|
|
Maioria
é homem
A dependência
não está ligada apenas à freqüência
do uso da droga, mas sim ao quanto ela faz
parte da vida do usuário. O
dependente é aquele que vive
em função do vício. Pode
até ficar uma semana sem
usar a droga, mas
não pára de pensar nela. Outra forma
de diagnóstico é
a síndrome de abstinência: normalmente,
o dependente sofre
efeitos colaterais quando
pára de usar a droga. Vomita
e tem diarréia.
Uma
pesquisa feita pelo Narcóticos Anônimos
em todo o mundo constatou que
64% dos dependentes químicos são homens
e 36%, mulheres.
Segundo
estudos, a média de idade do dependente de cocaína
no Brasil é de 25 anos.
Nos
Estados Unidos, conforme levantamento feito pelo governo
no ano passado, 13,6 milhões de americanos são
usuários correntes de
drogas (não incluindo o álcool).
Ou seja, utilizaram
pelo menos uma
vez no mês da entrevista. Proporcionalmente, a
faixa etária que
mais consome situa-se entre 18
e 20 anos. Nessa faixa, 19,9% dos
jovens usam drogas. No Brasil, não há
pesquisa sobre o assunto.
O
mesmo levantamento mostra que
4,1 milhões de americanos
foram
diagnosticados como dependentes
químicos entre 1997
e 1998, sendo que 1,1 milhão tinha
entre 12 e 17 anos.
|
A roleta-russa
da dependência
O livro O Revólver que Sempre Dispara
(Casa Amarela; 144 páginas; 15 reais) dos irmãos
Emanuel Ferraz Vespucci e Ricardo Vespucci, lançado
recentemente, apresenta o alcoolismo e o uso de drogas
como um problema de origem basicamente orgânica.
É essa constatação, fruto da
experiência de quinze anos de Emanuel como médico
ligado a grupos de Alcoólicos Anônimos
e clínicas de reabilitação, que
serve de base para o trabalho. A abordagem, até
certo ponto polêmica, privilegia a ótica
do dependente e livra o leitor de qualquer preconceito.
Fazendo isso, ajuda-o a entender de um assunto até
agora privativo de pouquíssimos especialistas.
O livro assume com todas as letras, por exemplo, que
as drogas são prazerosas, motivo pelo qual
se recorre a elas com tanta freqüência.
"Não escrevemos contra as drogas, mas a favor
do dependente, procurando ajudá-lo a se livrar
delas. O prazer é parte do problema", diz o
jornalista Ricardo Vespucci.
Nesse sentido, o livro é quase um
manual prático e oferece várias dicas.
Há um capítulo dedicado a entender os
sinais da dependência, para que familiares possam
fazer um diagnóstico precoce da doença.
Mostra também as fases pelas quais passam os
dependentes durante a sua vida. Ensina quais são
as conseqüências do uso das drogas para o
corpo, como a pancreatite, as inflamações
nos nervos ou a psicose de Korsakoff distúrbio
muito comum que provoca alucinações e
faz com que os dependentes acreditem em suas próprias
invenções. O livro traz uma estatística
aterradora: entre 12% e 15% das pessoas teriam predisposição
orgânica ao desenvolvimento da dependência.
Para elas, a primeira dose seria como um jogo de roleta-russa
cujo final seria sempre a tragédia.
|
|