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Brasil
Pergunta sem resposta
Há registro de que o advogado
Roberto Teixeira, amigo de Lula,
recebeu 1 milhão de reais da Brasil
Telecom. Só não se sabe por
qual serviço prestado

Marcelo Carneiro
Norma Albano/Folha Imagem
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| Roberto Teixeira: recibos assinados pelo escritório
do advogado dizem que trabalho está "sob sigilo" |
Na última quarta-feira, a CPI dos Bingos
jogou luz sobre dois dos maiores amigos do presidente Lula. A comissão,
que investiga denúncias de corrupção atribuídas
a dirigentes do PT, quebrou os sigilos bancário, fiscal e
telefônico de Paulo Okamotto, presidente do Sebrae, e aprovou
a convocação do advogado Roberto Teixeira, padrinho
de um dos filhos de Lula. Okamotto é acusado de atuar, desde
os anos 90, como arrecadador informal de campanhas petistas e foi
autor de um pagamento ainda não esclarecido de uma dívida
do presidente com o PT. No caso de Roberto Teixeira, o advogado
será chamado a explicar seu envolvimento com a empresa Consultoria
para Empresas e Municípios (CPEM), contratada sem licitação
por seis prefeituras administradas pelo PT para prestar consultoria
na área tributária. Mas Teixeira terá mais
a esclarecer. VEJA teve acesso, na semana passada, a um conjunto
de recibos emitidos pelo escritório do advogado, por serviços
prestados à Brasil Telecom entre 2003 e 2004. Nesse período,
a telefônica era gerida pelo banco Opportunity, do banqueiro
Daniel Dantas, que travava com fundos de pensão ligados ao
governo federal uma disputa sangrenta pelo controle da empresa.
Em setembro do ano passado, o Opportunity foi finalmente afastado
do comando da companhia.
Os recibos, assinados pelo escritório Roberto
Teixeira & Advogados Associados, têm valores que variam
entre 50.000 e 105.000 reais. O conjunto que VEJA obteve reúne
sete deles, dos quais três foram emitidos nos meses de abril,
junho e agosto de 2003. Os restantes, em janeiro, março,
abril e maio de 2004. O valor total é de 548.000 reais. O
dinheiro repassado a Teixeira, no entanto, pode ser o dobro desse
valor. Em novembro do ano passado, na coluna Radar, VEJA informava
que o advogado tinha sido contratado pela Brasil Telecom como consultor
por um ano e meio, em troca de 60.000 reais mensais. A soma total
daria, portanto, cerca de 1 milhão de reais. Esse foi o valor
lançado na contabilidade da empresa, como pagamento ao advogado.
Não há nos recibos emitidos pelo escritório
de Roberto Teixeira nenhuma menção à natureza
do trabalho encomendado. Pelo contrário. Tanto o advogado
quanto a Brasil Telecom fizeram questão de firmar um compromisso
de sigilo, como está descrito no texto dos recibos. Roberto
Teixeira está se recuperando de uma cirurgia cardíaca.
VEJA entrou em contato com o escritório do advogado para
que fosse esclarecido o tipo de trabalho prestado para a telefônica.
A informação foi que apenas o próprio Teixeira
poderia falar sobre o assunto. A contratação de escritórios
de advocacia, sem objetivo definido, é um dos mecanismos
mais comuns usados no mercado do lobby de Brasília. Empresas
enroladas com o governo costumam contratar advogados que não
preparam uma petição sequer, mas têm amigos
influentes no Planalto. O dinheiro pago aos escritórios serve
para azeitar as engrenagens da burocracia.
Joedson Alves/AE
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| Paulo Okamotto: CPI quebrou o sigilo bancário
de outro amigo de Lula |
Agora, com a descoberta dos documentos e a convocação
pela CPI, o amigo do presidente Lula terá de dizer aos parlamentares
da comissão por que recebia dinheiro de uma empresa em litígio
com o governo federal. O destino dos recursos também será
levantado. "Por causa dessas novas informações, vamos
agilizar a data em que Roberto Teixeira será ouvido na CPI.
Marcaremos seu depoimento para daqui a, no máximo, dez dias.
A quebra do sigilo bancário do advogado e de suas empresas
será uma conseqüência natural de seu depoimento",
diz o presidente da CPI dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB).
Não é a primeira vez que Roberto Teixeira causa embaraços
a Lula, a quem o empresário já emprestou uma casa,
por quase nove anos, sem cobrar nada. Em 1997, o economista Paulo
de Tarso Venceslau, então um militante petista, denunciou
que o advogado usava o nome de Lula para convencer prefeituras administradas
pelo PT a fechar contratos com a empresa CPEM. O caso gerou uma
investigação interna no partido. A conclusão
foi que a empresa se conduziu "de forma ilegal, imoral e criminosa",
mas os dirigentes petistas armaram uma pizza e o único punido
foi Venceslau, que acabou expulso da legenda. "No dia em que vierem
à tona as operações do Roberto Teixeira, muitos
dos recentes mistérios e escândalos do PT serão
desvendados", diz o economista.
Com reportagem de
Juliana Linhares
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