Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 761 - 24 de julho de 2002
Geral Museu
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Geral
 

Solteirões dão festas de arromba
Espionagem ganha mostra permanente em Washington
Boneca Bratz chega para ameaçar o reinado da Barbie
Os novos dinossauros
O Dr. Morte é culpado por 215 homicídios
Os números da concentração de renda no mundo
As novas recomendações para a saúde do coração

Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

A casa do espião

Museu em Washington revive os tempos
românticos da espionagem, atividade que
caiu em desuso com o fim da Guerra Fria

Chris Delboni, de Washington

 
AFP
A entrada do museu em Washington: os visitantes escolhem um disfarce e são espionados


Veja também
Galeria de fotos
Site oficial

A espionagem foi parar no museu. Tão fora de moda quanto as batalhas ideológicas da Guerra Fria, os espiões ganharam na semana passada, em Washington, um museu inteiro dedicado a sua atuação. Numa estranha mas feliz coincidência, o Museu Internacional de Espionagem fica no mesmo quarteirão do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, e da antiga sede clandestina do Partido Comunista. Com o desmantelamento da União Soviética, a espionagem entrou em declínio no mundo. Os países relaxaram seus serviços de bisbilhotagem oficial a ponto de os EUA terem sido pegos de surpresa pelo ataque terrorista de proporções aterradoras em setembro do ano passado. A operação de ataque às torres gêmeas em Nova York exigiu um planejamento tão minucioso e extenso que não teria passado despercebido nos tempos áureos da espionagem. O museu proporciona um passeio delicioso pelo passado aventureiro e romântico dos espiões. O projeto custou 40 milhões de dólares e demorou sete anos para ser montado. O lugar reúne mais de 1.000 peças usadas por espiões em séculos de história da atividade. "A espionagem é tão antiga quanto a história documentada. Talvez seja até mais antiga, pois a Bíblia diz que Moisés mandou espionar Canaã, a terra prometida dos judeus", observa Peter Earnest, diretor executivo do museu.

"Numa democracia, é importante que as pessoas tenham compreensão realista do mundo da inteligência para que apreciem seu papel na sociedade e o impacto nos grandes acontecimentos mundiais", diz Milton Maltz, fundador do museu, no qual investiu 25 milhões do próprio bolso. O retorno financeiro não lhe está tirando o sono. "Se tiver lucro, ótimo. Mas essa não é minha missão. Não sou a Enron", completa. Maltz trabalhou para a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Quando saiu, lançou-se na iniciativa privada e ganhou uma fortuna como presidente do Malrite Communications Group, gigante do setor de comunicações. Ele não sabia o que faria quando se aposentasse, com a conta bancária transbordando de dinheiro. "Não queria passar o tempo passeando com o cachorro na praia e, como sou péssimo jogador de golfe, alimentei o sonho de fazer o museu", explica. Maltz admite que os grandes espiões e seus feitos podem não estar devidamente representados no museu. A razão é simples e encontra-se na base do sucesso da profissão. "Se os espiões são bons, você nunca saberá quem eles são ou o que fizeram", diz Maltz.

Essa é a regra. O capitão Joseph Rochefort talvez tenha sido o mais importante funcionário da inteligência americana de todos os tempos. Trabalhando a bordo de um couraçado no Pacífico durante a II Guerra Mundial, Rochefort decifrou o código secreto usado pela armada japonesa. Num tempo em que não existiam satélites espiões nem radares confiáveis, saber os planos do inimigo era vital. Graças a seu trabalho, os americanos puderam derrotar os japoneses na famosa batalha naval de Midway, que decidiu a sorte da guerra a favor dos aliados no Pacífico. Rochefort amargou um anonimato de quatro décadas. Só em 1985 seus méritos foram publicamente reconhecidos.

A primeira lição para quem entra no museu é um lema da espionagem: "Não confie em ninguém", diz num filme introdutório Joanna Mendez, que pertence ao conselho de diretoria do museu e foi chefe do departamento de disfarces da CIA. A ala dedicada às mulheres espiãs tem o mérito de não sobrevalorizar o trabalho de coleta de informações feito por elas. Não derruba os mitos, mas não os alimenta. Mata Hari foi apenas uma amante de militares de alta patente na I Guerra Mundial. Tudo que a atriz e cantora alemã Marlene Dietrich fez foi emprestar sua voz a canções de contrapropaganda transmitidas pelo rádio para o território alemão. A sensação de visitar o museu se parece com a proporcionada por um jogo de videogame. "Por favor, entre na sala de instruções", diz uma voz computadorizada. "Escolha um disfarce." Ao entrar na sala, há uma série de identidades para o visitante escolher. Uma delas dá aos brasileiros uma idéia da capacidade imaginativa do mundo da espionagem. A pessoa pode optar pela identidade de um certo Antonio Silva. Homem. 58 anos. Carpinteiro, nascido em Piraju, Brasil, que viaja com destino a Lisboa, Portugal.

Os objetos usados pelos espiões são a principal atração do museu. A maior parte da coleção exibida pertence ao acervo do historiador H. Keith Melton, também membro do conselho do museu. Visivelmente orgulhoso de suas parafernálias, Melton disse que entretenimento faz parte do mito da espionagem. "Às vezes, para informar, precisamos primeiro entreter", comenta ele. Para alguns críticos, o lugar mais diverte que informa. Eles apontam o pecado de misturar num mesmo museu exposições dedicadas a personalidades e fatos reais com espiões fictícios, como James Bond, o agente 007. O carro de Bond é a atração de uma de suas alas. Os críticos têm razão. As pessoas vão ao cinema ver os dinossauros criados por Steven Spielberg, mas, quando se dirigem a um museu, esperam que estejam em exibição peças reais. Por mais que o carro de James Bond seja intrigante, quando o visitante é apresentado a uma peça genuína, a sensação é mais forte. Um exemplo é o objeto mais antigo do museu, uma carta escrita pelo general americano George Washington em 1777 em que autoriza a formação de uma rede de espionagem em Nova York.

As surpresas maiores ficam por conta das soluções de espionagem utilizadas pelos soviéticos nos tempos da Guerra Fria. Para montar essa seção, os organizadores do museu contrataram Oleg Kalugin, um ex-agente soviético que foi o mais jovem general da história da KGB, a famosa e temida agência de espionagem dos comunistas russos. Como a espionagem é uma atividade em que o fracasso é bem mais comum que os acertos, o museu dedicou boa parte de sua exposição aos erros. Um deles reproduz em detalhes o fracassado "Túnel de Berlim", a empreitada com que americanos e alemães ocidentais esperavam grampear com mais facilidade o governo da Alemanha Oriental, então sob jugo soviético. Efetivamente construído em 1955, o túnel foi um fracasso. Um agente duplo da inteligência britânica chamado George Blake entregou o segredo aos comunistas alemães, que isolaram a área ao redor do túnel de modo que dos prédios vizinhos só saíram informações inúteis. Para preservar Blake, os orientais nunca denunciaram a invasão subterrânea do território.

 

Espião tem cada uma...

O museu reúne cerca de 1 000 peças que contam histórias de sucessos e fracassos da espionagem mundial

 
Fotos AFP
Cédulas falsas criadas pelos alemães em 1942 com o objetivo de produzir inflação na Inglaterra

O sapato com transmissor no salto foi equipamento-padrão de agentes da CIA

O relógio-máquina fotográfica dos EUA: mal disfarçado

Máquina de criar códigos dos nazistas: seu segredo foi quebrado pelos aliados

Courtesy of the International Spy Museum
O truque do transmissor embutido no falso tronco: com ele os EUA espionaram os russos



   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS