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25 de fevereiro de 2009
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Economia
O PAÍS DA RECESSÃO ENDÊMICA

O Japão registra a pior queda do PIB em 35 anos, aborta
uma tímida tentativa de recuperação e vê seu ministro
das Finanças perder o cargo depois de um vexame público


Cíntia Borsato


Haruyoshi Yamaguchi/Landov


Yuriki Nakao/Reuters
DIREÇÃO PERIGOSA
Um ministro embriagado e pátio lotado de carros encalhados: sem saída para uma estagnação de duas décadas

Em 1968, um arquipélago asiático cujo território é pouco mais extenso que o de Mato Grosso do Sul alcançou o posto de segunda maior economia do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos. A vice-liderança, que já dura quatro décadas, está agora sob ameaça. De acordo com as projeções mais recentes, o PIB da China vai ultrapassar o japonês em 2010. A rigor, trata-se de um registro apenas simbólico. A renda per capita do Japão, que tem uma população equivalente a 10% da chinesa, será superior à da China por muito mais tempo. Mas há algo que transpõe o efeito estatístico. Estagnada há praticamente duas décadas, a economia japonesa sofre mais intensamente os efeitos do atual vendaval financeiro. O país perdeu o seu único lume de dinamismo, que eram as exportações. As vendas externas do Japão caíram 14% no quarto trimestre de 2008. Como resultado, o PIB japonês contraiu-se 4,6% no período, o pior resultado em 35 anos. Nos Estados Unidos, epicentro do desastre financeiro, o PIB encolheu apenas 0,2%, e nos países da chamada zona do euro a queda ficou em 1,2%.

Para os japoneses, a retração da demanda mundial provou-se letal. Durante os cinco anos que precederam a crise financeira mundial, o país até havia conseguido voltar a crescer mais rapidamente. Por um momento, chegou-se a imaginar que o Japão reencontrara dinamismo e competitividade. Até que veio a crise. A indústria automobilística dá a dimensão do problema. De cada dez carros feitos no país, oito são exportados. Os pátios das montadoras (como o da Toyota, exibido na foto acima) estão repletos. A produção de veículos caiu 25% no mês de dezembro, contribuindo decisivamente para a retração de 10% na produção industrial como um todo – o pior resultado desde 1953. As exportações de máquinas e produtos eletrônicos também caíram acentuadamente. Atualmente, as exportações correspondem a 18% do PIB japonês, enquanto dez anos atrás a participação ficava em torno de 10%. Nos Estados Unidos, onde a economia se escora no mercado interno, as exportações respondem por apenas 8% do PIB.

O governo agora busca apoio político para lançar um pacote de estímulo econômico. Mas poucos apostam na sua eficácia, e é crescente o descrédito em relação ao primeiro-ministro, Taro Aso (apenas um em cada dez japoneses o aprova). Um dos principais problemas do Japão é a falta de instrumentos para combater a crise. "A taxa de juros já está próxima de zero, mas o consumidor japonês não vai às compras", explica Filipe Albert, economista da consultoria Tendências. Além disso, com dívida pública próxima de 200% do PIB, não há espaço para promover pacotes de estímulo fiscal. Hiroshi Hara, vice-presidente da Japan External Trade Organization, resume assim os dilemas de sua nação: "Os japoneses não sabem se terão emprego amanhã e se preocupam muito com a poupança e a aposentadoria".

Não fossem poucos os desafios, na semana passada o ministro das Finanças, Shoichi Nakagawa, foi flagrado com sintomas nítidos de embriaguez durante uma entrevista coletiva em Roma, após uma reunião do G-7 (grupo dos sete principais países industrializados). Em cenas que correram o mundo e podem ser vistas no YouTube, Nakagawa mal consegue articular frases. "Tomei um pouco de vinho e exagerei na dose de um remédio", tentou desculpar-se. Sem sucesso. Ele renunciou ao cargo na terça-feira.



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