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Edição 2079

24 de setembro de 2008
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George na cova dos leões

Bush endossou o cheque apresentado pelo Comitê para a
Salvação do Mundo – e fez exatamente o que a expressão designa


Vilma Gryzinski

Manuel Balce Ceneta/AP

A semana do presidente foi normal: ele recebeu um dignitário africano, visitou flagelados do último furacão, salvou o mundo ocidental. É claro que a semana passada foi tudo menos normal para George W. Bush. E é claro que não foi ele quem tomou as decisões que aproximavam a galáxia financeira, alternadamente, do caos e da salvação, a cada vez que uma supernova explodia no universo de Wall Street. Mas foi Bush quem em última instância assinou o cheque metafórico apresentado pelo trio de gestão da crise – o secretário do Tesouro, Henry Paulson, e os presidentes dos dois Feds, o central e o de Nova York, Ben Bernanke e Timothy Geithner, cuja atuação ressuscitou uma expressão da era Clinton, o Comitê para a Salvação do Mundo. O único momento de descontração de Bush foi na segunda-feira, quando recebeu o presidente de Gana, John Kufuor, um dos destinatários da substancial ajuda americana a líderes africanos que preencham alguns requisitos (por exemplo, não praticar crimes hediondos contra o próprio povo). Kufuor mereceu a honraria de um jantar de gala na Casa Branca – coisa rara, foram apenas seis em quase oito anos de mandato de um presidente que gosta de dormir cedo – e uma seleção de cenas do musical O Rei Leão. Àquela altura, as feras já estavam à solta e quase devoraram o mundo. O falecido presidente Ronald Reagan fazia uma blague que levava ao delírio as platéias republicanas. "As nove palavras mais aterrorizadoras da nossa língua são as seguintes: ‘Eu sou do governo e estou aqui para ajudar’", dizia, desfrutando a simplicidade quase idílica de um mundo pré-derivativos. O antipático, impopular, detestado e, pela expressão exibida na semana passada, assustado Bush ajudou. Por enquanto.

 



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