Edição 1881 . 24 de novembro de 2004

Índice
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
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Cartas

"A abordagem sem mitos de VEJA mostrando novas formas de combate ao câncer de mama incentiva as mulheres a agir de forma natural e sem preconceitos."
Silvio Rodrigo Kmiecik
Campo Magro, PR

Câncer de mama

Ler a reportagem deu-me a mesma sensação de felicidade que tive quando meu médico me ligou, alguns dias após minha mastectomia, para dizer que eu não tinha nenhuma metástase. Era como se estivesse recomeçando a viver ("Os triunfos sobre o câncer de mama", 17 de novembro). Obrigada, VEJA!
Maria Lúcia Benevides da Silva
Natal, RN

Observamos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, no serviço de obstetrícia, sob a direção do professor titular doutor Marcelo Zugaib, que a sobrevida dessas mulheres e o retardo atual da gravidez para a terceira ou quarta década de vida, além do aumento progressivo na incidência de câncer de mama em idade reprodutiva, contribuem para a coincidência do diagnóstico de câncer durante a gestação. Os obstetras devem ficar atentos quanto ao exame de mama e do colo uterino na primeira consulta de pré-natal, o que permite, na maioria das vezes, prosseguir a gravidez e o tratamento simultâneo do câncer, mantendo o controle da doença com reduzida morbidade e mortalidade materna ou fetal, preservando-se, portanto, a gravidez e a fertilidade.
Doutor Waldemir Washington Rezende
Médico assistente da Clínica Obstétrica
São Paulo, SP

Recebi o diagnóstico de câncer de mama em fevereiro de 2003. Foi o mesmo que ler meu atestado de óbito ainda em vida. O câncer já estava em estado adiantado. Fui submetida a uma mastectomia radical e a uma reconstrução mamária em seguida. Foram oito horas de cirurgia. Fiz 28 sessões de radioterapia e doze de quimioterapia, que acabaram comigo. Graças a minha fé em Deus, ao meu médico e a minha força para vencer a doença, não fiz parte dessas 9.500 pobres mulheres que morreram em 2003. Entrei em depressão profunda após o término da quimioterapia, levei um fora do meu companheiro, queria morrer. Depois de alguns meses de terapia e antidepressivos, estou feliz e muito confiante de que essa doença terrível, devastadora, nunca mais vai me pegar. Para as mulheres que estão começando agora a guerra contra esse mal, uma mensagem: é possível vencer a doença.
Paula Purchio Duarte Ponz
Campinas, SP

O Ministério da Saúde precisa ter um programa contínuo centrado nesse problema. A intervenção nessa questão apenas uma vez ao ano é muito pouco. Se quisermos ganhar essa guerra, precisamos de um programa que funcione ininterruptamente, ou teremos de amargar algumas derrotas.
Doutor Luiz Alberto B. Marinho,
responsável pelo Programa de Saúde da Mulher em Sumaré
Sumaré, SP

 

Francis Fukuyama

Harmonia, solidariedade e um mundo melhor só existirão quando tivermos consciência de que vivemos num mundo multicultural, cheio de crenças e repleto de diferenças (afinal, vivemos num planeta de 6,3 bilhões de habitantes, e é natural que não sejamos iguais). Resolver a questão palestina é, sim, fundamental para que tenhamos uma reestruturação do Oriente Médio, e realmente a América Latina precisa resolver as questões sociais (principalmente educação) para que, assim como a Ásia, possa estar em pé de igualdade com o resto nessa competição planetária (Amarelas, 17 de novembro).
Marco Aurélio Alves de Castro
Goiânia, GO

A entrevista com o senhor Fukuyama despertou-me alguns questionamentos. Em meio a um crescimento econômico que, a despeito de muito sacrifício, foi vagaroso nas últimas décadas, surgiu agora na América Latina um conjunto de questões fundamentais: deve-se buscar uma alternativa mais populista para o tão detratado Consenso de Washington? Seria o problema uma globalização assimétrica, que priva os pobres para favorecer os ricos? Politicamente, com as sérias emendas feitas à prática da democracia no Peru, Bolívia, Equador e Argentina, o tema se torna mais complexo: devem-se alterar regras eleitorais constitucionais em resposta a uma profunda frustração do público?
Hugo Lins Coelho
Recife, PE

 

