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Edição 2092

24 de dezembro de 2008
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Negócios
A preferida dos ricos

O estilo (por assim dizer, clássico) da empresária Tania Bulhões, referência paulista no mercado de móveis e perfumes de luxo


Anna Paula Buchalla

Fotos Edu Lopes

Tudo menos o lustre
De 18 000 itens em sua loja em São Paulo, o lustre feito de cristal e pó de ouro é a única peça que Tania não vende por dinheiro nenhum


Nas listas de casamento dos paulistas abastados, uma loja de decoração de alto luxo reina absoluta. É a Tania Bulhões Home, a preferida dos ricos, muito ricos e novos-ricos de São Paulo. Se você não se enquadra em nenhum dos perfis acima, talvez nunca tenha ouvido falar dela. Apesar de completar vinte anos em 2009, a marca Tania Bulhões ainda é pouco conhecida nacionalmente num segmento de consumo que cresce à velocidade impressionante de 20% ao ano no país. Ampliar a sua visibilidade e, conseqüentemente, a sua participação nesse nicho tão precioso, apesar da crise, é a meta para 2009 da empresária mineira Tania Bulhões, de 51 anos. Mulher do empresário Pedro Grendene, ela é dona de um negócio de decoração e perfumaria dividido em dois casarões instalados no coração do Jardim Europa, um dos endereços mais elegantes de São Paulo. Em uma das casas funciona desde 2005 a Tania Bulhões Home, com mais de 18 000 itens, entre móveis, louças, cristais, pratarias e objetos de decoração desenhados por ela, em sua maioria. Na outra, está a Tania Bulhões Perfumes, que neste ano ganhou duas filiais, uma num shopping paulista e outra em Brasília. Juntas, as duas marcas faturaram perto de 70 milhões de reais neste ano.

Para aumentar a visibilidade da marca Tania Bulhões, a estratégia é fortalecer, sobretudo, a linha de perfumes. Com preços mais acessíveis (há frascos na faixa de 150 reais), eles atingem um número maior de consumidores. O plano inclui ainda a inauguração de trinta lojas nos próximos cinco anos – cinco delas em 2009. O ponto de partida da ambiciosa empreitada de Tania foi dado com a entrada no negócio do fundo de investimento europeu Referencia International, que comprou uma parte minoritária da empresa. "Para conquistar o mercado de luxo, é necessário se internacionalizar", diz André Bruère, um dos sócios do fundo. Uma segunda etapa, já quase um clichê nesse mercado, envolveu a contratação do publicitário Nizan Guanaes para ajudar na comunicação da marca. "É preciso crescer sem perder a característica de exclusividade", afirma Tania.

A Tania Bulhões Home está sediada numa réplica de um palacete francês de linhas clássicas, com 3 000 metros quadrados e uma cúpula de vidro. Essa cúpula, aliás, rendeu uma das grandes dores de cabeça da empresária. No ano da inauguração de sua loja, o Ministério Público condenou a edificação por concluir que ela ocupava uma área 30% maior que a prevista no projeto original. Um "puxadinho", enfim. A cúpula, concluíram os técnicos da prefeitura paulistana, também não poderia estar lá. Algumas mudanças foram feitas no projeto e a cúpula ficou. "Sou muito apegada aos meus objetos e às minhas criações", diz Tania. Um dos maiores desafios de seu sócio é convencê-la a enxugar a linha de produtos – hoje muito acima do que se vê em lojas de decoração chiques como a americana Ralph Lauren Home e a belga Flamant. Há quem diga que o ritmo das novas criações, e dos 28 artesãos por ela selecionados, é tão acelerado que, não raro, algumas coleções acabam negligenciadas, sem peça de reposição.

Réplica de palacete
A Tania Bulhões Home ocupa 3 000 metros quadrados de um casarão no bairro dos Jardins

Para criar, Tania inspira-se no que vê em suas viagens. Elas são muitas: mais de dez por ano – de grandes centros, como Paris e Nova York, a países "exóticos", como China, Rússia, Índia e Marrocos, passando por pequenas cidades do interior da França e da Inglaterra. Foi numa dessas viagens que Tania arrematou o lustre um tanto hiperbólico da foto que ilustra esta reportagem. Esse ela não vende nem empresta. Pagou 30.000 euros pela peça do século XVIII, feita de cristal misturado a pó de ouro.

Nascida em Uberaba, Tania mudou-se para São Paulo em 1992, quando abriu uma pequena loja em sociedade com a irmã. O negócio cresceu e caiu nas graças dos decoradores, que hoje representam 40% de sua clientela. Ela promove anualmente um concurso no qual presenteia o decorador mais fiel à sua marca com viagens internacionais. "Tania é muito generosa", diz o decorador Sig Bergamin, vencedor de um desses concursos. "Minha preferência são os objetos de mesa, pratos, copos e talheres. São belíssimos", elogia. Já o mobiliário desenhado por Tania está longe de ser uma unanimidade. Ainda que Nizan Guanaes insista que Tania é "a Ralph Lauren de saias", ela está (bem) longe disso. Digamos que lhe falta contenção. Alguns de seus móveis são definidos como "uma mistura de clássico e contemporâneo com uma bossa brasileira". Foi assim que uma chaise coquille (uma cadeira de encosto arredondado) do fim do século XVIII ganhou uma chinoiserie pink. Isso é que é bossa brasileira.



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