Edição 1881 . 24 de novembro de 2004

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DISCOS

Fotos divulgação
Os Beatles: seus quatro primeiros álbuns, no "formato americano"


The Capitol Albuns Vol. 1,
The Beatles (EMI) – Ao serem lançados nos Estados Unidos, entre 1964 e 1966, os quatro primeiros álbuns dos Beatles ganharam um formato diferente daquele que tinham na Inglaterra. Para se adequar ao gosto dos americanos, saíram por lá com outras capas e encartes, além de mudanças na ordem das canções. Cultuadas por muitos fãs ao redor do planeta, essas versões só agora chegam ao CD, reunidas numa caixa especial. O lançamento contém algumas curiosidades. A faixa I'll Cry Instead, por exemplo, traz um verso inexistente em outras gravações. Além disso, as músicas estão disponíveis tanto em estéreo quanto no formato mono original.

 
Madeleine: não é um genérico de Billie Holiday  

Careless Love, Madeleine Peyroux (Universal) – A semelhança entre as vozes das americanas Madeleine Peyroux e Billie Holiday (1915-1959) é assombrosa. Mais do que uma vantagem, um timbre tão parecido pode tornar-se uma maldição. Billie é uma lenda do jazz, e a contínua comparação com ela tende a esmagar qualquer cantora. Madeleine, contudo, resiste. Ela não tenta disfarçar a semelhança nem parodiar sua precursora. É uma artista cerebral (o que não significa que seja uma intérprete fria), que usa um vasto conhecimento musical para escolher o repertório mais adequado a seus dons. Careless Love chega oito anos após Dreamland, seu disco de estréia. Ela brilha na recriação de músicas como Dance Me to the End of Love, do roqueiro Leonard Cohen, e mostra coragem na faixa-título – um blues de W.C. Handy (1873-1958) que poderia ter sido cantado por Billie.

 

LIVROS

Herdando uma Biblioteca, de Miguel Sanches Neto (Record; 144 páginas; 28,90 reais) – Misto de crônica, ficção e livro de memórias, essa é uma obra que trata de um tema caro a todo bom leitor: a paixão pelos livros. O escritor Miguel Sanches Neto narra os percalços de sua formação em uma pequena cidade do interior do Paraná. "Livro não era artigo muito comum na Peabiru dos anos 1970, e muito menos em minha família, com forte tendência para a vida prática", anota o autor do romance Chove sobre Minha Infância. O livro narra como Sanches Neto, crescendo com um único livro em casa (a Bíblia), acabou se tornando um "leitor profissional" – e ensina como encontrar nos clássicos uma família espiritual da qual todos somos herdeiros.

A Canja do Imperador, de J.A. Dias Lopes (Companhia Editora Nacional; 446 páginas; 38 reais) – Diretor de redação da revista Gula e colunista gastronômico do jornal O Estado de S. Paulo, o jornalista José Antonio Dias Lopes reuniu os melhores textos que escreveu para as duas publicações nesse livro. Misturando crônicas e receitas, a obra é um passeio cultural pela cozinha dos séculos, revelando as preferências e os caprichos culinários de reis, papas, escritores, celebridades. Conta, por exemplo, que Freud, o pai da psicanálise, apreciava passeios pelos bosques em busca de cogumelos silvestres e que o conquistador Casanova consumia muitas ostras para garantir seu desempenho sexual. Leia trecho.

As Aventuras de Abdi, de Madonna (tradução de João Ximenes Braga; Rocco; 32 páginas; 35 reais) – Madonna está mesmo levando a sério esse negócio de ser mãe. Esse é o seu quarto livro infantil. A cantora e cabalista pop desta vez investiu numa história que se passa no Oriente. Abdi é um menino órfão aprendiz de Eli, um joalheiro muito habilidoso. A rotina pacata dos dois é sacudida quando o emissário do rei traz uma difícil encomenda. A moral da história – sim, a garota materialista hoje escreve contos morais! – é que todos os percalços da vida sempre vêm para o bem. O livro tem planejamento gráfico caprichado, com ilustrações suntuosas de Andrej Dugin e Olga Dugina, casal russo que participou da criação de arte do filme Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

 

DVD

Coleção Jerry Lewis (Paramount) – Ao romper uma longa parceria com o galã Dean Martin, Jerry Lewis partiu para a carreira-solo determinado a provar que não dependia de companhia para ser um sucesso – e conseguiu. Entre 1957 e 1964, o comediante foi seguidas vezes o recordista de bilheteria nos Estados Unidos, produzindo (e às vezes também dirigindo) seus filmes. São dessa fase de ouro os seis títulos agora à venda em forma avulsa: O Delinqüente Delicado, O Mocinho Encrenqueiro, O Terror das Mulheres, O Mensageiro Trapalhão, O Professor Aloprado e O Otário. Em todos, Lewis explora o personagem que virou sua marca registrada, o sujeito abobado e incapaz de acertar. Esnobado pela crítica de seu país, que o considerava uma diversão menor, Lewis emplacou com a crítica francesa, que via em sua comédia uma forma de expressão artística superior e tão autenticamente americana quanto o faroeste. Os franceses estavam certos.

 

Os mais vendidos – crítica

Em uma entrevista sobre O Reino do Dragão de Ouro (tradução de Mário Pontes; Bertrand Brasil; 306 páginas; 31 reais), a escritora chilena Isabel Allende, de 62 anos – e há mais de vinte radicada nos Estados Unidos –, reclamou da ignorância dos jovens americanos em relação ao restante do mundo. E deixou a sugestão de que a leitura de seus livros juvenis ajudaria a sanar essa falha. Na verdade, essas obras só repetem (descontadas as diferenças de talento literário) os chavões da velha literatura colonialista de autores como Rudyard Kipling: ocidentais civilizados em busca de aventuras em lugares exóticos. O Reino do Dragão de Ouro, ambientado no Himalaia, é a segunda parte de uma trilogia iniciada com A Cidade das Feras, que tem lugar na Amazônia, e concluída com O Bosque dos Pigmeus (ainda inédito no Brasil), que se passa na África. Os aventureiros são a americana Kate Cold, jornalista de uma revista de viagens, seu neto Alexander e a menina brasileira Nádia Santos (que sabe conversar com os animais). Em O Reino, eles lutam contra exploradores inescrupulosos que, a serviço de um milionário obviamente inspirado em Bill Gates, o fundador da Microsoft, querem roubar de um antigo povo do Himalaia um dragão dourado que teria propriedades mágicas. O lado "Indiana Jones" até pode atrair o leitor adolescente. O duro é agüentar o budismo de almanaque que permeia o livro todo.

Jerônimo Teixeira

 

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Fnac, Laselva, Saraiva, Sodiler, Nobel.
 
 
 
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