Henry Kissinger

Impressionante o artigo do senhor Henry Kissinger, que, com uma arrogância única, vem conclamar a necessidade do enfrentamento da crise iraquiana não somente pelos EUA, mas por uma união de países, tanto do Atlântico como do Pacífico ("É hora de definir uma nova ordem mundial", Artigo, 17 de novembro). Esqueceu-se o senhor Kissinger de que a atual guerra no Iraque foi decisão unilateral dos EUA, violando acordos e instituições como a ONU. Esqueceu-se também de que por décadas os EUA vêm realizando interferência na política de vários países, seja apoiando golpes, como no caso do Brasil e de outros países da América Andina, seja financiando grupos terroristas e rebeldes de acordo com seus interesses. Sim, é legítimo que as nações se preocupem com o estabelecimento de uma harmonia mundial, mas, por favor, não subestime a percepção das pessoas com uma retórica míope e desrespeitosa à sua inteligência e memória.
Frank Ned
Brasília, DF

 

Lego

É com tristeza que li a reportagem "O desmonte da Lego" (17 de novembro). Se todos os pais soubessem quanto esse brinquedo contribui para nossa formação, isso não estaria acontecendo. Acabo de participar de uma feira de inventores em que, com meu amigo Mateus, apresentei um robô todo construído com peças de Lego, que foram oferecidas pelo curso de robótica do Sesi de Joinville, curso do qual participamos. Nosso robô deixou a comissão julgadora e todos o demais visitantes impressionados com os movimentos que pôde realizar. Espero que o Lego não vire peça de museu, como escreveu o autor da matéria.
Guilherme Darabas dos Santos, 14 anos
Joinville, SC

O brinquedo Lego diverte cerca de 300 milhões de crianças a partir de 6 meses de idade em todo o mundo e, da mesma maneira que a bola, a boneca e o carrinho, não corre nenhum risco de desaparecer. Os pais, cada dia mais conscientes, entendem cada vez mais a importância do brinquedo de montar no desenvolvimento infantil, e as crianças, por sua vez, sabem que brincar e colecionar Lego é muito divertido. A Lego Company continua empenhada em criar brinquedos de qualidade e em proporcionar lazer com aprendizado para esta e muitas outras gerações, oferecendo brinquedos que desenvolvem a criatividade e a inteligência de maneira divertida e desafiadora.
Robério Esteves
Gerente-geral da Lego no Brasil
São Paulo, SP

 

Internet

Parabéns pela reportagem "Deixe meu PC em paz" (17 de novembro). O que VEJA relatou é a realidade que estamos vivendo. Somos vítimas da própria tecnologia, que surgiu inicialmente para nos ajudar, e a realidade nos mostra que junto veio a "patologia", que são as invasões e os vírus. O fato é que hoje em dia não precisamos sair de casa para ser roubados.
Alysson de Oliveira Vieira
Uberlândia, MG

 

Lya Luft

Também não sou contra a beleza do samba nem das mulatas, mas mulatas e samba são o símbolo do Rio de Janeiro apenas. Aqui em Minas Gerais, se você quiser ver uma mulata sambando, terá de ir a algum galpão de escola de samba, e olhe lá! O Brasil é muito mais que isso.
Adriano Pimenta Veloso dos Anjos
Belo Horizonte, MG

É mais cômodo para nós, seres humanos bem-sucedidos, cuidar de baleias e cachorros do que de outros seres humanos, que nos mostram diariamente a (outra) face de nosso egoísmo. Assim é o Brasil, culturalmente atrasado, o que nos obriga, em nossas andanças pelo mundo, a desmentir a visão de que isto aqui seja selva, e nós, seres exóticos e incultos.
Paulo Barreiros
Rio de Janeiro, RJ

 

Radar

A Universidade Brown fica em Providence, capital do estado de Rhode Island. Com 175.000 habitantes, não é exatamente uma cidadezinha ("O tucano e o petista", 17 de novembro).
Emilio Haddad
Por e-mail

 

Ministério da Defesa

Com relação à reportagem "A força dos generais" (17 de novembro), o Ministério da Defesa informa que a compra de peixes mencionada na matéria, e nela definida como apenas de camarões, foi feita pelo órgão de administração do Ministério da Defesa, mediante processo licitatório, e não teve participação do Ministro da Defesa. Todos os gêneros alimentícios adquiridos pela administração central do Ministério da Defesa destinam-se, tão-somente, ao consumo dos restaurantes existentes na sede do Ministério, não havendo, pois, qualquer destinação para a residência oficial do ministro da Defesa. A quantidade mencionada, de 800 quilos, refere-se a uma estimativa ampla de consumo para um determinado período e não é paga antecipadamente. Paga-se apenas a quantidade efetivamente consumida, após o término do período.
José Luiz Halley
Assessor especial do ministro da Defesa
Brasília, DF

 

