As Férias de
Mr. Bean (Mr.
Bean's Holiday, Estados Unidos/Inglaterra/
França, 2007. Universal) Personagem mais célebre do comediante
inglês Rowan Atkinson, o atrapalhado, não muito inteligente e por
vezes mesquinho Mr. Bean atravessou fronteiras graças à precisão
de seu humor e também por não sofrer com traduções:
Bean quase não fala, e utiliza a pantomima para se expressar. Aproveitando
essa característica, As Férias de Mr. Bean homenageia os
filmes do mestre francês Jacques Tati (em especial As Férias do
Sr. Hulot, do qual tira seu título) com um enredo que serve de "varal"
para esquetes diversos Bean como ama-seca de um menino perdido dos pais,
Bean pedindo carona, Bean cantando ópera na praça e assim por diante.
Ingênuo, simples e, em alguns momentos, magistral. Veja
cenas.
LIVROS
Charles Arbogast/AP
Clapton: sempre
discreto, ele abre o jogo em sua autobiografia
Eric
Clapton: a Autobiografia
(tradução de Lúcia Brito; Planeta; 400 páginas; 44,90
reais) O inglês Eric Clapton é famoso pela destreza na guitarra
nos anos 60 foi apelidado de "Deus" e pela discrição.
Mas, em sua autobiografia, ele inverte os sinais. Discorre pouco sobre música
e centra o foco em suas relações com mulheres e drogas. O fã
mais ardoroso do guitarrista poderá se decepcionar, principalmente porque
Clapton admite que muitos dos discos que lançou na década de 70
eram ruins. Mas trata-se de uma oportunidade rara de ver um artista se desnudar
e descobrir que até divindades cometem erros. Os trechos em que fala do
relacionamento com Patti Boyd que "roubou" do amigo George Harrison
e da morte do filho Conor, que caiu do alto de um edifício em Manhattan,
são de uma sinceridade assustadora. Leia
trecho.
Deus
Não É Grande, de Christopher Hitchens (tradução
de Alexandre Martins; Ediouro; 286 páginas; 44,90 reais) O jornalista
inglês Christopher Hitchens é mestre em um gênero tido como
menor: o panfleto. Já escreveu livros de ataque a Henry Kissinger, Bill
Clinton e Madre Teresa de Calcutá. Nessa nova investida best-seller
nos Estados Unidos , ele escolheu um inimigo ainda maior: a religião,
que caracteriza como uma força obscurantista, contrária à
racionalidade e à democracia. Hitchens às vezes se enreda em polêmicas
bisonhas. Perde tempo, por exemplo, contestando a idéia tradicional (e
já bem estabelecida como mera lenda, mesmo entre os fiéis) de que
Moisés foi o autor do Pentateuco. Mas seu estilo irônico e vitriólico
é sempre um prazer, mesmo para o leitor que discorde dele. Leia
trecho.
Oficiais
e Gentlemen, de Evelyn Waugh (tradução de Antonio Sepulveda;
Nova Fronteira; 302 páginas; 39,90 reais) Segunda parte da trilogia
A Espada da Honra (Rendição Incondicional, a terceira parte,
deve ser lançada até o fim do mês), esse romance resulta da
experiência de Waugh na II Guerra o escritor inglês participou
de comandos na Iugoslávia e em Creta. Em Homens em Armas, primeiro
livro da série, o protagonista Guy Crouchback encontrava dificuldade para
se alistar como combatente: sua idade, 35 anos, era tida como avançada
para a linha de frente. Em Oficiais e Gentlemen, ele participa de missões
na Grécia e em Creta fiascos militares, nos quais os ingleses são
batidos pelos alemães. Um dos maiores satiristas da literatura inglesa
moderna, Waugh tem uma percepção aguda do lado ridículo da
guerra, mas nem por isso diminui o heroísmo dos combatentes. Leia
trecho.
DISCOS
John Shearer/Getty Images
Joni: depois
de dez anos, canções inéditas
Shine,Joni
Mitchell (Universal) O disco marca o retorno da cantora e compositora canadense
após dez anos sem mostrar músicas inéditas e cinco sem gravar.
Joni anunciou sua aposentadoria em 2002, alegando que a indústria musical
só queria saber de "rappers e golfe". Mas no ano passado foi convidada
a colaborar com o balé da cidade de Alberta, no Canadá, e recuperou
o gosto pela composição. O resultado é Shine, disco
em que Joni toca quase todos os instrumentos a bateria eletrônica
é de uma cafonice encantadora e desfila crônicas do cotidiano
com sua voz enfumaçada. (Joni é uma fumante inveterada, vício
que lhe tirou o registro cristalino do início da carreira, mas nunca prejudicou
sua capacidade de emocionar platéias.) As melhores faixas do disco são
o protesto antibélico If I Had a Heart e If, adaptação
de um poema de Rudyard Kipling.
Divulgação
Murphy: a disco
é tão "ontem"...
Sound
of Silver, LCD Soundsystem (EMI) O DJ e instrumentista James Murphy
é uma das personalidades mais inquietas do cenário eletrônico.
Dois anos atrás, ele criou o hit Daft Punk Is Playing at My House,
canção que trazia um clima da disco music. Já Sound of
Silver, novo disco de Murphy e seu projeto, o LCD Soundsystem, é um
trabalho introspectivo. As canções têm batidas lentas e algumas
remetem ao krautrock ("rock-repolho", termo pelo qual é conhecido
o rock experimental alemão). Se por um lado Murphy perdeu a chance de encher
novamente as pistas de dança, por outro ele se mostra um compositor criativo
e versátil em baladas como Someone Great, que fala sobre o fim de
um relacionamento, e New York, I Love You But You're Bringing Me Down,
uma crítica engraçada à cidade americana.