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Edição 2079

24 de setembro de 2008
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Carta ao Leitor
O fascínio de Machado de Assis

Paulo Vitale
Literatura viva Na reportagem de Jerônimo Teixeira sobre o maior escritor brasileiro, o que "traduzia a si mesmo"

VEJA publica nesta edição uma reportagem especial de doze páginas a propósito do centenário da morte do maior escritor brasileiro, Joaquim Maria Machado de Assis. A tarefa de trazer esse gênio da virada do século XIX para o XX de volta à vida nas páginas da revista foi entregue a Jerônimo Teixeira, da editoria de Artes e Espetáculos. Mestre em letras pela PUC do Rio Grande do Sul e autor de duas obras de ficção, As Horas Podres e Antes do Circo, Jerônimo escreve muito bem como ficcionista e como jornalista, o que se poderá conferir na reportagem que começa na página 160. Ele consegue, assim, escapar da distinção feita pelo irlandês James Joyce, autor de Ulisses, segundo quem jornalistas escrevem coisas banais sobre fatos extraordinários, enquanto escritores escrevem coisas extraordinárias sobre fatos banais.

A reportagem mostra Machado de Assis como um escritor atual, de uma vitalidade artística única no panorama brasileiro e mundial. Mostra também por que ele é ainda hoje uma fonte de polêmicas, que divide a opinião de críticos e estudiosos, além de ser uma leitura fundamental para quem quer entender o Brasil. Os 100 anos de sua morte são apenas um pretexto para chamar atenção sobre uma obra que, se ainda não teve a leitura internacional merecida, já conquistou intelectuais tão diversos como Susan Sontag, Harold Bloom, Philip Roth e Woody Allen.

Em Nova York, o correspondente de VEJA, André Petry, indagou Gregory Rabassa, um dos maiores tradutores de Machado de Assis, sobre a dificuldade de verter o mestre brasileiro para o inglês. Ouviu uma resposta inesquecível: "Muito fácil. Tenho a impressão de que alguns escritores traduzem a si mesmos ao dizer coisas que só podem ser ditas de um único modo. Machado é assim".

Esperamos que a reportagem de Jerônimo Teixeira seja para as gerações atuais uma porta de entrada para a literatura viva, provocadora, às vezes francamente incômoda mas sempre prazerosa de Machado de Assis.



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