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Diogo
Mainardi
Ovo neles! Tomate neles!
"A reforma universitária é
uma patetice. Cria novos problemas
e não conserta os velhos.
A solução seria vender a universidade
pública
e cobrar impostos da particular. O Estado deveria
se limitar a cuidar dos oito anos de ensino obrigatório"
Estudantes da Universidade Federal de Alagoas
arremessaram ovos e tomates em Lula. Nenhum deles conseguiu atingir
o alvo. A universidade pública realmente não presta.
Os alunos não aprendem nem a melhorar a pontaria. Lula aproveitou
a oportunidade para reconhecer que protestou a vida inteira sem
entender direito por que estava protestando. É reconfortante
saber que pusemos o país nas mãos de um presidente
tão consciencioso.
Os estudantes alagoanos arremessaram ovos
e tomates em Lula por causa da reforma universitária. Junto-me
a eles. Arremesso ovos e tomates metafóricos no presidente,
na esperança de acertar pelo menos um respingo em suas calças.
A reforma universitária é uma patetice. Cria novos
problemas e não conserta os velhos. A solução
seria vender a universidade pública e cobrar impostos da
particular. Os lulistas querem o contrário: onerar a universidade
pública e transformar a particular numa instituição
paraestatal, uma espécie de PPP, em que o Estado entra com
o dinheiro e a iniciativa privada fica com o lucro.
Uma das propostas da reforma universitária
é a instituição de um ciclo básico de
dois anos, em que os estudantes deverão aperfeiçoar
sua capacidade de compreensão escrita e oral. Ou seja, os
dois primeiros anos de universidade não serão dedicados
à formação profissional, mas a ensinar a ler
e a escrever. Difícil entender o que se pretende com isso.
Se o próprio governo admite que os alunos chegam analfabetos
ao ensino superior, o mais sensato seria tirar recursos da universidade
pública e investir na melhoria da qualidade do ensino fundamental.
Os lulistas acham que não. Acham que é melhor converter
a universidade num curso supletivo, com a função de
ensinar tudo o que deveria ter sido ensinado nas séries anteriores.
Isso empurrará a verdadeira formação profissional
para adiante, para o mestrado e a pós-graduação.
E o diploma superior, que já não vale nada, valerá
ainda menos.
A reforma universitária propõe
também um regime de cotas e bolsas de estudo para favorecer
os alunos carentes, provenientes da escola pública. As universidades
particulares, de acordo com o projeto lulista, terão a garantia
de isenções fiscais para conceder esses benefícios.
A barganha tem um efeito duplamente perverso: piora a qualidade
do ensino, privilegiando os estudantes menos preparados, e deteriora
as contas do Estado. Bem melhor seria cobrar impostos das universidades
particulares e, com o dinheiro arrecadado, pagar a mensalidade dos
alunos carentes com bom desempenho escolar, independentemente de
serem brancos ou pretos, vindos da escola pública ou privada.
O Estado não tem dinheiro suficiente
para assegurar uma educação integral de qualidade.
Deveria se limitar a cuidar dos oito anos de ensino obrigatório,
livrando-se da universidade pública e investindo toda a sua
verba na capacitação dos professores do ensino fundamental.
Quanto ao ensino médio e universitário, a sociedade
dá um jeito. O resto é empulhação. O
resto é lulismo. Ovo neles! Tomate neles!
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