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Saúde Brincadeira
e boa forma Perder os quilinhos extras
e relaxar nos spas agora também é programa de criança
 Paula
Neiva
Fotos
Lailson dos Santos
 | Custódio
II (à esq.), 8 anos, brinca com outras crianças na piscina
do Spa Sorocaba: o objetivo é perder 3 quilos até o fim do mês
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Quando os spas viraram moda no Brasil,
no início dos anos 90, a maioria deles se recusava a receber crianças.
O argumento era que elas faziam barulho demais e irritavam os clientes já
estressados pela luta contra a balança e com o cardápio à
base de alface e peixe magro. Nos últimos tempos, isso mudou. Spa virou
programa também para crianças. Dos trinta maiores spas brasileiros,
quinze já as aceitam. Mantêm atividades e às vezes
instalações específicas para elas. A presença
infantil nos spas é especialmente intensa nos meses de janeiro e julho,
que correspondem às férias escolares. Em vez de levarem a garotada
à praia ou à montanha, muitos pais optam pela ida a um spa, sobretudo
quando a família inteira precisa perder uns quilinhos. Além disso,
essa é uma oportunidade para as crianças tomarem gosto pelas atividades
físicas e se habituarem a uma alimentação mais saudável.
"Aqui existem muitas opções de lazer e a comida é boa. Eu
e meu filho estamos nos divertindo ao mesmo tempo em que cuidamos da saúde",
conta o empresário Mauro Angelo Custódio Filho, pai de Mauro Angelo
Custódio II, de 8 anos, que há duas semanas tira férias no
Spa Sorocaba, no interior de São Paulo. O garoto está um pouco acima
do peso e seu objetivo é perder 3 quilos até o fim do mês.
Muitas vezes, a temporada no spa é
sugerida pelos próprios filhos, preocupados com a aparência. O ideal
de corpo magro e bem torneado, promovido pelas modelos e pelas celebridades, contagia
as crianças desde cedo. "Nunca atendemos tantas crianças como nos
últimos anos", diz o cardiologista Manoel Carlos Beldi Castanho, diretor
clínico do Spa Sorocaba. "Hoje, elas chegam aqui para perder 4 ou 5 quilos,
já preocupadas com a estética", comenta ele. Já existem spas
voltados especialmente para a criançada. Dois deles, o Shalia Day Spa,
em Brasília, e o Nick Name, em São Paulo, seguem o modelo day
spa, em que o cliente fica no local apenas um dia para fazer tratamentos estéticos
e relaxamento, além de receber orientações de dieta. O Shalia
também atende adultos, mas criou uma ala só para a garotada. Oferece
banhos relaxantes e massagens em cima de tatames. O spa Nick Name foi inaugurado
no ano passado e recebe mais de dez crianças por dia, quase sempre menores
de 10 anos. Elas tomam banho de ofurô, fazem massagem e também utilizam
serviço de manicure e cabeleireiro. A empresária Márcia De
Lucca, dona de um centro de ioga em São Paulo, leva sua neta Lívia
Almeida, de 3 anos, pelo menos uma vez por mês ao Nick Name. "Quando ela
faz o tratamento, fica mais relaxada o resto do dia e dorme melhor à noite",
diz Márcia.  |  | | Rodrigo,
13 anos, almoça no spa Lapinha: em pouco mais de uma semana, perdeu 3 quilos e,
agora, quer enxugar mais 7 | Lívia, 3 anos, toma banho
de ofurô no spa Nick Name: segundo a avó, ela dorme melhor depois do tratamento
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As atividades programadas
para as crianças nos spas de emagrecimento são semelhantes às
dos adultos. A diferença é que a dieta dos pequenos costuma ser
mais calórica e os exercícios físicos mais recreativos, incluindo
jogos coletivos. A Lapinha Clínica e Spa Naturista, perto de Curitiba,
oferece um programa para pré-adolescentes no período das férias
escolares. Quando o programa foi implantado, há oito anos, reunia de dez
a quinze pré-adolescentes a partir dos 11 anos. Hoje, são mais de
sessenta. "Muitos pais trazem seus filhos porque querem incentivá-los a
comer mais verdura e tirá-los da frente da TV e da internet", diz Dieter
Brepohl, presidente do Lapinha. Duas semanas atrás, o paulista Rodrigo
Schroeder Ribeiro, de 13 anos, foi com os pais à Lapinha porque a família
inteira (com exceção de uma irmã) precisava perder peso.
