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Educação Selvageria escolarPesquisa
revela que 55% dos estabelecimentos
Há dificuldades variadas no sistema educacional brasileiro. Em muitos lugares faltam escolas, os professores são mal pagos e despreparados, os livros são inadequados ou em número insuficiente para todos os alunos. Uma pesquisa recém-concluída pelo laboratório de psicologia do trabalho da Universidade de Brasília, UnB, aponta um outro problema, até hoje pouco discutido: o vandalismo. Segundo o levantamento, feito em todo o país, 55% das escolas públicas brasileiras já foram alvo de depredação. Pelo menos uma vez por mês, em média, cada uma delas é vítima desse tipo de selvageria, que inclui roubos e violência física contra professores, alunos e funcionários. O Nordeste amarga o primeiro lugar no ranking. Quase 60% das escolas da região registraram algum tipo de agressão nos últimos dois anos, período do levantamento. Pernambuco é o Estado com o maior número de casos, com alguns pontos porcentuais à frente do Acre, Sergipe e Pará (veja quadro abaixo). Dos 27 Estados, apenas três Alagoas, Mato Grosso do Sul e Goiás tiveram menos de 40% das escolas atingidas.
Trancas inúteis A pesquisa da UnB mostra que, quando não há interação da escola com a vizinhança, nem mesmo o patrulhamento ostensivo da polícia resolve o problema da depredação. Mais de 72% das escolas que contam com portões constantemente trancados, funcionário na portaria e vigia noturno sofrem os problemas do vandalismo. As regiões Norte e Nordeste, por exemplo, possuem alto índice de segurança interna nas escolas. Lá, cerca de 80% delas são vigiadas. Apesar disso, são as que apresentam o maior número de casos de roubo e depredação. "Quanto mais grades, cadeados e guardas, mais a escola se afasta de seu papel como bem público, mais se torna um espaço estranho à comunidade e fica vulnerável aos ataques", explica o psicólogo. De acordo com a pesquisa, em 80% dos casos os agressores são de fora da escola. "Essas informações levantam questões muito sérias a respeito da forma como são feitos os investimentos em segurança no país", afirma Francisco das Chagas, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Juliana De Mari, do Recife
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