Edição 1940 . 25 de janeiro de 2006

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Saúde
Cuidado em dose dupla

A bioplastia, que já é arriscada,
pode estar sendo feita com
produto falsificado


Roberta Salomone


Hipólito Pereira/Ag. O Globo

Frascos de Meta Crill: segundo o laboratório, o do meio é genuíno; os outros são falsificações

Na busca da eterna juventude, volta e meia aparece um elixir milagroso, que promete rostos e corpos perfeitos com uma ou duas agulhadas, sem anestesia, tudo bem facilzinho. A maioria não cumpre o que promete, ou tem efeitos colaterais indesejáveis, ou está sujeita a barbeiragens de difícil correção – nada, porém, que demova legiões de crentes. Pois justamente um desses produtos, o polimetilmetacrilato (PMMA), usado para preencher rugas e sulcos da face e aumentar lábios e glúteos, está sob suspeita de falsificação. A denúncia partiu do Nutricel, fabricante do Meta Crill, uma das duas marcas (veja quadro) de polimetilmetacrilato mais consumidas no país. Ao constatar que seu produto vinha sendo oferecido no mercado a preços muito baixos, o laboratório diz ter testado e comprovado a falsificação. O caso foi levado à Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial do Rio de Janeiro, onde vem sendo investigado há três meses. A conclusão definitiva ainda demora, mas já conseguiu multiplicar por dois a preocupação com uma substância que, mesmo na fórmula original, vem sendo aplicada com pouco ou nenhum critério em clínicas e consultórios de todo o país, sujeitando pacientes à possibilidade de reações alérgicas e até necrose do tecido. "As conseqüências do uso de um produto adulterado são imprevisíveis", afirma Osvaldo Ribeiro Saldanha, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Gel derivado do petróleo, o polimetilmetacrilato começou a ser utilizado em tratamentos de beleza há mais de dez anos, mas só recentemente, com o nome de bioplastia, se transformou em um dos procedimentos mais aplicados em homens e mulheres, junto com o ácido hialurônico e o Botox. No último ano, a procura pela intervenção relativamente simples triplicou nos consultórios. Diante da suspeita de falsificação, pacientes e médicos precisam redobrar o cuidado e, principalmente, desconfiar dos preços muito baixos. "A compra em estabelecimento não autorizado sujeita o profissional a sanção do Conselho Regional de Medicina. E o paciente que tenha sofrido algum dano não deve hesitar em entrar com uma ação na Justiça", afirma Maria de Lourdes Moura, diretora-geral do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro.

 
 
 
 
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