
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
O
poder moderador
Oscar Cabral
 |
| Armínio
Fraga: interesse nacional acima dos partidos |
Se o Brasil conseguir o milagre de eleger e dar posse ao novo presidente
sem que haja ainda mais turbulência na economia, um dos santos já
tem nome. Ele é Armínio Fraga. O presidente do Banco Central
tomou a iniciativa surpreendente e inédita de procurar os candidatos
à Presidência ou seus representantes e conversar com eles sobre
"pontos fundamentais" de uma política econômica estável.
Na semana passada, Fraga reuniu-se com o deputado petista Aloizio Mercadante
e o tucano José Aníbal. Já recebeu um telefonema de
Ciro Gomes e o encontro espera apenas uma folga na agenda de ambos para
se concretizar. Como não podia deixar de ser, a série de conversas
de Armínio Fraga foi vista, por alguns analistas, como um golpe de
mestre político com o objetivo de favorecer o candidato tucano, José
Serra. Outra versão circulou dando conta de que se tratava de uma
imposição do FMI. O Fundo teria exigido, para emprestar mais
dinheiro ao Brasil, a obtenção de um "pacto de transição".
Fraga estaria, segundo terceiros comentaristas, fazendo o jogo contrário,
pois ao receber os oposicionistas admitia tacitamente que um deles poderá
ocupar a Presidência a partir de 1º de janeiro de 2003.
Pode-se atribuir a Armínio Fraga qualquer intenção
oculta que se deseje. É preciso reconhecer, de qualquer forma,
que sua atitude é civilizadora e representa um enorme avanço
num país cujas elites políticas ainda costumam enfrentar
campanhas para presidente na base das ofensas pessoais. "A estabilidade
é do interesse nacional brasileiro e está acima dos partidos",
disse o presidente do Banco Central. Tendo como pano de fundo a iniciativa
de Armínio Fraga, VEJA publica nesta edição um perfil
do presidente do BC, contando sua trajetória, da infância
no Rio de Janeiro, passando pelo alto mundo das finanças em Nova
York, até sua gestão como a autoridade monetária
mais poderosa do Brasil. Carioca, 45 anos, ex-aluno do colégio
jesuíta Santo Inácio, casado, pai de Mariana, 19 anos, e
Sylvio, 16, Armínio Fraga chegou a se matricular numa escola de
medicina para seguir a carreira do pai e do avô. Mas logo deu uma
guinada e decidiu-se pelo curso de economia. O Brasil pode ter perdido
um bom médico, mas ganhou um economista de grande sucesso.
|
|
 |