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VEJA
Recomenda DISCOS
Fotos
divulgação
 | | Os
Beatles: seus quatro primeiros álbuns, no "formato americano" |
The
Capitol Albuns Vol. 1, The Beatles (EMI) Ao serem lançados
nos Estados Unidos, entre 1964 e 1966, os quatro primeiros álbuns dos Beatles
ganharam um formato diferente daquele que tinham na Inglaterra. Para se adequar
ao gosto dos americanos, saíram por lá com outras capas e encartes,
além de mudanças na ordem das canções. Cultuadas por
muitos fãs ao redor do planeta, essas versões só agora chegam
ao CD, reunidas numa caixa especial. O lançamento contém algumas
curiosidades. A faixa I'll Cry Instead, por exemplo, traz um verso inexistente
em outras gravações. Além disso, as músicas estão
disponíveis tanto em estéreo quanto no formato mono original.
 |  | | Madeleine:
não é um genérico
de Billie Holiday | |
Careless
Love, Madeleine Peyroux (Universal) A semelhança entre as
vozes das americanas Madeleine Peyroux e Billie Holiday (1915-1959) é assombrosa.
Mais do que uma vantagem, um timbre tão parecido pode tornar-se uma maldição.
Billie é uma lenda do jazz, e a contínua comparação
com ela tende a esmagar qualquer cantora. Madeleine, contudo, resiste. Ela não
tenta disfarçar a semelhança nem parodiar sua precursora. É
uma artista cerebral (o que não significa que seja uma intérprete
fria), que usa um vasto conhecimento musical para escolher o repertório
mais adequado a seus dons. Careless Love chega oito anos após Dreamland,
seu disco de estréia. Ela brilha na recriação de músicas
como Dance Me to the End of Love, do roqueiro Leonard Cohen, e mostra coragem
na faixa-título um blues de W.C. Handy (1873-1958) que poderia ter
sido cantado por Billie. LIVROS
Herdando
uma Biblioteca, de Miguel Sanches Neto (Record;
144 páginas; 28,90 reais) Misto de crônica, ficção
e livro de memórias, essa é uma obra que trata de um tema caro a
todo bom leitor: a paixão pelos livros. O escritor Miguel Sanches Neto
narra os percalços de sua formação em uma pequena cidade
do interior do Paraná. "Livro não era artigo muito comum na Peabiru
dos anos 1970, e muito menos em minha família, com forte tendência
para a vida prática", anota o autor do romance Chove sobre Minha Infância.
O livro narra como Sanches Neto, crescendo com um único livro em casa (a
Bíblia), acabou se tornando um "leitor profissional" e ensina
como encontrar nos clássicos uma família espiritual da qual todos
somos herdeiros. A
Canja do Imperador, de J.A. Dias Lopes (Companhia Editora Nacional; 446
páginas; 38 reais) Diretor de redação da revista Gula
e colunista gastronômico do jornal O Estado de S. Paulo, o jornalista
José Antonio Dias Lopes reuniu os melhores textos que escreveu para as
duas publicações nesse livro. Misturando crônicas e receitas,
a obra é um passeio cultural pela cozinha dos séculos, revelando
as preferências e os caprichos culinários de reis, papas, escritores,
celebridades. Conta, por exemplo, que Freud, o pai da psicanálise, apreciava
passeios pelos bosques em busca de cogumelos silvestres e que o conquistador Casanova
consumia muitas ostras para garantir seu desempenho sexual. Leia
trecho. As
Aventuras de Abdi, de Madonna (tradução de João Ximenes
Braga; Rocco; 32 páginas; 35 reais) Madonna está mesmo levando
a sério esse negócio de ser mãe. Esse é o seu quarto
livro infantil. A cantora e cabalista pop desta vez investiu numa história
que se passa no Oriente. Abdi é um menino órfão aprendiz
de Eli, um joalheiro muito habilidoso. A rotina pacata dos dois é sacudida
quando o emissário do rei traz uma difícil encomenda. A moral da
história sim, a garota materialista hoje escreve contos morais!
é que todos os percalços da vida sempre vêm para o
bem. O livro tem planejamento gráfico caprichado, com ilustrações
suntuosas de Andrej Dugin e Olga Dugina, casal russo que participou da criação
de arte do filme Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.
DVD
Coleção
Jerry Lewis (Paramount) Ao romper uma longa parceria com o galã
Dean Martin, Jerry Lewis partiu para a carreira-solo determinado a provar que
não dependia de companhia para ser um sucesso e conseguiu. Entre
1957 e 1964, o comediante foi seguidas vezes o recordista de bilheteria nos Estados
Unidos, produzindo (e às vezes também dirigindo) seus filmes. São
dessa fase de ouro os seis títulos agora à venda em forma avulsa:
O Delinqüente Delicado, O Mocinho Encrenqueiro, O Terror das Mulheres,
O Mensageiro Trapalhão, O Professor Aloprado e O Otário.
Em todos, Lewis explora o personagem que virou sua marca registrada, o sujeito
abobado e incapaz de acertar. Esnobado pela crítica de seu país,
que o considerava uma diversão menor, Lewis emplacou com a crítica
francesa, que via em sua comédia uma forma de expressão artística
superior e tão autenticamente americana quanto o faroeste. Os franceses
estavam certos.
Os mais vendidos crítica Em
uma entrevista sobre O Reino do Dragão de Ouro (tradução
de Mário Pontes; Bertrand Brasil; 306 páginas; 31 reais), a escritora
chilena Isabel Allende, de 62 anos e há mais de vinte radicada nos
Estados Unidos , reclamou da ignorância dos jovens americanos em relação
ao restante do mundo. E deixou a sugestão de que a leitura de seus livros
juvenis ajudaria a sanar essa falha. Na verdade, essas obras só repetem
(descontadas as diferenças de talento literário) os chavões
da velha literatura colonialista de autores como Rudyard Kipling: ocidentais civilizados
em busca de aventuras em lugares exóticos. O Reino do Dragão
de Ouro, ambientado no Himalaia, é a segunda parte de uma trilogia
iniciada com A Cidade das Feras, que tem lugar na Amazônia, e concluída
com O Bosque dos Pigmeus (ainda inédito no Brasil), que se passa
na África. Os aventureiros são a americana Kate Cold, jornalista
de uma revista de viagens, seu neto Alexander e a menina brasileira Nádia
Santos (que sabe conversar com os animais). Em O Reino, eles lutam contra
exploradores inescrupulosos que, a serviço de um milionário obviamente
inspirado em Bill Gates, o fundador da Microsoft, querem roubar de um antigo povo
do Himalaia um dragão dourado que teria propriedades mágicas. O
lado "Indiana Jones" até pode atrair o leitor adolescente. O duro é
agüentar o budismo de almanaque que permeia o livro todo.
Jerônimo
Teixeira | | |