Edição 1881 . 24 de novembro de 2004

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Diogo Mainardi
Ovo neles! Tomate neles!

"A reforma universitária é uma patetice. Cria novos problemas e não conserta os velhos.
A solução seria
vender a universidade pública
e cobrar impostos da particular. O Estado
deveria
se limitar a cuidar dos oito anos de ensino obrigatório"

Estudantes da Universidade Federal de Alagoas arremessaram ovos e tomates em Lula. Nenhum deles conseguiu atingir o alvo. A universidade pública realmente não presta. Os alunos não aprendem nem a melhorar a pontaria. Lula aproveitou a oportunidade para reconhecer que protestou a vida inteira sem entender direito por que estava protestando. É reconfortante saber que pusemos o país nas mãos de um presidente tão consciencioso.

Os estudantes alagoanos arremessaram ovos e tomates em Lula por causa da reforma universitária. Junto-me a eles. Arremesso ovos e tomates metafóricos no presidente, na esperança de acertar pelo menos um respingo em suas calças. A reforma universitária é uma patetice. Cria novos problemas e não conserta os velhos. A solução seria vender a universidade pública e cobrar impostos da particular. Os lulistas querem o contrário: onerar a universidade pública e transformar a particular numa instituição paraestatal, uma espécie de PPP, em que o Estado entra com o dinheiro e a iniciativa privada fica com o lucro.

Uma das propostas da reforma universitária é a instituição de um ciclo básico de dois anos, em que os estudantes deverão aperfeiçoar sua capacidade de compreensão escrita e oral. Ou seja, os dois primeiros anos de universidade não serão dedicados à formação profissional, mas a ensinar a ler e a escrever. Difícil entender o que se pretende com isso. Se o próprio governo admite que os alunos chegam analfabetos ao ensino superior, o mais sensato seria tirar recursos da universidade pública e investir na melhoria da qualidade do ensino fundamental. Os lulistas acham que não. Acham que é melhor converter a universidade num curso supletivo, com a função de ensinar tudo o que deveria ter sido ensinado nas séries anteriores. Isso empurrará a verdadeira formação profissional para adiante, para o mestrado e a pós-graduação. E o diploma superior, que já não vale nada, valerá ainda menos.

A reforma universitária propõe também um regime de cotas e bolsas de estudo para favorecer os alunos carentes, provenientes da escola pública. As universidades particulares, de acordo com o projeto lulista, terão a garantia de isenções fiscais para conceder esses benefícios. A barganha tem um efeito duplamente perverso: piora a qualidade do ensino, privilegiando os estudantes menos preparados, e deteriora as contas do Estado. Bem melhor seria cobrar impostos das universidades particulares e, com o dinheiro arrecadado, pagar a mensalidade dos alunos carentes com bom desempenho escolar, independentemente de serem brancos ou pretos, vindos da escola pública ou privada.

O Estado não tem dinheiro suficiente para assegurar uma educação integral de qualidade. Deveria se limitar a cuidar dos oito anos de ensino obrigatório, livrando-se da universidade pública e investindo toda a sua verba na capacitação dos professores do ensino fundamental. Quanto ao ensino médio e universitário, a sociedade dá um jeito. O resto é empulhação. O resto é lulismo. Ovo neles! Tomate neles!

 

 
 
 
 
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