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Polícia
Tango carioca
Acusado da morte do ex-parceiro
Amaury Veras, Frankie Mackey se
refugia na Argentina

Ronaldo Soares
Alexandre Sant'anna
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| Amaury e Frankie, nos bons tempos: eles brigavam,
mas se chamavam de Neném e Frankileta |
Na
semana passada, a Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão
preventiva do estilista argentino Frankie Mackey, acusado pelo Ministério
Público de assassinar o sócio Amaury Veras em setembro
de 2004. Foi o passo mais importante, até agora, de um episódio
que causou furor na alta sociedade carioca: a morte brutal de Veras,
apresentada como suicídio, sempre provocou suspeitas e comentários
desconfiados. O acusado está foragido na casa dos pais, em
Rosário, na Argentina. A família alega que ele apresenta
quadro de stress pós-traumático em decorrência
da morte do parceiro. A decisão judicial não coloca
um ponto final no caso, mas também não provoca estranheza
entre amigos e colegas de trabalho que acompanharam o estilo exótico
e a conturbada relação da dupla que assinava a grife
Frankie Amaury, especializada em elegantes roupas de couro. Além
da parceria nos negócios, eles formaram um casal durante
vários anos, romperam e depois, assolados por dificuldades
financeiras, voltaram a morar juntos no apartamento onde Mackey
disse ter encontrado Veras enforcado posteriormente a perícia
constatou traumatismos na testa e na base do crânio da vítima,
que puseram em xeque a versão inicial de suicídio.
Hipolito Pereira/Ag. O Globo
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| Frankie, no dia da morte do parceiro: primeira
versão foi de suicídio |
"Amaury tinha muito fair play e jogo de cintura para lidar com os
problemas, não tinha perfil clínico-patológico
de um suicida. Uma pessoa assim não se mata, mesmo que estivesse
com problemas financeiros", afirma Klebér Tani, que desfrutava
de acesso especial ao morto: era seu professor de meditação
transcendental. A relação tempestuosa da dupla alternava
pancadarias homéricas (redundando em escoriações
disfarçadas por maquiagem quando eles tinham de aparecer
em público) e manifestações de afeto. Depois
de brigarem feio, era comum que um ligasse para o outro usando o
tratamento carinhoso do início do relacionamento, há
quase trinta anos Mackey chamava Veras de "Neném"
e era chamado de "Frankileta" pelo parceiro.
No auge da grife, entre os anos
80 e 90, suas peças foram parar no guarda-roupa de nomes
como Melanie Griffith, Olivia Newton-John, Ursula Andress e, como
ninguém é perfeito, da então primeira-dama
Rosane Collor de Mello. Aos poucos, episódios constrangedores
protagonizados por Mackey foram minando a paciência de Veras.
Em 1997, o argentino internou-se em uma clínica para tratamento
de dependentes químicos no Rio. Posteriormente, Veras colocou
o pai no comando da empresa e afastou Mackey dos negócios.
Pouco antes de seu corpo ser encontrado, internou o parceiro em
outra clínica para desintoxicação, mas não
chegou a cumprir o que havia confidenciado a um amigo: "É
minha última tentativa. Se não der certo, vou mandá-lo
de volta para a Argentina".
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