Edição 1 625 - 24/11/1999

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São Paulo

É dele ou não é?

Justiça marca exame de DNA para checar
acusação de paternidade contra Maluf

Fabio Schivartche

Eduardo Albarello
Maluf (em foto de 1990): detalhes picantes relatados à CPI e levados à Justiça


T
rês gotas de sangue podem acabar com um mistério que já dura mais de um ano. Se não houver nenhum incidente processual, nesta segunda-feira Paulo Maluf estenderá seu dedo anelar a um perito do laboratório Genomic, um dos mais respeitados do país em exames de comprovação de paternidade. Com uma agulha, o técnico colherá 0,25 mililitro de sangue para um teste de DNA. O resultado estará disponível em, no máximo, dez dias e mostrará se Maluf é ou não o pai da menor P.S.S.R.O., de 9 anos, filha de Silvana Rocha de Oliveira, que afirma ter sido sua amante entre 1988 e 1990. A solicitação do exame de paternidade pela Justiça é resultado de uma ação declaratória de inexistência de relação de parentesco contra Silvana impetrada por Maluf. Ou seja, o ex-prefeito, ex-deputado, ex-governador de São Paulo e eterno candidato em potencial à Presidência demonstra na prática que não teme o resultado do teste.

A existência de suposto relacionamento amoroso entre Maluf e Silvana tornou-se conhecida num depoimento do pai dela, Silvio Rocha, ao Ministério Público, em agosto de 1998. Ele se apresentou voluntariamente para acusar Maluf de ter seduzido sua filha quando ela tinha 15 anos. O caso só se tornou público, contudo, ao ressurgir na CPI da corrupção na administração municipal de São Paulo, neste ano. Intimado pela polícia a explicar sua condição de funcionário "intocável" na administração malufista, Rocha reafirmou a existência do relacionamento entre Maluf e Silvana e disse ter recebido 50.000 dólares para ficar calado. Pouco depois, em entrevista a VEJA, Silvana apimentou a história. Afirmou que os encontros aconteciam na casa do próprio Maluf, na Rua Costa Rica, no bairro do Jardim América, de manhã cedinho, quando Sylvia, a esposa, dormia ou não estava. "No banheiro, para não desconfiarem", disse. Maluf nega ter mantido relações sexuais com Silvana.

Agora, quase oito meses depois da explosão do escândalo, a Justiça marcou a data do exame. Isso não significa que a novela vai acabar, porque tanto Maluf quanto Silvana podem adiar a coleta do material genético. Em metade dos casos de investigação de paternidade que chegam à Justiça os envolvidos faltam à primeira coleta. Se qualquer uma das partes desistir do teste de DNA, o processo ainda pode estender-se por anos. Na última quinta-feira, um assessor confirmou a VEJA a disposição do ex-prefeito de se submeter ao teste. O advogado Gerson Bellani, que defende a família Oliveira, garantiu a presença de Silvana e de sua filha. "Ela está sob muita tensão, mas continua tranqüila em relação ao resultado positivo do DNA", diz Bellani. Confiante, mas não 100%, já que Silvana admite ter mantido relações sexuais na mesma época com um namorado, identificado apenas como Marcelo. Segundo o laboratório Genomic, o exame de DNA garante uma precisão de 99,99% de acerto. Confirmada ou não a paternidade, o escândalo já causou prejuízos à reputação de Maluf, publicamente acusado de pular a cerca, dentro da própria casa. Caso o teste dê resultado negativo, o episódio terá sido uma enorme injustiça contra Maluf, já que um político depende justamente de sua imagem para sobreviver na carreira.