Edição 1 625 - 24/11/1999

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Maioria é homem

A dependência não está ligada apenas à freqüência do uso da droga, mas sim ao quanto ela faz parte da vida do usuário. O dependente é aquele que vive em função do vício. Pode até ficar uma semana sem usar a droga, mas não pára de pensar nela. Outra forma de diagnóstico é a síndrome de abstinência: normalmente, o dependente sofre efeitos colaterais quando pára de usar a droga. Vomita e tem diarréia.

Uma pesquisa feita pelo Narcóticos Anônimos em todo o mundo constatou que 64% dos dependentes químicos são homens e 36%, mulheres.
Segundo estudos, a média de idade do dependente de cocaína no Brasil é de 25 anos.  
Nos Estados Unidos, conforme levantamento feito pelo governo no ano passado, 13,6 milhões de americanos são usuários correntes de drogas (não incluindo o álcool). Ou seja, utilizaram pelo menos uma vez no mês da entrevista. Proporcionalmente, a faixa etária que mais consome situa-se entre 18 e 20 anos. Nessa faixa, 19,9% dos jovens usam drogas. No Brasil, não há pesquisa sobre o assunto.
O mesmo levantamento mostra que 4,1 milhões de americanos
foram diagnosticados como dependentes químicos entre 1997 e 1998, sendo que 1,1 milhão tinha entre 12 e 17 anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A roleta-russa da dependência

O livro O Revólver que Sempre Dispara (Casa Amarela; 144 páginas; 15 reais) dos irmãos Emanuel Ferraz Vespucci e Ricardo Vespucci, lançado recentemente, apresenta o alcoolismo e o uso de drogas como um problema de origem basicamente orgânica. É essa constatação, fruto da experiência de quinze anos de Emanuel como médico ligado a grupos de Alcoólicos Anônimos e clínicas de reabilitação, que serve de base para o trabalho. A abordagem, até certo ponto polêmica, privilegia a ótica do dependente e livra o leitor de qualquer preconceito. Fazendo isso, ajuda-o a entender de um assunto até agora privativo de pouquíssimos especialistas. O livro assume com todas as letras, por exemplo, que as drogas são prazerosas, motivo pelo qual se recorre a elas com tanta freqüência. "Não escrevemos contra as drogas, mas a favor do dependente, procurando ajudá-lo a se livrar delas. O prazer é parte do problema", diz o jornalista Ricardo Vespucci.

Nesse sentido, o livro é quase um manual prático e oferece várias dicas. Há um capítulo dedicado a entender os sinais da dependência, para que familiares possam fazer um diagnóstico precoce da doença. Mostra também as fases pelas quais passam os dependentes durante a sua vida. Ensina quais são as conseqüências do uso das drogas para o corpo, como a pancreatite, as inflamações nos nervos ou a psicose de Korsakoff – distúrbio muito comum que provoca alucinações e faz com que os dependentes acreditem em suas próprias invenções. O livro traz uma estatística aterradora: entre 12% e 15% das pessoas teriam predisposição orgânica ao desenvolvimento da dependência. Para elas, a primeira dose seria como um jogo de roleta-russa cujo final seria sempre a tragédia.