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Brasil
Só a pressão resolve
Reação da opinião
pública força
deputados a acabar com salários
adicionais e diminuir férias

Camila Pereira
Sergio Lima/Folha Imagem
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| Plenário da Câmara: vazio, mesmo
com autoconvocação paga |
Há
uma regra de ouro na política: parlamentares só agem
contra seus próprios interesses quando pressionados pela
opinião pública. Em geral, esse mandamento entra em
vigor de quatro em quatro anos, em época de eleição.
Não foi diferente na semana passada. De uma tacada, os deputados
federais votaram duas medidas para diminuir alguns de seus privilégios.
Com rapidez poucas vezes vista na Câmara, foram aprovados
um decreto legislativo para acabar com a remuneração
adicional de convocações extraordinárias e
uma emenda constitucional para a diminuição do recesso
parlamentar de noventa para 55 dias. Esta segunda proposta ainda
depende de outra votação na Câmara e de aprovação
no Senado, mas sua entrada em vigor é dada como certa. Tamanha
eficiência na volta ao batente as sessões só
recomeçaram na última segunda-feira reflete
uma clara tentativa de melhorar a imagem do Congresso, depois da
sucessão de escândalos de mensalões e mensalinhos.
As recentes cenas do plenário esvaziado em dia regular de
trabalho também contribuíram para o desgaste. "Ao
entrarem em contato com suas bases eleitorais, nas férias,
os congressistas viram o tamanho do abismo que se abriu entre eles
e a população, em decorrência dos escândalos.
Os políticos estão apavorados com o efeito eleitoral
que isso pode ter", avalia a cientista política Lucia Hippolito.
Independentemente do que tenha
motivado os parlamentares, as medidas aprovadas representam um avanço
importante. A redução do período de férias
dos congressistas coloca o Brasil como o país com o menor
recesso parlamentar do mundo, ao lado da Alemanha. Quanto ao fim
dos salários extras, um privilégio que data de 1902,
ele significa uma boa economia para os cofres públicos. Só
com a atual convocação extraordinária, o governo
precisou desembolsar 95 milhões de reais. Mas nada disso
quer dizer que deputados e senadores tenham deixado de viver na
ilha da fantasia. Há outros privilégios que continuam
em vigor (veja o quadro).
Enquanto um congressista brasileiro
recebe verba mensal de 15.000 reais para despesas com hotéis,
além de quatro passagens de ida e volta para seu estado de
origem, nos Estados Unidos os parlamentares têm de pagar do
próprio bolso suas viagens às bases eleitorais. É
verdade que há países, como a França, em que
os parlamentares também usufruem verbas de gabinete para
o pagamento de funcionários não concursados, a exemplo
do que ocorre no Brasil. Mas essas são nações
ricas, nas quais não existe uma enorme disparidade entre
o que recebem os políticos somados vencimentos e privilégios
e o salário médio dos trabalhadores. "Essa
é a principal razão pela qual os benefícios
dos parlamentares são tão malvistos pela sociedade
brasileira", explica o cientista político David Fleischer,
da Universidade de Brasília.
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Os privilégios
que acabaram...
Pagamento
de dois salários adicionais cerca de 25000
reais , em caso de convocação
extraordinária
Recesso
parlamentar de 90 dias. Foi reduzido para 55
...e os que permanecem
Dois salários adicionais, um no início
e o outro no fim do ano, a título de ajuda de
custo
Verba
mensal de 15000 reais para despesas com hotéis,
viagens e gasolina
Verba
mensal de gabinete de até 50 000 reais
para o pagamento de funcionários não concursados
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