase de aperto sem maiores apuros. Algumas estratégias:

investimentos em novas linhas de produção ficam em suspenso até que a economia recupere tração;

a jornada de trabalho é reduzida, para que a oferta de mercadorias se ajuste à queda na demanda.

Já no caso de um país, enfrentar uma redução de marcha nessas proporções traz desafios profundos, afetando o bem-estar da população. O PIB precisa crescer ao menos 4% para criar os empregos necessários à acomodação do 1,4 milhão de pessoas que ingressam no mercado de trabalho a cada ano. Em 2009, no entanto, não mais do que 480 000 postos deverão ser abertos. Crescer apenas 1,5% significa também que a renda per capita ficará estagnada. Quando a economia avança 5% ao ano, o PIB por habitante aumenta de fato 3,5%, porque há que descontar o crescimento populacional (em torno de 1,5% ao ano). Ao ritmo de 3,5%, o Brasil levaria três décadas para alcançar a renda média de um país desenvolvido. Mas, sem avanço nenhum, como se estima que ocorrerá neste ano, o Brasil nunca chegará ao Primeiro Mundo. Por isso, o Fusca precisa voltar a ser um Fórmula 1 quanto antes.



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |