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24 de outubro de 2007
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Internacional
Um país de pesadelo

Matança no retorno de Benazir Bhutto coloca
o Paquistão perto de ser o novo Afeganistão


Denise Dweck

 
Aamir Quereshi/AFP
Feridos esperam por socorro em meio aos mortos do atentado em Karachi: as duas explosões mataram mais de 130 pessoas

A matança foi previsível. Na madrugada de sexta-feira passada, duas explosões – a primeira aparentemente causada por uma granada e a segunda por um atentado suicida – mataram pelo menos 130 pessoas e deixaram perto de 500 feridos em Karachi, no Paquistão. As vítimas participavam da passeata de 200.000 pessoas que acompanhavam Benazir Bhutto de volta ao país depois de oito anos de exílio voluntário. Líder do maior partido do país, Benazir foi primeira-ministra duas vezes. Em ambas as ocasiões deixou o poder devido a acusações de corrupção. O atentado, que ninguém duvida ter sido cometido pelo Talibã, pode ser a gota d'água num país desesperadamente sem saída. Recém-reeleito presidente, Pervez Musharraf controla o Exército, mas falta-lhe qualquer outro tipo de sustentação exceto, talvez, o apoio relutante dos Estados Unidos. Para desespero de Washington, é grande o risco de o Paquistão se dissolver numa anarquia no estilo afegão.

 
Daniel Berehulak/Getty Images
Benazir na festa de seu retorno, pouco antes dos atentados: na mira dos fanáticos

A volta de Benazir faz parte de um acordo para ampliar a base política de Musharraf. Durante seu governo, ela já tinha entrado em choque com o fanatismo muçulmano por defender o direito das mulheres. Desta vez voltou a entrar no foco islâmico pelas promessas feitas publicamente de combater os fundamentalistas que transformaram as escolas religiosas em centros de treinamento para terroristas. São eles que fazem do Paquistão o aliado mais problemático – e improvável – dos Estados Unidos na guerra ao terror. Muitos dos jovens por trás dos atentados na Europa, nos últimos anos, formaram-se nas madraçais do Paquistão. Na região de fronteira com o Afeganistão, onde os soldados do governo mal conseguem entrar, chefes tribais dão abrigo a integrantes da Al Qaeda e a guerrilheiros talibãs, que lutam contra as forças da Otan no país vizinho. Junte-se a isso o fato de que o Paquistão já construiu sua bomba atômica e tem-se uma idéia do pesadelo geopolítico que é o país. Benazir retornou do segundo exílio (o primeiro terminou em 1986, quando voltou para desafiar o ditador que ordenou a execução de seu pai, o ex-premiê Zulfikar Ali Bhutto) porque ela quer concorrer nas eleições parlamentares de janeiro para tentar novamente ser primeira-ministra.


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