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O
banqueiro Ezequiel Nasser, do Excel: uma negociação difícil pela frente |
| Foto: Sergio Berezovsky |
Chegam ao Brasil, nesta semana, os negociadores do banco espanhol Bilbao Vizcaya, um dos maiores da Europa, com a missão de examinar com lupa as contas do Excel Econômico, o banco que pretendem comprar por 500 milhões de reais. O negócio já foi fechado, teve anúncio público, mas até agora não foi oficializado. Em transações dessa natureza, a demora é natural, pois os compradores querem tempo para conhecer a nova casa por dentro. A novidade é que os espanhóis estão de cabelo em pé. Como é praxe, o Bilbao Vizcaya contratou uma auditoria independente, a Arthur Andersen, para examinar as contas do Excel Econômico. O relatório dos auditores ainda não foi finalizado, mas os primeiros sinais mostram que o banco visto de dentro não é tão bonito como o banco visto de fora. Pensava-se num resfriado. Mas o caso é de gripe. Há problemas nas contas do Excel no Brasil e no exterior. Também há excesso de créditos podres, aqueles empréstimos que a sensatez sugere que se dêem como perdidos, pois dificilmente serão pagos. Além disso, o balanço lista bens com valores acima dos de mercado e contabiliza como receita algumas dívidas que ainda estão em discussão na Justiça.
| "A auditoria ainda não
terminou, mas existem algumas diferenças de
avaliação entre o comprador e o vendedor." Luis Bastida, diretor do grupo Bilbao Vizcaya |
Depois de examinar o relatório da Arthur Andersen, os negociadores do Bilbao sentarão com o banqueiro Ezequiel Nasser, do Excel Econômico, para discutir o negócio e os valores. O susto das contas não é uma ameaça à transação, pois no acordo está expresso que os compradores podem descontar dos 500 milhões de reais todas as surpresas ruins que venham a encontrar nas gavetas do banco. Mas os espanhóis já apresentam certa ponta de arrependimento por ter iniciado uma aquisição que, aos poucos, vai mudando de figura. Que o Excel Econômico tinha problemas, já se sabia. Agora se saberá exatamente em que áreas e qual o tamanho desses problemas. Em setembro do ano passado, um grupo de vinte fiscais do Banco Central desembarcou em São Paulo e Salvador, cidades-sede do banco, e descobriu duas coisas. Primeiro, que o Excel não tinha conseguido absorver inteiramente o Econômico e vinha acumulando prejuízos operacionais. Em segundo lugar, havia contas mal explicadas, em especial no exterior. O vice-presidente Gilberto Nobre foi chamado a Brasília para prestar explicações e foi informado de que o BC gostaria que o banco fosse vendido. Há três meses, o BC voltou a despachar uma equipe de fiscais para o banco.
Situação incômoda O banqueiro Ezequiel Nasser não cometeu irregularidades ou fraudes nas contas do banco. "Não temos conhecimento de nenhuma fraude", diz Luis Bastida, diretor financeiro do Bilbao, que chega ao Brasil nesta semana. "Os trabalhos de auditoria ainda não terminaram e o que existe por enquanto são diferenças de avaliação entre o comprador e o vendedor. Pode ser uma diferença grande ou pequena, mas ainda não sabemos ao certo." O Banco Central, de sua parte, acabou não chegando a uma conclusão definitiva sobre as contas do Excel. Em abril passado, quando o Bilbao manifestou intenção de comprar o banco, o BC resolveu retirar seus fiscais de São Paulo e Salvador. "Os compradores tinham auditores independentes para examinar a contabilidade", diz um técnico do BC.
Para o BC, é uma excelente notícia que o Bilbao arremate o Excel. Se isso não acontecer, os problemas do Excel poderão acabar caindo no colo do governo. Além disso, em 1996 o Excel recebeu 3,6 bilhões de reais do Proer, o programa de reestruturação do sistema financeiro do BC, para adquirir o Econômico. Agora, o BC fica na situação incômoda de ter despachado uma montanha de dinheiro para um banco que, já parece claro, não tinha condições de absorver o Econômico. Na época da compra, o Excel nem estava entre os quarenta maiores bancos brasileiros, enquanto o Econômico, então nas mãos de Ângelo Calmon de Sá, ocupava o sétimo lugar no ranking. Ao dar um pulo maior do que as pernas, e com o apoio do Banco Central, Nasser tropeçou. Cresceu demais para o volume de operações financeiras que tinha. De lá para cá, a situação foi ficando cada vez mais precária. Em 1997, o Excel Econômico fechou o balanço com 44 milhões de reais de prejuízo. Agora, uma parte mais volumosa do buraco poderá vir à tona.
Com reportagem de David Friedlander
Copyright © 1998, Abril
S.A. |