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Este médico
matou 215
Durante
23 anos ele injetou
overdoses de heroína em pacientes
AP
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| Filhas
de vítimas de Shipman: idosas eram maiores alvos |
O médico
inglês Harold Shipman, condenado à prisão perpétua
pela morte de quinze pacientes em 2000, é um assassino ainda pior
do que se pensava. O relatório final da investigação
de seus crimes, divulgado na semana passada, indica que ele matou 215
pessoas. A polícia suspeita, mas não encontrou provas conclusivas,
que possa ter causado outras 45 mortes. As vítimas foram 171 mulheres
e 44 homens, em sua maioria idosos e solitários. A mais velha foi
uma senhora de 93 anos. A mais jovem, um homem de 41. Cinco dos mortos
viviam na mesma rua. Nove no mesmo conjunto habitacional. Com base em
fichas encontradas em seu consultório em Hyde, subúrbio
de Manchester, no norte da Inglaterra, foi possível identificar
um padrão em dezenas de casos. O método de execução
era sempre uma overdose de heroína. Shipman aplicou a maioria das
injeções letais à tarde, na própria casa dos
pacientes. Depois, falsificava os prontuários, criando sintomas
fictícios que explicassem as mortes, e sugeria a cremação
dos corpos tudo pensado para não deixar vestígios.
O que impressiona, além da monstruosidade do comportamento homicida,
é como tantas e freqüentes mortes passaram despercebidas durante
23 anos.
Como médico,
Shipman, que hoje tem 56 anos, era inexpressivo. De acordo com o relatório
policial, que tem 2.000 páginas, sua
lúgubre carreira como assassino começou quando tinha 29
anos, em 1975. Ele só foi desmascarado em 1998 e, ironicamente,
primeiro por estelionato. A filha de uma de suas pacientes estranhou o
fato de a mãe ter modificado o testamento pouco antes de morrer,
aos 81 anos, deixando o equivalente a 550.000
dólares para o médico. O corpo foi exumado e descobriu-se
que a causa da morte tinha sido uma dose cavalar de heroína. Shipman
ainda inventou que a vítima havia sido viciada em drogas, mas as
provas foram se tornando avassaladoras à medida que mais corpos
eram exumados. Só em 1996, num paciente terminal, o Doutor Morte
usou heroína suficiente para matar 360 pessoas. No total, 888 mortes
foram investigadas. Janet Smith, a juíza encarregada do caso, concluiu
que Shipman era "viciado em matar".
Com tantas
mortes, Shipman supera com folga seu compatriota Jack, o Estripador, tornando-se
o maior assassino em série da Inglaterra e o segundo do mundo no
século XX. O recorde ainda pertence a Pedro Armando Lopez, o Monstro
dos Andes, com 300 mulheres mortas na Colômbia, no Peru e no Equador.
Não adianta perguntar a Shipman o motivo da matança. Ele
se nega a falar no assunto. Exceto no caso do testamento falsificado,
não há indícios de que tenha lucrado com as mortes.
Em um ponto, todos os especialistas estão de acordo: o médico
é um narcisista descontrolado, profundamente arrogante, com uma
auto-estima tão grande quanto sua insanidade. Uma explicação
possível é que sentia prazer em desfrutar o poder de vida
e morte. A mulher e os quatro filhos de Shipman, com idade entre 18 e
33 anos, recusam-se a acreditar nas acusações. Quando ela
o visita na prisão, causam espanto o bom humor e as risadas do
casal.
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