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24 de outubro de 2007
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Brasil
O morto-vivo

Renan Calheiros articula para tentar evitar
a cassação, mas o cerco cresce ainda mais


Otávio Cabral

Beto Barata/AE
Licenciado da presidência do Senado, Renan submerge para tentar manter o mandato

O Senado funcionou na semana passada com uma eficiência que não se via desde o início da crise envolvendo o presidente licenciado, Renan Calheiros. Com seu afastamento, a pauta foi destrancada e projetos cruciais, como a ampliação da licença-maternidade e a criação de regras para a fidelidade partidária, foram aprovados. Até a discussão da polêmica recriação da CPMF, que gera um legítimo embate entre governo e oposição, produziu resultados. Identificado como o responsável pela paralisação do Congresso, Renan Calheiros desapareceu. Ele sumiu do Senado, não deu entrevistas, não saiu de casa. Na quarta-feira, chegou a agendar um almoço com a bancada do PMDB, mas foi aconselhado a evitar aparições públicas. Renan, agora, finge-se de morto para tentar sobreviver. Sitiado por cinco processos de quebra do decoro parlamentar, o senador sabe que não tem mais condições de voltar a presidir o Congresso, cargo interinamente ocupado pelo vice Tião Viana. Sua estratégia é submergir o tempo necessário para tentar salvar o mandato, uma tarefa improvável.

Na segunda-feira passada, a Mesa Diretora do Senado autorizou a abertura no Conselho de Ética de um novo processo para apurar a tentativa de espionagem de um assessor de Renan contra dois senadores da oposição. Na quinta-feira, o PSOL entrou com outra representação contra o peemedebista, baseada em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelando que Renan apresentou uma emenda orçamentária para uma empresa-fantasma, de propriedade de um ex-assessor, para supostamente realizar obras em Murici, cidade administrada por seu filho, Renanzinho. Além disso, os senadores marcaram a data para o encerramento de dois outros processos em que o senador é acusado de irregularidades – usar laranjas para comprar emissoras de rádio e ter feito lobby em favor de uma cervejaria. Com o cerco crescendo, Renan usa suas últimas fichas.

André Dusek/AE
O interino Tião Viana: votações retomadas e clima de normalidade

O senador ainda sonha em fechar um acordo com o governo. Sua proposta: renunciaria à presidência em definitivo, sua tropa ajudaria a aprovar a CPMF e os petistas votariam contra a cassação. O plano de sobrevivência, porém, não tem muito futuro. O PT não confia em Renan e Renan não confia no PT. Cada um sabe do que o outro é capaz. Além disso, a tropa de defensores do senador está cada dia mais debilitada, o que dificulta a perspectiva de qualquer acerto. Sem esperanças de conseguir um salvo-conduto, Renan encomendou a seus assessores um estudo jurídico sobre eventuais brechas no regimento que permitissem a ele renunciar ao mandato sem perder os direitos políticos. Os advogados não encontraram nenhuma.


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