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Edição 2031

24 de outubro de 2007
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DVD

As Férias de Mr. Bean (Mr. Bean's Holiday, Estados Unidos/Inglaterra/ França, 2007. Universal) – Personagem mais célebre do comediante inglês Rowan Atkinson, o atrapalhado, não muito inteligente e por vezes mesquinho Mr. Bean atravessou fronteiras graças à precisão de seu humor e também por não sofrer com traduções: Bean quase não fala, e utiliza a pantomima para se expressar. Aproveitando essa característica, As Férias de Mr. Bean homenageia os filmes do mestre francês Jacques Tati (em especial As Férias do Sr. Hulot, do qual tira seu título) com um enredo que serve de "varal" para esquetes diversos – Bean como ama-seca de um menino perdido dos pais, Bean pedindo carona, Bean cantando ópera na praça e assim por diante. Ingênuo, simples e, em alguns momentos, magistral. Veja cenas.

 

LIVROS

 
Charles Arbogast/AP
Clapton: sempre discreto, ele abre o jogo em sua autobiografia

Eric Clapton: a Autobiografia (tradução de Lúcia Brito; Planeta; 400 páginas; 44,90 reais) – O inglês Eric Clapton é famoso pela destreza na guitarra – nos anos 60 foi apelidado de "Deus" – e pela discrição. Mas, em sua autobiografia, ele inverte os sinais. Discorre pouco sobre música e centra o foco em suas relações com mulheres e drogas. O fã mais ardoroso do guitarrista poderá se decepcionar, principalmente porque Clapton admite que muitos dos discos que lançou na década de 70 eram ruins. Mas trata-se de uma oportunidade rara de ver um artista se desnudar e descobrir que até divindades cometem erros. Os trechos em que fala do relacionamento com Patti Boyd – que "roubou" do amigo George Harrison – e da morte do filho Conor, que caiu do alto de um edifício em Manhattan, são de uma sinceridade assustadora. Leia trecho.

Deus Não É Grande, de Christopher Hitchens (tradução de Alexandre Martins; Ediouro; 286 páginas; 44,90 reais) – O jornalista inglês Christopher Hitchens é mestre em um gênero tido como menor: o panfleto. Já escreveu livros de ataque a Henry Kissinger, Bill Clinton e Madre Teresa de Calcutá. Nessa nova investida – best-seller nos Estados Unidos –, ele escolheu um inimigo ainda maior: a religião, que caracteriza como uma força obscurantista, contrária à racionalidade e à democracia. Hitchens às vezes se enreda em polêmicas bisonhas. Perde tempo, por exemplo, contestando a idéia tradicional (e já bem estabelecida como mera lenda, mesmo entre os fiéis) de que Moisés foi o autor do Pentateuco. Mas seu estilo irônico e vitriólico é sempre um prazer, mesmo para o leitor que discorde dele. Leia trecho.

Oficiais e Gentlemen, de Evelyn Waugh (tradução de Antonio Sepulveda; Nova Fronteira; 302 páginas; 39,90 reais) – Segunda parte da trilogia A Espada da Honra (Rendição Incondicional, a terceira parte, deve ser lançada até o fim do mês), esse romance resulta da experiência de Waugh na II Guerra – o escritor inglês participou de comandos na Iugoslávia e em Creta. Em Homens em Armas, primeiro livro da série, o protagonista Guy Crouchback encontrava dificuldade para se alistar como combatente: sua idade, 35 anos, era tida como avançada para a linha de frente. Em Oficiais e Gentlemen, ele participa de missões na Grécia e em Creta – fiascos militares, nos quais os ingleses são batidos pelos alemães. Um dos maiores satiristas da literatura inglesa moderna, Waugh tem uma percepção aguda do lado ridículo da guerra, mas nem por isso diminui o heroísmo dos combatentes. Leia trecho.

 

DISCOS

 
John Shearer/Getty Images
Joni: depois de dez anos, canções inéditas

Shine, Joni Mitchell (Universal) – O disco marca o retorno da cantora e compositora canadense após dez anos sem mostrar músicas inéditas e cinco sem gravar. Joni anunciou sua aposentadoria em 2002, alegando que a indústria musical só queria saber de "rappers e golfe". Mas no ano passado foi convidada a colaborar com o balé da cidade de Alberta, no Canadá, e recuperou o gosto pela composição. O resultado é Shine, disco em que Joni toca quase todos os instrumentos – a bateria eletrônica é de uma cafonice encantadora – e desfila crônicas do cotidiano com sua voz enfumaçada. (Joni é uma fumante inveterada, vício que lhe tirou o registro cristalino do início da carreira, mas nunca prejudicou sua capacidade de emocionar platéias.) As melhores faixas do disco são o protesto antibélico If I Had a Heart e If, adaptação de um poema de Rudyard Kipling.

 
Divulgação
Murphy: a disco é tão "ontem"...

Sound of Silver, LCD Soundsystem (EMI) – O DJ e instrumentista James Murphy é uma das personalidades mais inquietas do cenário eletrônico. Dois anos atrás, ele criou o hit Daft Punk Is Playing at My House, canção que trazia um clima da disco music. Já Sound of Silver, novo disco de Murphy e seu projeto, o LCD Soundsystem, é um trabalho introspectivo. As canções têm batidas lentas e algumas remetem ao krautrock ("rock-repolho", termo pelo qual é conhecido o rock experimental alemão). Se por um lado Murphy perdeu a chance de encher novamente as pistas de dança, por outro ele se mostra um compositor criativo e versátil em baladas como Someone Great, que fala sobre o fim de um relacionamento, e New York, I Love You But You're Bringing Me Down, uma crítica engraçada à cidade americana.

 

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.

 



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