Durante nove dias, o grupo fez muito exercício e recebeu orientação
de nutricionistas e psicólogos sobre como se alimentar direito e controlar
a ansiedade para não assaltar a geladeira. Nesse período, Rodrigo
perdeu 3 quilos e, agora, quer perder mais 7. "Vou continuar seguindo uma dieta
e fazer muito exercício", ele promete.
Os médicos especialistas em emagrecimento vêem os tratamentos infantis
em spas com ressalvas. Durante a fase de crescimento, é natural e saudável
que as crianças engordem gradualmente. Perder muito peso num curto espaço
de tempo pode prejudicar esse processo e até afetar a estatura final. "Mesmo
que a criança emagreça no spa, se a família não mudar
seus hábitos no dia-a-dia, ela engordará tudo de novo", adverte
Antonio Roberto Chacra, professor titular de endocrinologia da Universidade Federal
de São Paulo. Ainda assim, para as crianças, conseguir em pouco
tempo um corpo esbelto é uma idéia irresistível.
O fim do efeito sanfona?
Photodisc
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O
maior desafio de quem emagrece é continuar magro. Calcula-se que até
80% das pessoas que fazem regime e perdem peso voltam a engordar. Mas esse indesejado
emagrece-engorda, mais conhecido como efeito sanfona, pode estar com os dias contados.
A ciência encontrou evidências de que o hormônio leptina, produzido
pelas células de gordura, guarda uma relação estreita com
a manutenção do peso o que poderá ajudar no desenvolvimento
de novos tratamentos para o problema. Um estudo publicado por médicos da
Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos, mostrou que a redução
de 10% ou mais do peso corporal provoca uma baixa nos níveis de leptina
no sangue. A queda interfere na produção de enzimas e outros hormônios,
como os da tireóide, o que dá início a uma série de
reações orquestradas pelo sistema nervoso central. Esse tumulto
é traduzido pelo organismo como uma ameaça às suas reservas
energéticas, e o resultado é a diminuição em até
30% do gasto calórico. A lógica é simples: com o metabolismo
desacelerado, fica mais difícil manter-se magro.
Para chegar a essas conclusões, os médicos americanos acompanharam
um grupo de voluntários que incluía obesos e pessoas que nunca haviam
tido problemas com a balança. Todos foram submetidos a uma dieta de baixa
caloria e perderam 10% do peso corporal. Depois de atingir a meta, apenas uma
parte deles recebeu duas injeções diárias de leptina, com
a quantidade exata para restabelecer as taxas individuais do hormônio verificadas
antes do emagrecimento. Esse foi o grupo com a maior taxa de sucesso na manutenção
do novo peso. Ou seja, a leptina, ao que tudo indica, pode ser uma forte aliada
contra o efeito sanfona. "O trabalho mostra que os sistemas corporais que regulam
o peso são muito sensíveis às variações de
leptina", diz o endocrinologista Geraldo Medeiros, professor da Universidade de
São Paulo. "Essa conclusão abre um novo caminho para os tratamentos
contra a obesidade." O nome leptina
deriva do termo leptos, que em grego significa "magro". A substância
ficou conhecida em meados da década de 90 como o "hormônio da saciedade",
depois que um estudo com ratos mostrou que doses extras de leptina evitavam o
ganho de peso. Criou-se, então, a expectativa de que ela proporcionaria
a fabricação de um remédio que seria a bala mágica
contra a obesidade. As esperanças nesse sentido foram torpedeadas quando
ficou demonstrado que o hormônio funcionava apenas para um pequeno número
de obesos e que, na maioria dos casos, eles desenvolviam resistência à
sua ação depois de algumas semanas. Com isso, as pesquisas sobre
os efeitos positivos da leptina caíram em descrédito. Agora, o estudo
da Universidade Colúmbia a reabilita não como bala mágica,
mas como uma possível linha auxiliar na manutenção de quem
já perdeu os quilos a mais. | | |