Edição 1940 . 25 de janeiro de 2006

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Cultura
Assim não dá

O ministro Gilberto Gil faz
festa para um bicheiro


Ique Esteves

Gil com Soares (à dir.): aquele abraço

Na semana passada, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, foi flagrado numa festança: o aniversário de Jaider Soares, presidente da escola de samba carioca Acadêmicos do Grande Rio. Ao lado da atriz Suzana Vieira e do sambista Zeca Pagodinho, ele se desdobrou em cumprimentos ao aniversariante. Nada de mais, não fosse Soares um bicheiro notório, que controla pontos de jogo ilegais e máquinas caça-níqueis no Amazonas. Pouco antes da festa, a empresária Maria Selma Soares, irmã dele, fora presa sob a acusação de pertencer a uma quadrilha que extorquia pessoas por telefone. O episódio é mais uma conseqüência da atitude que Gil mantém desde que embarcou no governo petista: ele insiste em desempenhar o papel de ministro com a mesma informalidade que se permite a um artista. Que o cantor Gilberto Gil prestigiasse um bicheiro seria ruim – mas não há liturgia que o obrigue a nada, ainda mais sendo o sujeito amigo de sua mulher, Flora. Que uma autoridade da República se desmanche em rapapés para um contraventor é inaceitável. Infelizmente, essa espécie de sem-cerimônia não constitui o único pecado de Gil. Ele também demonstra uma preocupante leniência com a contravenção. Recentemente, declarou que era um problema "menor" o fato de o presidente Lula ter visto o filme 2 Filhos de Francisco, cinebiografia da dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano, numa cópia pirata de DVD. Se a pirataria é aceitável, por que se constranger com quem explora o jogo ilegal?

 
 
 
 
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