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Saúde
Cuidado em dose dupla
A bioplastia, que já é
arriscada,
pode estar sendo feita com
produto falsificado

Roberta Salomone
Hipólito Pereira/Ag. O Globo
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Frascos de Meta Crill:
segundo o laboratório, o do meio é genuíno;
os outros são falsificações
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Na
busca da eterna juventude, volta e meia aparece um elixir milagroso,
que promete rostos e corpos perfeitos com uma ou duas agulhadas,
sem anestesia, tudo bem facilzinho. A maioria não cumpre
o que promete, ou tem efeitos colaterais indesejáveis, ou
está sujeita a barbeiragens de difícil correção
nada, porém, que demova legiões de crentes.
Pois justamente um desses produtos, o polimetilmetacrilato (PMMA),
usado para preencher rugas e sulcos da face e aumentar lábios
e glúteos, está sob suspeita de falsificação.
A denúncia partiu do Nutricel, fabricante do Meta Crill,
uma das duas marcas (veja
quadro) de polimetilmetacrilato mais consumidas no
país. Ao constatar que seu produto vinha sendo oferecido
no mercado a preços muito baixos, o laboratório diz
ter testado e comprovado a falsificação. O caso foi
levado à Delegacia de Repressão aos Crimes Contra
a Propriedade Imaterial do Rio de Janeiro, onde vem sendo investigado
há três meses. A conclusão definitiva ainda
demora, mas já conseguiu multiplicar por dois a preocupação
com uma substância que, mesmo na fórmula original,
vem sendo aplicada com pouco ou nenhum critério em clínicas
e consultórios de todo o país, sujeitando pacientes
à possibilidade de reações alérgicas
e até necrose do tecido. "As conseqüências do
uso de um produto adulterado são imprevisíveis", afirma
Osvaldo Ribeiro Saldanha, presidente da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Plástica.
Gel derivado do petróleo,
o polimetilmetacrilato começou a ser utilizado em tratamentos
de beleza há mais de dez anos, mas só recentemente,
com o nome de bioplastia, se transformou em um dos procedimentos
mais aplicados em homens e mulheres, junto com o ácido hialurônico
e o Botox. No último ano, a procura pela intervenção
relativamente simples triplicou nos consultórios. Diante
da suspeita de falsificação, pacientes e médicos
precisam redobrar o cuidado e, principalmente, desconfiar dos preços
muito baixos. "A compra em estabelecimento não autorizado
sujeita o profissional a sanção do Conselho Regional
de Medicina. E o paciente que tenha sofrido algum dano não
deve hesitar em entrar com uma ação na Justiça",
afirma Maria de Lourdes Moura, diretora-geral do Centro de Vigilância
Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde do Rio
de Janeiro.
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