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| Foto: Paulo Jares |
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| Salas marca para
o Chile, contra a Áustria: 36 anos à espera de uma vitória |
A arrancada que pode levar o Brasil à final começa no próximo sábado, 27, em Paris, contra o segundo colocado no grupo B. Nessa chave estão a Itália, que tem tudo para ficar em primeiro e evitar um encontro com os tetracampeões antes da final, Áustria, Camarões e Chile, todos com chance de chegar ao segundo posto (veja quadro). Há possibilidades bem maiores de que o cruzamento seja com o Chile. Sua seleção chegou embalada pela fama dos atacantes Marcelo Salas, o "Matador", e Ivan Zamorano, o "Milongueiro", e vem sendo uma das boas surpresas da Copa. Contra a Itália, esteve com o jogo na mão quando vencia por 2 a 1 e o juiz a puniu com um pênalti duvidoso, que Roberto Baggio, desta vez, não perdeu. Contra a Áustria, na semana passada, ganhava por 1 a 0 e tomou um gol besta, aos 47 minutos do segundo tempo.
Futebol africano Além de Salas e Zamorano, a seleção chilena, que persegue uma vitória em Copas há 36 anos, tem uma dupla de zagueiros, Fuentes e Margas, pouco conhecida mas quase tão eficiente quanto sua celebrada dupla de ataque. Apesar de dar a impressão de que estão mais preocupados com o penteado, a ponto de ir molhar a mão na beira do gramado para alisar as melenas, os chilenos mostram uma concentração e uma eficiência que em nada recordam o estilo displicente de antigamente. "O que conta é que as pessoas possam falar do Chile, e falar bem", diz o técnico Nelson Acosta.
Se não der Chile pode dar Camarões, uma das facetas do mito chamado futebol africano. Desde que esses Leões Indomáveis causaram alguns estragos na Copa de 90, passou-se a falar na pujança futebolística do continente, com a previsão de que o século não terminaria antes que um de seus representantes fosse campeão do mundo. Embora esta seja a última chance para que se cumpra a profecia, é bom que se diga que não existe futebol africano, assim como não existe futebol europeu ou sul-americano. Qual a semelhança entre o futebol da Itália e o da Alemanha na Europa, ou entre o do Brasil e o da Argentina na América do Sul? Nenhuma, do mesmo modo como não há paralelos entre o jogo da África do Sul e o de Marrocos.
Dos africanos, o único que mostra recursos para realizar grandes projetos é a Nigéria, que na sexta-feira deu mais uma demonstração de força e talento. Depois de vencer a Espanha por 3 a 2, bateu por 1 a 0 a Bulgária, uma das sensações do Mundial de 94, e a exemplo do Brasil e da França classificou-se para as oitavas com uma rodada de antecedência. Camarões, massacrado pela Itália na semana passada, é um time com jogadores habilidosos que, embora adorem chutar para o gol, detestam fazer a lição de casa quando o professor, no caso o técnico francês Claude Le Roy, lhes manda se defender.
O Brasil pode ainda
enfrentar a Áustria ou a Itália. Para que isso
aconteça, porém, deve ocorrer uma combinação de
resultados improváveis. Dando a lógica, os canarinhos
passarão pelas oitavas-de-final, como tem sido a regra
desde que esse sistema de disputa foi adotado, em 1986. A
exceção ocorreu em 1990, quando a seleção de
Sebastião Lazaroni tropeçou na Argentina de Maradona e
Caniggia. Nas quartas-de-final, a ladeira começa a se
inclinar e a subida fica mais difícil diante de um
adversário que provavelmente será a envolvente
Nigéria. Dois anos atrás, os nigerianos tiraram do
Brasil a chance de disputar a medalha de ouro do futebol
nas Olimpíadas de Atlanta. A Argentina, para a qual o
time de Zagallo sofreu sua última derrota antes do
Mundial, poderia ser o adversário das semifinais, antes
da final à francesa.
"Quem quer
ser campeão não pode ficar escolhendo
adversários", diz o coordenador técnico Zico. Nas
previsões da revista americana Sports Illustrated,
vencerá a Argentina, que depois perderá para a França (veja
quadro ao lado). Questão de palpite, mas com cheiro
de chute. Por enquanto, esta é a Copa da lógica.
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