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TELEVISÃO
Centenário
William Wyler (segunda a sábado, às 22h, no Telecine
Classic) Um dos grandes cineastas da história de Hollywood,
Wyler foi o responsável por clássicos como Os Melhores
Anos de Nossas Vidas e Ben-Hur. O diferencial deste ciclo é
que ele traz títulos menos óbvios do diretor a exceção
é o sucesso O Morro dos Ventos Uivantes (quinta). Alguns
deles nem mesmo estão disponíveis em vídeo, como
é o caso do excelente O Conselheiro (segunda), drama de
tribunal dos anos 30 que virou referência no gênero. Filmado
no mesmo período, A Boa Fada (terça) é uma
delicada comédia romântica estrelada por Margaret Sullavan,
então mulher do cineasta. O festival inclui ainda uma atuação
antológica de Bette Davis: o drama Pérfida (sexta),
cuja cena mais famosa é aquela em que a cruel protagonista assiste
impassível à morte do marido.
DISCO
Veni,
Vidi, Vicious, The Hives (Trama) Para quem costuma associar
a Suécia às baladas açucaradas do Abba, esse quinteto
será uma surpresa e tanto. Apesar do terninho à la anos
60 e da pose de meninos bem-comportados, os integrantes do Hives fazem
um som ruidoso da melhor cepa. Eles são herdeiros diretos da tradição
punk e do rock de garagem as influências nítidas são
bandas como os Stooges e os Ramones. Isso fica evidente nas faixas Hate
To Say I Told You So e Main
Offender, que são as melhores do disco. Do começo
ao fim, a fórmula dos Hives é a mesma: petardos com não
mais que três minutos de duração, movidos por guitarras
potentes e pelo vocal rasgado do cantor Howlin' Pelle Almqvist. É
energia pura e infalível numa boa festa roqueira.

Veja também |
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LIVROS
Esquetes
de Nova Orleans, de William Faulkner (tradução de
Leonardo Fróes; José Olympio; 240 páginas; 27 reais)
Esse volume é uma espécie de retrato do artista quando
jovem. O americano Faulkner, principal autor sulista, ao lado de Mark
Twain, a figura no panteão da literatura de seu país, o
escreveu quando tinha 27 anos e se iniciava na ficção. O
livro contém dezesseis textos publicados num jornal de Nova Orleans
em 1925, e anuncia de forma admirável as fixações
temáticas e estilísticas do Faulkner da maturidade
dos dramas intensos à prosa repleta de imagens simbólicas.Pena
que o tradutor tenha tomado a decisão, muito questionável,
de adotar termos extemporâneos, como "pô", "xongas", "meu
chapa" e "qualé". Leia
trecho do livro.
Quando
Éramos Adultos, de Anne Tyler (tradução de
Ana Puccini Lara; Arx; 356 páginas; 38 reais) Poucos autores
americanos em atividade conseguem tratar dos dilemas da classe média
de seu país com a agudeza de Anne Tyler. A escritora fez disso
a razão de ser de sua obra que inclui, dentre quinze títulos,
o best-seller O Turista Acidental, transformado em sucesso no cinema.
Quando Éramos Adultos não foge à regra. No
centro do romance está Rebecca, mulher de meia-idade que descobre,
quando já é avó, que se tornou uma pessoa que nunca
quis ser. Na juventude, ela se casou com um homem divorciado e pai de
três filhos. Depois que o marido morreu, Rebecca ficou na posição
de matriarca da família um clã um tanto desajustado.
Com humor e sarcasmo, a escritora mostra o esforço tardio da protagonista
para recuperar o tempo perdido. Leia
trechos do livro.
DVDs
O
Porteiro da Noite (The Night Porter, Itália/Estados
Unidos, 1974. New Line) Um daqueles clássicos do escândalo,
o filme da italiana Liliana Cavani trata do romance sinistro entre um
carrasco nazista e a jovem judia que ele torturou num campo de concentração.
Doze anos após a II Guerra, seus caminhos voltam a se cruzar
ela como a mulher de um maestro americano e ele como o porteiro do hotel
em que o casal se hospeda em Viena. O choque do reencontro aumenta quando
se percebe que os protagonistas ainda guardam uma irresistível
atração. Embora tenha ficado algo datado, o filme se destaca
pelas excelentes atuações de Dirk Bogarde e Charlotte Rampling
e por ser um desses títulos obrigatórios da cultura cinematográfica.
O disco conserva intacta a beleza do original e traz, nos poucos extras,
biografias de Liliana e dos atores centrais.
Zoolander
(Estados Unidos, 2001. Paramount) Essa comédia dirigida
por Ben Stiller, o astro de Entrando numa Fria, passou quase despercebida
nos cinemas, mas merecia destino melhor. Stiller interpreta o top model
Derek Zoolander, que subitamente vê seu principado ameaçado
pelo rival Hansel (o ótimo Owen Wilson). Com o ego ferido
e o QI baixíssimo , Zoolander passa por uma lavagem cerebral
e vira marionete de um estilista maligno, que planeja assassinar um premiê
asiático. O humor do filme não é de apelo universal,
mas, desde que se entre no seu espírito de nonsense e deboche total,
ele é irresistível por exemplo, na cena antológica
em que os dois concorrentes se desafiam na passarela, tendo David Bowie
como árbitro. Entre os extras, não perca a série
de chamadas publicitárias do filme, em que o protagonista dá
exemplos de sua ignorância absurda.
| LITERATURA
BRASILEIRA |
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A
Cabeça;
Luiz
Vilela;
Cosac & Naify;
132 páginas;
18 reais
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Eis
aqui mais um texto que discute o papel do diálogo na ficção
de Luiz Vilela. A idéia deve causar bocejos nesse escritor
mineiro de 60 anos. O assunto é abordado há muito
tempo talvez desde sua estréia, com o livro Temor
de Terra (1967). Mas não há como fugir dele, sobretudo
ao se levar em conta que os dez contos deste novo lançamento,
A Cabeça, são construídos quase
que exclusivamente por meio de conversações.
A
arte do diálogo não é simples. Ela requer um
ouvido treinado para registrar o ritmo natural da fala. Uma palavra
errada e a frase cai no ridículo. De outro lado, há
o risco da banalidade. O cotidiano é povoado de clichês,
que se transformam em palavra morta na página impressa. É
preciso inteligência para impedir que isso aconteça.
Num texto composto inteiramente de diálogos, finalmente,
a informação vem comprimida ao máximo. Tudo
emana daquilo que os personagens dizem ou calam. Não à
toa, o americano Ernest Hemingway considerava o diálogo "o
artifício supremo".
A
forma que a conversa assume na maior parte dos contos de A Cabeça
é a negociação. São embates verbais
em que os personagens tentam não só convencer, mas
também submeter ou cooptar uns aos outros. Essas negociações
podem se dar no campo do sexo, como em Calor, no qual o tio
busca "favores" da sobrinha adolescente, ou no inusitado Suzy,
em que uma criança toma a dianteira no jogo erótico
com um adulto. Outros textos remetem à violência, à
desfaçatez e ao absurdo das relações sociais.
Luxo, por exemplo, é um debate entre o arquiteto e
o construtor, em torno da metragem do banheiro de empregada. Esses
contos proporcionam uma surpresa ao leitor: relembram o poder que
frases perfeitamente triviais têm para seduzir, coagir, enganar.
O diálogo rende bastante na mão de Luiz Vilela.
Carlos
Graieb
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