Edição 1940 . 25 de janeiro de 2006

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Espaço
Viagem à fronteira
do sistema solar

Sonda parte para explorar Plutão,
que pode guardar segredos sobre
a formação dos planetas


Rafael Corrêa

NESTA REPORTAGEM
Quadro: A missão e as etapas da viagem

EXCLUSIVO ON-LINE
Em Profundidade: Exploração do Espaço

A sonda espacial New Horizons, lançada da Flórida na semana passada em direção a Plutão, irá explorar a única região do sistema solar ainda não visitada por uma nave de pesquisa. Último planeta a ser descoberto, em 1930, e o mais distante do Sol, Plutão fica nas bordas do Cinturão de Kuiper, um conjunto de milhões de rochas geladas que, por sua vez, só foi identificado pelos astrônomos em 1992. Acredita-se que as pedras do cinturão sejam uma espécie de "entulho" da formação dos planetas, ocorrida há mais de 4 bilhões de anos, e que, por permanecerem congeladas desde então, guardem informações preciosas sobre a gênese do sistema solar. A sonda vai estudar também as três luas de Plutão: Caronte e outras duas que foram descobertas em maio passado, provisoriamente batizadas de P1 e P2.

Muitos cientistas acham que Plutão, com dimensões diminutas diante dos outros planetas – seu diâmetro é um quinto do da Terra –, seja na verdade um dos pedregulhos do Cinturão de Kuiper e que isso o desqualificaria como planeta. Próximo a Plutão, existem outros corpos celestes semelhantes a ele, orbitando o Sol. Um desses objetos, com metade de seu diâmetro, foi descoberto em 2003 e batizado de Sedna. A União Internacional de Astronomia não o reconheceu como planeta. Outro, maior que Plutão, foi encontrado no ano passado e não ganhou nome. Atualmente, a União discute qual deve ser o tamanho mínimo de um astro em órbita do Sol para que seja classificado de planeta.

A New Horizons levará dez anos para chegar a Plutão. Ela sobrevoará o planeta durante 24 horas, a uma altura de 10 000 quilômetros, fotografando e fazendo análises de atmosfera e solo. Depois, seguirá rumo ao interior do Cinturão de Kuiper. Para vencer distâncias tão fantásticas, a New Horizons é a sonda mais veloz já construída, com baterias alimentadas a plutônio. Numa primeira etapa da viagem, ela voa a 58.000 quilômetros por hora. No início do ano que vem, ao passar por Júpiter, a sonda fará uma manobra para tomar impulso com a gravidade do planeta e passará a voar a 75.000 quilômetros por hora. No fim da jornada, espera-se, a ciência terá desvendado mais alguns segredos do universo.

 
 
 
 
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