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Espaço
Viagem à fronteira do sistema solar
Sonda parte para explorar Plutão, que pode guardar segredos sobre
a formação dos planetas 
Rafael Corrêa
A
sonda espacial New Horizons, lançada da Flórida na semana passada
em direção a Plutão, irá explorar a única região
do sistema solar ainda não visitada por uma nave de pesquisa. Último
planeta a ser descoberto, em 1930, e o mais distante do Sol, Plutão fica
nas bordas do Cinturão de Kuiper, um conjunto de milhões de rochas
geladas que, por sua vez, só foi identificado pelos astrônomos em
1992. Acredita-se que as pedras do cinturão sejam uma espécie de
"entulho" da formação dos planetas, ocorrida há mais de 4
bilhões de anos, e que, por permanecerem congeladas desde então,
guardem informações preciosas sobre a gênese do sistema solar.
A sonda vai estudar também as três luas de Plutão: Caronte
e outras duas que foram descobertas em maio passado, provisoriamente batizadas
de P1 e P2. Muitos cientistas acham que Plutão,
com dimensões diminutas diante dos outros planetas seu diâmetro
é um quinto do da Terra , seja na verdade um dos pedregulhos do Cinturão
de Kuiper e que isso o desqualificaria como planeta. Próximo a Plutão,
existem outros corpos celestes semelhantes a ele, orbitando o Sol. Um desses objetos,
com metade de seu diâmetro, foi descoberto em 2003 e batizado de Sedna.
A União Internacional de Astronomia não o reconheceu como planeta.
Outro, maior que Plutão, foi encontrado no ano passado e não ganhou
nome. Atualmente, a União discute qual deve ser o tamanho mínimo
de um astro em órbita do Sol para que seja classificado de planeta.
A New Horizons levará dez anos para chegar a Plutão. Ela sobrevoará
o planeta durante 24 horas, a uma altura de 10 000 quilômetros, fotografando
e fazendo análises de atmosfera e solo. Depois, seguirá rumo ao
interior do Cinturão de Kuiper. Para vencer distâncias tão
fantásticas, a New Horizons é a sonda mais veloz já construída,
com baterias alimentadas a plutônio. Numa primeira etapa da viagem, ela
voa a 58.000 quilômetros por hora. No início do ano que vem, ao passar
por Júpiter, a sonda fará uma manobra para tomar impulso com a gravidade
do planeta e passará a voar a 75.000 quilômetros por hora. No fim
da jornada, espera-se, a ciência terá desvendado mais alguns segredos
do universo. |