Edição 1940 . 25 de janeiro de 2006

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Polícia
Tango carioca

Acusado da morte do ex-parceiro
Amaury Veras, Frankie Mackey se
refugia na Argentina


Ronaldo Soares


Alexandre Sant'anna
Amaury e Frankie, nos bons tempos: eles brigavam, mas se chamavam de Neném e Frankileta

Na semana passada, a Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva do estilista argentino Frankie Mackey, acusado pelo Ministério Público de assassinar o sócio Amaury Veras em setembro de 2004. Foi o passo mais importante, até agora, de um episódio que causou furor na alta sociedade carioca: a morte brutal de Veras, apresentada como suicídio, sempre provocou suspeitas e comentários desconfiados. O acusado está foragido na casa dos pais, em Rosário, na Argentina. A família alega que ele apresenta quadro de stress pós-traumático em decorrência da morte do parceiro. A decisão judicial não coloca um ponto final no caso, mas também não provoca estranheza entre amigos e colegas de trabalho que acompanharam o estilo exótico e a conturbada relação da dupla que assinava a grife Frankie Amaury, especializada em elegantes roupas de couro. Além da parceria nos negócios, eles formaram um casal durante vários anos, romperam e depois, assolados por dificuldades financeiras, voltaram a morar juntos no apartamento onde Mackey disse ter encontrado Veras enforcado – posteriormente a perícia constatou traumatismos na testa e na base do crânio da vítima, que puseram em xeque a versão inicial de suicídio.

Hipolito Pereira/Ag. O Globo
Frankie, no dia da morte do parceiro: primeira versão foi de suicídio


"Amaury tinha muito fair play e jogo de cintura para lidar com os problemas, não tinha perfil clínico-patológico de um suicida. Uma pessoa assim não se mata, mesmo que estivesse com problemas financeiros", afirma Klebér Tani, que desfrutava de acesso especial ao morto: era seu professor de meditação transcendental. A relação tempestuosa da dupla alternava pancadarias homéricas (redundando em escoriações disfarçadas por maquiagem quando eles tinham de aparecer em público) e manifestações de afeto. Depois de brigarem feio, era comum que um ligasse para o outro usando o tratamento carinhoso do início do relacionamento, há quase trinta anos – Mackey chamava Veras de "Neném" e era chamado de "Frankileta" pelo parceiro.

No auge da grife, entre os anos 80 e 90, suas peças foram parar no guarda-roupa de nomes como Melanie Griffith, Olivia Newton-John, Ursula Andress e, como ninguém é perfeito, da então primeira-dama Rosane Collor de Mello. Aos poucos, episódios constrangedores protagonizados por Mackey foram minando a paciência de Veras. Em 1997, o argentino internou-se em uma clínica para tratamento de dependentes químicos no Rio. Posteriormente, Veras colocou o pai no comando da empresa e afastou Mackey dos negócios. Pouco antes de seu corpo ser encontrado, internou o parceiro em outra clínica para desintoxicação, mas não chegou a cumprir o que havia confidenciado a um amigo: "É minha última tentativa. Se não der certo, vou mandá-lo de volta para a Argentina".

 
 
 
 
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