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Cultura
Assim não dá
O ministro Gilberto Gil faz
festa para um bicheiro
Ique Esteves
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Gil com Soares (à
dir.): aquele abraço
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Na semana passada, o ministro da Cultura,
Gilberto Gil, foi flagrado numa festança: o aniversário
de Jaider Soares, presidente da escola de samba carioca Acadêmicos
do Grande Rio. Ao lado da atriz Suzana Vieira e do sambista Zeca
Pagodinho, ele se desdobrou em cumprimentos ao aniversariante. Nada
de mais, não fosse Soares um bicheiro notório, que
controla pontos de jogo ilegais e máquinas caça-níqueis
no Amazonas. Pouco antes da festa, a empresária Maria Selma
Soares, irmã dele, fora presa sob a acusação
de pertencer a uma quadrilha que extorquia pessoas por telefone.
O episódio é mais uma conseqüência da atitude
que Gil mantém desde que embarcou no governo petista: ele
insiste em desempenhar o papel de ministro com a mesma informalidade
que se permite a um artista. Que o cantor Gilberto Gil prestigiasse
um bicheiro seria ruim mas não há liturgia
que o obrigue a nada, ainda mais sendo o sujeito amigo de sua mulher,
Flora. Que uma autoridade da República se desmanche em rapapés
para um contraventor é inaceitável. Infelizmente,
essa espécie de sem-cerimônia não constitui
o único pecado de Gil. Ele também demonstra uma preocupante
leniência com a contravenção. Recentemente,
declarou que era um problema "menor" o fato de o presidente Lula
ter visto o filme 2 Filhos de Francisco, cinebiografia da
dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano, numa cópia
pirata de DVD. Se a pirataria é aceitável, por que
se constranger com quem explora o jogo ilegal?
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