Desfibrilador

O país carece de lei federal que torne obrigatória a instalação de desfibriladores em locais públicos, como demonstrou a reportagem "Choques que salvam vidas" (17 de novembro). Creio, porém, que essa situação será corrigida em breve. Projeto que já foi aprovado no Senado e que agora tramita na Câmara Federal deverá sanar o problema. No dia 28 de outubro, fui designado relator da proposta pela Comissão de Seguridade Social e Família. Nos próximos dias, realizaremos audiência pública para recolher sugestões de especialistas de todo o país, para aperfeiçoá-la. Trata-se, de fato, de matéria a ser analisada em profundidade e urgência.
Walter Feldman
Deputado federal
Brasília, DF

 

Diogo Mainardi

Ao ter a ousadia e a coragem de atacar o cerne da suposta intelligentsia brazuca, vinculando-a à ditadura getulista e seus rapapés, Mainardi deu uma verdadeira e definitiva aula de história ("A invenção do brasileiro", 17 de novembro).
Douglas M. Lutkus
São Paulo, SP

O Brasil é pífio, não tem vida intelectual digna de presença no cenário internacional, toda a nossa cultura ainda exala o ranço do bom-selvagem, mas VEJA sempre nos brinda com a grata exceção que é Diogo Mainardi, sempre a ver a nudez do rei.
Fabiana Freitas Gomes
São Paulo, SP

 

Junior Lima

Junior mostrou ser um cara maduro e musicalmente independente ("Auto-retrato", 17 de novembro). Está longe de ser a sombra da Sandy. Quem já assistiu a um show da dupla sabe do seu talento e do seu potencial. Se continuar assim, Junior irá mais longe ainda! Parabéns!
Ana Letícia Corrêa Lopes
Belo Horizonte, MG

 

André Petry

Os remédios étnicos que tanto assombram André Petry em seu artigo "Remédio étnico é bom?" (17 de novembro) são a natural conseqüência do fato de que realmente existem doenças que podem ser chamadas "étnicas". A comunidade médica as conhece há muito tempo. No âmbito das doenças vasculares, por exemplo, todos conhecem a doença de Takayassu, mais comum nos povos orientais. Sabemos da predileção das varizes dos membros inferiores pelos brancos. Das doenças das artérias pequenas pelos negros. Da localização da doença obstrutiva carotídea nos caucasianos. Das muitas variedades de angeítes nos indianos. Há estudos especificamente relacionados com as diferenças quanto às doenças arterioscleróticas entre índios, hispânicos e brancos americanos. O fato é que as doenças étnicas existem. E negá-las é grave, pois acaba privando determinados grupos étnicos de tratamento adequado para suas doenças, por não terem sido feitas pesquisas adequadas acerca delas.
Professor-doutor Bonno van Bellen
Chefe do serviço de cirurgia vascular e angiologia
da Beneficência Portuguesa de São Paulo
Livre-docente em moléstias vasculares periféricas pela Unicamp
São Paulo, SP

 

CORREÇÃO: A foto que ilustra a página 112 da reportagem "Uma luz na fumaceira" (17 de novembro) é da Antártica, e não do Círculo Polar Ártico.

 

 

EDISON OU EINSTEIN?


O leitor Paulo Marcondes Rocha, de São Paulo, comentou a respeito do quadro "As chaves do sucesso" ("Os melhores brasileiros", 3 de novembro): "A reportagem diz que a mais famosa equação de Einstein teria sido 'sucesso = 10% de talento + 90% de suor'. A frase foi dita por Thomas Alva Edison, prolífico inventor americano, explicando seu sucesso". A frase de Edison na verdade é "Gênio é 1% inspiração e 99% transpiração" e mereceu de seu rival, o cientista croata-americano Nikolai Tesla, uma blague: "Se o senhor Edison tivesse trabalhado de forma mais inteligente, não teria de suar tanto". Quanto a Einstein, ele dizia que a física teórica moderna era 10% inspiração e 90% transpiração. Daí o enunciado "sucesso = 10% de talento + 90% de suor".

 

EM CONTATO COM O "DOUTOR DA ALEGRIA"


Dezenas de leitores escreveram para a redação de VEJA solicitando contatos com o cirurgião plástico brasileiro Robert Rey (Amarelas, 10 de novembro). Informações sobre o médico, que fez medicina em Harvard, atende estrelas de Hollywood e é dono de uma clínica no bairro de Beverly Hills, podem ser obtidas em seu site: www.drrobertrey.com. O endereço de sua clínica é: 435 North Bedford Drive, Suite 300, Beverly Hills, Califórnia, EUA, 90210.

 
 
 
 
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