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Livros
Menos é mais Olho
de Rei não é um mau romance.
Mas o autor se dá melhor no conto 
Beatriz Resende
Divulgação  |
| Edgard Telles Ribeiro: memórias mirabolantes do
"pai" francês | | O recém-lançado
romance Olho de Rei (Record; 272 páginas; 32,90 reais), do
escritor e diplomata Edgard Telles Ribeiro, começa com uma curiosa apresentação
"editorial". O texto é assinado por um certo E.T.R. (Edgard Telles Ribeiro?)
Lafitte, que se diz responsável pela organização das memórias
do pai, o francês Jean Lafitte. A estratégia narrativa não
é nova: tem rendido alguns dos bons momentos da ficção brasileira,
de Memorial de Aires, no qual Machado de Assis assina como "M. de A." a
Advertência que antecede o diário do Conselheiro, até
o último romance de Bernardo Carvalho, Mongólia. Incompletas,
as memórias de Jean Lafitte foram escritas na sua cidade natal, Marselha,
à qual ele retornou depois de anos de exílio na América Latina.
A velhice e a proximidade da morte desse ex-militante da resistência francesa
permitem que seus sonhos e fantasias se misturem aos fatos biográficos.
Nessa mistura de imaginação e casos "reais", revela-se a habilidade
de um escritor que, desde a estréia com o romance O Criado-Mudo, em
1991, vem alternando narrativas longas e coletâneas de contos. Olho de
Rei, porém, também deixa indicações de que é
mesmo no conto que Telles Ribeiro está no seu elemento.
A vida do personagem organiza-se por diferentes episódios, determinados
sobretudo pelos impulsos eróticos que o reúnem a parceiras interessantíssimas,
como a surda-muda que lhe apresenta os subúrbios do Rio de Janeiro. Cada
um desses casos revela a destreza do autor em conduzir rapidamente ao clímax,
construindo situações e ambientes que seduzem o leitor como
acontecia com os contos de O Livro das Pequenas Infidelidades, de 1994.
Só é uma pena que, obrigado a carregar consigo tantos outros personagens
e peripécias, o protagonista sucumba ao peso excessivo. Ele perde seu charme
maior, o de ser um homem comum mordomo, cabeleireiro, garçom, dono
de restaurante. Vivendo uma profusão de situações arrebatadoras,
Jean acaba se parecendo com um improvável herói de filme de ação.
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