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É choro na certa
A ansiedade
dos pais, muitos convidados
e
atores fantasiados podem acabar
com a diversão da criança na hora da festa
Tatiana Chiari
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Montagem
sobre fotos de Irmo Celso/Agnaldo Ramos/Claudio Rossi/Eugenio
Savio/ Claudio Larangeira/ André Fortes
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| Crianças
de até 3 anos ainda não se divertem com
teatrinhos realistas |
A
decoração de balões é um primor,
a mesa de doces tem um colorido alegre e os convidados, a
princípio escassos, começam a chegar aos magotes.
Com zilhões de presentes, claro. Tudo parece ir bem
até o momento em que o aniversariante, logo ele, se
põe a chorar. É uma decepção para
os pais, coitados. Na maioria das vezes, o berreiro acontece
quando o dono da festa se vê diante de um ator fantasiado
de Lobo Mau ou de Homem-Morcego, contratado para animar o
pedaço. Assustado com a aparição repentina,
ele esperneia com vontade, puxando o coro dos descontentes
em geral, aquele pessoalzinho com menos de 1 metro
de altura. Ok, não foi uma boa idéia contratar
marmanjos fantasiados para fazer uma pecinha por demais realista.
Mas a choradeira do homenageado pode ter outra causa, que
é subterrânea ao medo: a tensão. Isso
mesmo. No afã de realizar um evento inesquecível
(e cada vez mais os aniversários estão com jeito
de superprodução), os pais acabam contaminando
a criança com seu nervosismo. E ela explode justamente
no instante em que algo de diferente se apresenta à
sua frente. "Por menor que seja, a criança se abala
com o tumulto e com a carga de ansiedade dos pais na preparação
da festa", explica a psicóloga Lúcia Helena
Zapotto Pulino, da Universidade de Brasília. "E, quando
chega a hora, ela está cansada demais para se divertir."
O tema da festa As
festas do primeiro e do segundo aniversário são
mais para os pais e seus amigos do que para a criança.
Esta só compreenderá o sentido da comemoração
a partir do terceiro ano de idade. "Mesmo sabendo que meus
filhos não entenderiam o significado da festa, fiz
questão de caprichar em seus aniversários",
diz a advogada Maria Luíza Reale Duarte, mãe
de Eduardo, de 2 anos, e Lucas, de 1. Tudo bem, Maria Luíza,
essas gracinhas são mesmo um grande motivo de alegria.
Já que não dá para controlar os ímpetos
festeiros, o melhor é preservar o pequeno aniversariante
de toda a azáfama, para que ele possa mostrar-se tranqüilo
e posar para as fotos contente da vida. Uma das providências
a tomar para evitar o stress é não exagerar
no número de convidados e de enfeites. Também
não é recomendável que festas de crianças
de 1 e 2 anos contem com animadores fantasiados. Não
vale Lobo Mau, Bruxa Má nem Mickey, Pateta,
Pato Donald ou os Teletubbies. Por mais que sejam amistosos
e as crianças os apreciem na televisão, bonecões
ao vivo são sempre ameaçadores nessa fase. "Nessa
idade, a criança tem necessidade de estar num ambiente
com o qual tenha familiaridade", diz a psicopedagoga e terapeuta
familiar Beatriz da Paixão Martins, do Rio de Janeiro.
Recreacionista A
partir do quarto aniversário, tudo fica mais fácil.
A criança até gosta de ser envolvida nos preparativos.
Ela pode ajudar a fazer os convites e a enrolar os brigadeiros.
E você nem precisará se preocupar com o tema
da festa: seis meses antes do grande dia, o próprio
aniversariante já terá informado o mundo inteiro
a respeito. Atualmente, os meninos andam optando por Tarzan,
em virtude do recente sucesso no cinema, e pelos personagens
do desenho japonês Pokémon.
As meninas, por sua vez, continuam escolhendo princesas como
Branca de Neve, Cinderela e a Bela, do desenho A
Bela e a Fera.
As mais moderninhas preferem a Barbie. Ainda que o tema da
festa tenha saído da cabeça da criança,
existe a possibilidade de ela soltar o choro na hora do teatrinho.
Para evitar isso é interessante que os atores vistam
a fantasia na frente de todos. Trata-se de uma maneira mais
ou menos garantida de fazer com que a garotada não
confunda ficção e realidade. Uma saída
inteligente para entreter convidados entre 4 e 6 anos é
contratar os serviços de um recreacionista. Ele se
encarregará de organizar a correria e dar vazão,
de forma razoavelmente organizada, à irreprimível
energia de moleques e molecas. Com a vantagem de não
assustar ninguém. Um mágico também é
uma possibilidade a ser estudada.
Por
último: pense seriamente em fazer a festinha de seu
filho na escola em que ele estuda. Não, você
não será um pai pior por causa disso. Embora
uma comemoração desse tipo seja necessariamente
mais modesta, nem por isso ela será menos marcante
para a criança. Rodeado dos amigos de cada dia, da
professora que ele (ainda) ama e de eventuais convidados especiais,
o aniversariante terá um dos dias mais felizes de sua
vidinha. É o que importa, não?
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