Edição 1 625 - 24/11/1999

 

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Livros

O Estrangulador, de Manuel Vázquez Montalbán (tradução de Rosa Freire D'Aguiar; Companhia das Letras; 210 páginas; 24 reais) – Grande nome da literatura espanhola atual, Manuel Vázquez Montalbán costuma variar, a cada livro, o gênero de seus relatos. Por isso mesmo, quem o conhece por Autobiografia do General Franco, que tem forte conteúdo político, ou Os Mares do Sul, um policial da melhor estirpe, irá se surpreender com este lançamento. O Estrangulador é um romance ambicioso e "culto". Tem como narrador um interno de instituição psiquiátrica que se apresenta como assassino. Com frieza, ele apresenta os seus crimes. Mas atenção: o texto está repleto de armadilhas, que ocultam a verdade sobre o personagem e seus feitos. Comentário sarcástico e pessimista sobre a época presente, O Estrangulador é uma leitura inquietante.

Musashi - Volume II, de Eiji Yoshikawa (tradução de Leiko Gotoda; Estação Liberdade; .888 páginas; 48 reais) – Lançada em agosto, a primeira parte da saga do "mais famoso samurai de todos os tempos" caiu no gosto do leitor brasileiro e já vendeu mais de 10.000 exemplares. Sucesso merecido. Baseado em eventos e personagens reais, este é um romance empolgante, cheio de reviravoltas. Seus detalhes, além disso, permitem compor um retrato vívido do Japão medieval. Um retrato muito mais preciso do que aquele estampado em obras semelhantes feitas para o grande público, como Xogum, do americano James Clavell. Neste segundo volume, o guerreiro Musashi prossegue em suas andanças, buscando o aperfeiçoamento filosófico e na arte do combate. Espera também pelo confronto final com Sasaki Kojiro, único samurai capaz de lhe fazer frente.
 

Televisão

Modelo desfila Alexander McQueen: show de
efeitos especiais

Fashion File Especial (The Superstation; segunda-feira às 19h30, terça às 13h e no dia 28 às 15h) – Programa dedicado a Alexander McQueen, nome coruscante nas últimas temporadas da alta-costura. Usando desde lâmpadas pisca-piscas até chifres de unicórnio, McQueen transforma seus desfiles em shows cheios de efeitos especiais. Faz chover e nevar, põe fogo na passarela (com a modelo em ação) e transforma o palco em pista de patinação no gelo. Recentemente, usou robôs para colorir uma saia em pleno desfile, com tinta spray. O programa conta a história do estilista, nascido numa família pobre de Londres, que diz ter descoberto o mundo da moda trabalhando como ajudante de um alfaiate. Hoje contratado pela grife Givenchy, ele se compara ao diretor de cinema Steven Spielberg.

Jazz Collection com John Coltrane (quinta-feira às 13h e sábado às 17h, no Eurochannel) – Este documentário, produzido há três anos pela TV francesa, mostra a vida e a obra do mais aclamado saxofonista-tenor da história do jazz. Integrante dos grupos de Miles Davis e Thelonious Monk, Coltrane também liderou sua própria banda, na qual consagrou o estilo ousado e original que chegou a transformá-lo em ídolo também dos roqueiros. O programa mostra ainda o lado negro da vida do músico: sua dependência do álcool e da heroína e sua luta para se livrar do vício. Entre os números musicais, há clássicos de sua carreira, como A Love Supreme, Giant Steps e Naima. Programa imperdível para quem gosta de boa música.

 

Discos

Meu Coração, Pepeu Gomes (Trama) – Embora celebrado como guitarrista, tanto nos Novos Baianos quanto nas bandas de Moraes Moreira e Gilberto Gil, Pepeu nunca conseguiu acertar em seus discos individuais. Por isso mesmo, Meu Coração é uma boa surpresa. No CD, Pepeu deixa de lado os longos solos de guitarra e opta pelo som acústico, acompanhado pelos irmãos Didi e Jorge Gomes – respectivamente, baixo e bateria. Desfila suas canções mais conhecidas, como Eu Também Quero Beijar e Meu Coração, com interpretações maduras e de sonoridade macia. Todas as faixas, sem exceção, ganham versões melhores do que as originais. Inclusive a breguíssima Garota Dourada, do conjunto Rádio Táxi (alguém se lembra?), tocada em ritmo de bossa nova.


From Here to Eternety Live, The Clash (Sony Music) – Da geração de rebeldes que dominou o rock no final dos anos 70, o Clash era a única banda que realmente tinha algo a dizer. Suas letras eram acima da média, abordando temas como a Guerra Civil Espanhola e a proibição do rock nas rádios do Irã. Além disso, o grupo costumava fazer shows memoráveis. Alguns deles, apresentados entre 1978 e 1982, estão registrados neste CD. Além de ser um documento histórico, o álbum pode ser encarado como uma bela introdução à obra do Clash, trazendo sucessos do quilate de Should I Stay or Should I Go e I Fought the Law. Um trabalho com mais qualidade do que 90% das produções do rock atual.