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Ciência Descoberta na Amazônia
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Um estudo publicado na semana passada alterou uma parte do que se sabia sobre a história das formigas. O trabalho relata a descoberta de uma formiga de coloração clara e apenas 3 milímetros de comprimento que vive no subsolo da Amazônia brasileira. Segundo os cálculos dos cientistas, a Martialis heureka (o nome de batismo brinca com a aparência incomum do inseto, sugerindo que ele teria vindo de Marte) pertence a uma linhagem que já existia pelo menos 100 milhões de anos atrás, o que tornaria suas tataravós contemporâneas dos dinossauros. Como vive no subsolo, ela foi preservada das mudanças drásticas no clima e da competição com outras formigas. Possivelmente, ao longo destes milhões de anos de existência, a Martialis passou por mudanças evolutivas. De acordo com os autores da pesquisa, características como a ausência de olhos, a cor clara e mandíbulas longas são indícios de alterações devidas à vida subterrânea e aos hábitos predatórios. A descoberta ajuda a entender períodos até hoje obscuros no surgimento e na evolução das formigas. "Acreditava-se que as formigas basais, ou seja, pertencentes às linhagens mais antigas, deveriam ser semelhantes às vespas, já que partiram de um ancestral comum", disse a VEJA o biólogo alemão Christian Rabeling, da Universidade do Texas, autor do estudo. As formigas surgiram no período cretáceo, que durou de 144 milhões de anos a 65 milhões de anos atrás, e estão entre os animais que mais se disseminaram e se adaptaram às diferentes regiões do planeta. Existem nada menos de 12 461 espécies de formiga já catalogadas, e o número não pára de crescer. No século XVIII, quando o naturalista sueco Carlos Lineu publicou o clássico Systema Naturae, em que pela primeira vez se classificaram os seres vivos de forma sistemática, ele registrou apenas dezesseis espécies de formiga. Não surpreende que a Martialis heureka tenha sido descoberta na Amazônia, onde há a maior biodiversidade do mundo. Estima-se que um quinto de todas as espécies de plantas e animais habite a região. "Cheguei a encontrar 72 espécies de formiga numa única copa de árvore da Amazônia", disse a VEJA o entomologista Terry Erwin, do Museu Nacional de História Natural, dos Estados Unidos. O interesse dos pesquisadores pelo universo das formigas está relacionado à onipresença do inseto no planeta. Poucos anos atrás, pesquisadores encontraram um formigueiro que se espalhava por quatro países europeus. O curioso é que essas formigas eram originárias da Argentina e proliferaram de maneira desenfreada porque, fora do habitat, não encontraram predadores. A descoberta da Martialis heureka fornece mais um capítulo na história dessas criaturas que, um dia, foram pisoteadas pelos dinossauros.
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![]() Foto iStock Photo/RF |
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