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Especial
A
terapia da prece

Tiago
Décimo
Uma
boa notícia: a fé cura. Estudos científicos
mostram que há uma intrigante coincidência entre reações
positivas a tratamentos médicos e o fato de o paciente ter
uma crença religiosa.
Os estudiosos do fenômeno ainda se dividem entre os que explicam
os bons resultados pelo estilo de vida, claramente mais saudável
das pessoas religiosas, e os que vêem nas curas a intervenção
divina. Essa dúvida não se dissipará nunca.
Os benefícios para os pacientes dos processos de meditação,
oração e reflexão espiritual aparecem de modo
tão inequívoco nos exames que a ciência ortodoxa
está se mexendo para tentar explicar o que for possível
do fenômeno.
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O
interesse da medicina tradicional pelo tema é cada vez maior.
Mais de setenta das 125 escolas de medicina dos Estados Unidos oferecem,
em sua grade curricular, cursos que estudam as interações
entre a espiritualidade e a saúde. Há dez anos eram
apenas quatro. Diz Harold Koenig, do Centro para Estudos da Religião
e Espiritualidade da Universidade Duke, uma das instituições
mais reputadas dos Estados Unidos na área médica:
"Os avanços nessa área são incontestáveis.
A fé é um fator determinante não apenas na
cura mas também na qualidade de vida das pessoas". Os resultados
das pesquisas mais extensas nessa área apontam para duas
evidências. A primeira é que pessoas religiosas vivem
mais do que as que não acreditam em nada. A longevidade é,
em média, 10% maior entre aqueles que professam alguma fé.
A segunda é que mulheres e homens que rezam com freqüência
se curam com maior facilidade em casos de doenças em que
o stress é um fator determinante. Afirma Dale Matthews, do
Instituto Nacional de Pesquisas de Saúde dos Estados Unidos:
"Pessoas que têm fé em geral são menos propensas
a fumar, beber, lidar com drogas e ter comportamento sexual de risco.
São também menos ansiosas e mais atentas a fatores
de segurança cotidiana, como usar cinto no carro, além
de seguir mais fielmente as orientações médicas".
Outro estudo, promovido em 1995 pela Faculdade de Medicina de Dartmouth,
mostrou que pacientes com convicções religiosas tinham
três vezes mais chances de sobreviver a cirurgias cardíacas
do que os não religiosos. "Acredito que exista um mecanismo
psicológico que faz com que os religiosos lidem melhor com
o stress que uma intervenção dessa natureza acarreta",
diz o coordenador do estudo, o professor Thomas Oxman.
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FÉ
DESDE AS ORIGENS
Jesus ressuscita Lázaro, em obra do holandês
Rembrandt pintada em 1630: a crença nos milagres, estimulada
pelo Novo Testamento, está na base da religião
católica
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Por
sua própria natureza, tendem a ser inconclusivos os estudos
que tentam desvendar a relação direta entre fé
e cura. Essa limitação não inibe a ousadia
dos pesquisadores. Recentemente, a Universidade Colúmbia,
em Nova York, fez uma pesquisa para testar a efetividade de orações
a distância. As cobaias eram mulheres coreanas com dificuldade
para engravidar. Elas foram divididas em dois grupos. Para um deles
formaram-se grupos de orações nos Estados Unidos e
na Austrália. O outro não contou com preces. As mulheres
não ficaram sabendo de nada, para que o fator psicológico
não interferisse. O resultado: a taxa de concepção
foi de 50% entre as pacientes que contaram com orações,
contra 23% do outro grupo. A diferença é expressiva,
mas o estudo, como era de esperar, não convenceu a todos
por ter problemas metodológicos. "Os resultados podem ser
entendidos apenas como flutuações estatísticas",
diz Massimo Pigliucci, professor da Universidade do Tennessee. A
maioria dos estudos leva à conclusão de que acreditar
dá aos pacientes uma força extra na hora de enfrentar
doenças. A maior parte das religiões admite a intercessão
divina em favor de pessoas que rezem por ela. Claramente, essa relação
não está compreendida no universo de fenômenos
estudáveis pelos cientistas. As curas e os tratamentos bem-sucedidos
de pessoas religiosas, porém, são um dado que a ciência
médica, mesmo sem explicar cabalmente, está cada vez
mais disposta a colocar a seu serviço.
| Quando
a fé mata |
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| Amy
Hermanson |
Ian
Lundman morreu aos 11 anos. Amy Hermanson, aos 7. Matthew
Swan foi vitimado pela meningite com apenas 1 ano e 4
meses. Essas crianças americanas tinham algo em
comum: seus pais são seguidores de um culto conhecido
como Ciência Cristã. Seus pastores recomendam
aos fiéis que não procurem médicos
para tratar doenças. Em vez disso, eles devem apenas
rezar. A morte das três crianças provocou
comoção e protestos nos Estados Unidos.
O caso mais revoltante foi o de Amy Hermanson, de Sarasota,
na Flórida, que foi vítima de diabetes.
Manifestantes pediram a prisão dos pais por assassinato.
Os Hermanson foram julgados, mas a Suprema Corte da Flórida
inocentou-os em 1992, com base na lei que defende a liberdade
religiosa. No próprio veredicto, o juiz assinalou
que a lei deveria ser modificada, para que casos assim
não voltassem a ocorrer. Até hoje, porém,
a lei está de pé sem alterações.
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