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25 de fevereiro de 2009
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Justiça
Sim, era tudo mentira

Perguntada por que se automutilou e mentiu sobre
a gravidez, brasileira responde à polícia suíça: "Isso
vocês têm de perguntar a um psiquiatra"


Natalia Manczyk

Arquivo pessoal

A CONFISSÃO
Na reportagem com o testemunho da advogada, a revista suíça Die Weltwoche sugere que a farsa foi motivada por dinheiro

Ao contrário do que havia afirmado ao namorado, à polícia e à família, a advogada brasileira Paula Oliveira, 26 anos, não foi agredida por três skinheads (tal ataque jamais aconteceu), não teve o corpo retalhado à força por estilete (ela se automutilou) e também não sofreu um aborto de gêmeos (simplesmente não estava grávida). A confissão foi feita à polícia de Zurique no último dia 13, mas só veio à tona na semana passada, depois que uma revista suíça divulgou a notícia e a promotoria de Zurique a confirmou. A semanal Die Weltwoche – que apoia o Partido do Povo Suíço, cujas siglas Paula gravou a faca nas pernas e no abdômen – publicou que a brasileira admitiu a mentira depois de ser confrontada com resultados médicos que indicavam que não esteve grávida recentemente. Perguntada sobre o motivo pelo qual teria inventado tudo, Paula, segundo a revista, respondeu: "Isso vocês devem perguntar a um psiquiatra". A reportagem sugere que a advogada montou a farsa para receber a indenização prevista na Lei de Assistência às Vítimas de Agressão. A reparação, que pode chegar a 200 000 reais, é destinada a vítimas de agressão física, sexual ou psicológica. O objetivo da lei é estimular as pessoas a comunicar à polícia as agressões sofridas, sobretudo nos casos de violência doméstica.

Paula foi indiciada por indução da Justiça ao erro, crime que pode ser punido com até três anos de prisão. Seu advogado, Roger Müller, já declarou que pode usar como estratégia de defesa o argumento de que a brasileira é portadora de lúpus, distúrbio imunológico que pode acarretar transtornos psiquiátricos. A psiquiatra Daniela Werebe confirmou que a doença é capaz de provocar surtos psicóticos em seu portador. Disse, no entanto, que as manifestações mais frequentes, nesse caso, são alucinações e sensação de perseguição. "Já soube de casos envolvendo automutilação, mas são raros." Paula está legalmente impedida de deixar a Suíça. Está com a família no apartamento de 70 metros quadrados em que morava com seu noivo – ou, a esta altura, ex-noivo. Marco Trepp, que havia pedido Paula em casamento fazia menos de um mês, permaneceu no apartamento até o dia 13, data em que a brasileira confessou a farsa. Desde então, desapareceu.

 



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