Edição 1834 . 24 de dezembro de 2003

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Retrospectiva 2003: imagens e fatos

Lula
O governo começa
mesmo em 2004


Marcello Casal Jr./ABR

Lula foi eleito em outubro de 2002. Boa parte dos brasileiros, mesmo muitos que votaram no barbudo, encarou a vitória do PT com cautela. No exterior era só euforia. Por aqui, muitos duvidavam da capacidade do PT para governar. Lá fora, revistas como a prestigiada The Economist britânica saudavam a lição de democracia dada pelo Brasil, que elegia um ex-metalúrgico presidente da República e o empossava. Pode-se dizer que, no fim deste ano, de certa forma essa situação se inverteu. No plano interno, a gestão de Lula foi melhor do que se esperava. Na economia, fez-se a devida faxina. Na política, o governo sinalizou que pretendia continuar com a agenda de reformas, ao avançar nas áreas previdenciária e tributária. Deu também uma demonstração de força ao ejetar, na semana passada, os radicais que, na visão adocicada do presidente, "não acompanharam o desenvolvimento do partido na velocidade desejada". Perderam o trem da história, como gosta de definir a esquerda. Mas, no exterior, as viagens tiveram mais exotismo do que substância. Com a repetição incansável dessas viagens de Lula ao exterior, o entusiasmo das reportagens na imprensa estrangeira foi se transformando em frieza até culminar em indiferença.

Nunca um presidente brasileiro se expôs tanto ao mundo em tão pouco tempo. Em menos de um ano de governo, Lula saiu 18 vezes do Brasil e visitou 27 países. Contando as viagens internas, para cada quatro dias passados no Planalto, Lula ficou seis fora de Brasília. No mesmo período, Fernando Henrique Cardoso, que o PT acusava de exibicionista, fez quinze viagens, três a menos que Lula.

De maneira geral, o saldo de 2003 para Lula foi muito bom. Ele começou e termina o ano avaliado pelos brasileiros nas pesquisas bem acima da nota recebida por seu governo. Sua popularidade pessoal caiu um pouco, mas nada que refletisse a triste situação da economia, que praticamente conduziu o governo – e não o contrário. O ano do recomeço é 2004.

 

 
 
 
 
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