BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
REVISTAS
VEJA
Edição 2092

24 de dezembro de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao Leitor
Entrevista
Lya Luft
Leitor
Millôr
Blogosfera
PANORAMA
Imagem da Semana
Holofote
SobeDesce
Conversa
Números
Datas
Radar
Veja Essa
 

Brasil
O guardião dos grampos

Agente da Abin confirma que ouviu gravações de
conversas de jornalistas e que entregou os arquivos
de áudio a seu chefe, o delegado Paulo Lacerda


Expedito Filho

José Cruz/ABR

NA ESCUTA
Seltz não esclareceu se as conversas de jornalistas foram gravadas de maneira legal. Suspeita-se que não


Há três meses, a Polícia Federal e o Ministério Público averiguam a participação clandestina da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na operação que investigou o banqueiro Daniel Dantas. Já existe consenso entre as duas instituições de que a ação dos espiões oficiais foi ilegal. O que as autoridades não sabem ainda com precisão é a dimensão das irregularidades. Na semana passada, o agente Márcio Seltz, um dos mais de oitenta arapongas envolvidos na operação secreta, enviou uma carta à CPI dos Grampos para retificar uma declaração em seu depoimento. Ele afirmou que, ao contrário do que dissera, manipulou grampos telefônicos de jornalistas e que os áudios das gravações foram repassados ao então diretor da Abin, delegado Paulo Lacerda. O agente não esclarece a maneira como foram obtidas as interceptações das conversas dos jornalistas – se por meios legais ou não. Apenas recebeu o material, analisou-o e o entregou ao chefe.

O ex-diretor da Abin foi afastado depois que se descobriu a atuação clandestina de seus espiões, que grampearam ilegalmente os telefones de políticos, jornalistas e autoridades, entre as quais o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Indagado a respeito na CPI, Paulo Lacerda mentiu ao Congresso. Disse que a atuação de seu pessoal se limitou a uns poucos arapongas, acionados informalmente apenas para checar endereços, e que ele nem sequer sabia dos detalhes da operação. O depoimento do agente Seltz mostra que Lacerda, além de acompanhar tudo, era o guardião do material produzido. O que será que o ex-chefe do serviço de espionagem do governo faz com os arquivos de áudio que recebe?

J. Edgar Hoover, o lendário ex-diretor do FBI, a polícia federal americana, tinha um imenso arquivo de gravações telefônicas ilegais que usava para chantagear adversários do governo. Seus biógrafos escreveram que ele fazia tudo com o consentimento da Presidência da República. Hoover ficou 48 anos e oito presidentes no cargo. No Brasil, Paulo Lacerda, que comandou a Polícia Federal até o ano passado, deixando uma folha de excelentes serviços prestados ao governo, foi afastado temporariamente da Abin pelo presidente Lula, mas já contou a amigos que voltará ao cargo no fim das investigações. Não se sabe a origem de tamanha convicção. Sobre os grampos entregues pelo agente Márcio Seltz, Lacerda reafirmou que desconhece o assunto. Ele nunca viu, ouviu ou guardou gravação alguma.

Beto Barata/AE

CADÊ O ÁUDIO?
Lacerda desmente o antigo subordinado
e garante que não recebeu arquivos de
grampos de jornalistas



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |