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André
Petry
Crônica da demagogia
"Falando
da CPMF, ele disse: 'Chega de
mais impostos, chega dessa estrutura
tributária deformada e burocrática'. Era
Aloizio Mercadante, em março de 1999"
Na democracia brasileira,
Lula foi o mais insistente oposicionista. Foi oposição
a tudo e a todos, recusou-se a se aliar a qualquer governo
de 1985 em diante, até que chegou a sua hora de morar
no Palácio da Alvorada. E, no entanto, apesar de sua
longa experiência na planície, Lula é
seguramente o político que mais ajudou a desmoralizar
o papel de oposicionista na democracia brasileira.
Lula já
disse que na oposição só fazia "bravatas"
e, mais recentemente, informou que, entre as bravatas, se
incluíam os princípios. A frase devia ser gravada
em mármore: "Principismo você faz no partido
quando pensa que não vai ganhar as eleições
nunca". Um show de desmoralização.
Agora, durante
a viagem à África, Lula manteve a campanha para
aprovar a CPMF e saiu-se com a seguinte declaração
à oposição demo-tucana: "Acho importante
que todo mundo releia discursos de quatro ou oito anos atrás
e mantenha a posição". Lula, claro, queria lembrar
o que diziam ex-pefelistas e tucanos nas votações
da CPMF durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
De fato, os discursos
daquela época são muito divertidos. Tem tucano
dizendo que "quem quer doente com saúde devolvida que
vote a favor da CPMF" (by Arthur Virgílio), tucano
discorrendo sobre "as inegáveis vantagens da CPMF"
(by Alberto Goldman) e tucano afirmando que "a CPMF representa
o modelo que mais se aproxima da forma de cobrar impostos
no futuro" (by Antonio Carlos Pannunzio).
Mas Lula, querendo
denunciar uma contradição dos adversários,
não devia dizer que acha importante "todo mundo" reler
discursos antigos sobre a CPMF. Eis por quê:
Em julho
de 1996, Paulo Paim, do PT gaúcho, subiu à tribuna
da Câmara dos Deputados quando se discutia a criação
da CPMF e disse:
Que imposto
daninho esse!
Uma semana depois,
com a CPMF já aprovada, Paim voltou ao assunto:
Listei 22
motivos pelos quais o Partido dos Trabalhadores votou contra.
(Já se sabe
para que servem as listas dos petistas....)
Em maio de
1998, quando se debatia a prorrogação da CPMF,
o deputado Arlindo Chinaglia, do PT paulista, fez um discurso
em que disse o seguinte:
Queremos
alertar para o fato de que o Partido dos Trabalhadores votou
contra a CPMF e não temos nenhum motivo para alterar
sua opinião.
(Petista não
muda de opinião. Muda de conveniência.)
Em março
de 1999, debatia-se o aumento da alíquota da CPMF de
0,20% para 0,38%. O deputado e hoje senador Aloizio Mercadante,
do PT paulista, fez um desabafo na tribuna:
Chega de
mais impostos, chega dessa estrutura tributária deformada
e burocrática!
Dias depois, José
Genoíno anunciou o voto do PT na discussão com
um discurso aplaudido ao final. Disse:
A oposição
coloca-se contrária à CPMF por razões
globais, pela visão de um outro modelo econômico,
diverso desse que o presidente Fernando Henrique Cardoso adota.
(Essa, pela grandeza
da bravata, fica sem comentários.)
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