Jóia Sertaneja

Aeroporto e novos serviços tiram a
Chapada Diamantina do isolamento

Alice Granato, de Lençóis

Fotos: Araquem Alcantara, Carlos Zaith e Rubens Chaves/Reflexo

Raio de sol dentro do Poço
Encantado, de 61 metros de
profundidade
(à esq.), passeio que
requer duas horas de caminhada
para chegar ao topo, de onde se tem
a visão do penhasco de 400 metros
e a Cachoeira da Fumaça
(abaixo):
tesouros naturais que atraem
visitantes de todo o mundo

Um dos lugares mais bonitos do Brasil acaba de sair do isolamento. É a Chapada Diamantina, uma extensa região de paisagens exuberantes, repleta de grutas, rios, morros e cachoeiras, situada a 400 quilômetros de Salvador. Muito explorada por garimpeiros no século passado, a chapada era pouco conhecida pelos turistas pela dificuldade de acesso. A cada ano, cerca de 100.000 pessoas visitam a região, das quais 26% são estrangeiras. A cifra é pequena quando comparada a lugares como Caldas Novas, uma estância hidromineral em Goiás, que recebe 1,5 milhão de visitantes por ano. O fim do isolamento se deve à inauguração de um aeroporto em Lençóis, cidadezinha colonial no coração da chapada. O aeroporto, de 8,5 milhões de dólares, é o terceiro maior da Bahia (menor apenas que os de Salvador e Porto Seguro), com capacidade para receber jatos de porte médio, como os Boeing 737.

Com a chegada dos aviões a jato, as cidades vizinhas estão se preparando para receber os novos turistas. Eles começam a aparecer em maior número a partir das férias de julho, segundo a previsão das autoridades locais. Por essa razão, Lençóis ganhou seu primeiro hotel de luxo, o Portal Lençóis, com charmosos bangalôs. Os casarões do centrinho, tombados pelo Patrimônio Histórico, estão sendo reformados nos moldes do Pelourinho, de Salvador. Tudo para agradar aos visitantes. "Estamos correndo para recuperar o atraso", diz o secretário municipal de Turismo, Eraldo Barbosa Filho. "Aqui estava tudo muito parado."

Cachoeira da Fumaça — Visitar a chapada exige preparo físico, e muito. Algumas caminhadas são duras, como a da Cachoeira da Fumaça, a maior e uma das mais belas do Brasil. O turista anda duas horas para chegar ao topo, sendo que grande parte do trajeto é de subida. A recompensa é gratificante. O visitante depara com um penhasco de 400 metros. Para ter a noção precisa da altura em que estão, as pessoas têm de debruçar-se na pedra e olhar para baixo. O vento forte traz de volta a água que a cachoeira joga para baixo, formando a fumaça que dá nome ao local. Os passeios mais longos, como esse, devem ser feitos com guias. Eles estão sempre nos hotéis ou mesmo nas ruas oferecendo seus serviços. Cuidam com carinho das trilhas e costumam retirar o lixo que os visitantes deixam pelo caminho. O guia Carlos Bragato sempre volta das caminhadas com a mochila cheia. "Não consigo ver a sujeira e deixar para trás", diz.

Preocupado em evitar um crescimento desordenado, o governo criou há três meses uma Área de Proteção Ambiental, APA. "Não permitiremos nenhuma agressão ao meio ambiente", garante o coordenador Jaques de Araújo. No entanto, a maioria das maravilhas da chapada não está em área protegida, como o Parque Nacional, mas sim em propriedades privadas. São, portanto, os donos de fazendas ou pequenos sítios que cuidam da manutenção dos seus paraísos. Cobram um pouco por isso. Para visitar as grutas Azul, Pratinha e Lapa Doce, em Iraquara, o turista tem de desembolsar 2 reais para os proprietários da fazenda. Por mais 5 reais, os visitantes podem mergulhar na Gruta Pratinha para ver as 32 espécies de peixes e conhecer o fantástico salão das tartarugas. Imperdível é o Poço Encantado. Fica dentro de uma gruta de calcário e tem água cristalina que ganha tom azul-turquesa em função do magnésio da pedra. De abril a setembro, recebe um raio solar ressaltando ainda mais seu brilho.

Após os passeios, restaurantes das fazendas servem carne-de-sol, galinha caipira, entre outros pratos típicos. A comida na região é bem simples e caseira. Ali, uma refeição completa custa em torno de 10 reais e as porções são fartas. Em Lençóis, cidade tombada pelo Patrimônio Histórico, há 32 hotéis e ainda hospedagens alternativas (na casa de moradores do município), somando um total de 3.000 leitos. Além do Portal Lençóis, os melhores são o Canto das Águas e a Pousada de Lençóis. Nesses lugares, os quartos têm um conforto raro na região: ar-condicionado e frigobar.




Copyright © 1998, Abril S.A.

Abril On-Line