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| Foto: Liane Neves |
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| Os agentes de saúde
do governo em ação : passeio com idosos em Porto Alegre e atendimento em casa em Brasília |
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| Foto: Ana Araujo |
Esses programas, seguindo modelos do
exterior, foram surgindo aqui e ali, em iniciativas
isoladas, em cidades como Quixadá, no interior do
Ceará, e Niterói, no começo da década. Aos poucos,
foram sendo encampados por governos estaduais e,
finalmente, pelo governo federal. O Saúde da Família
já chegou a 705 municípios. Ele funciona basicamente em
vilarejos do interior e nas periferias das grandes
cidades. Em cada lugar há uma equipe com um médico, uma
enfermeira, um auxiliar de enfermagem e cinco agentes
comunitários. O trabalho de cada turma é cuidar de um
grupo de famílias, acompanhando de perto seu estado de
saúde, ajudando a prevenir as doenças mais comuns e
evitando que as pessoas procurem os hospitais sem
realmente precisar. "O programa leva o atendimento
para perto das comunidades, simplifica a vida das pessoas
e descongestiona a rede hospitalar", explica o
ex-ministro da Saúde Adib Jatene, um entusiasta da
idéia. "Ele mostra que a maior parte dos problemas
pode ser resolvida sem que as pessoas tenham de entrar
numa fila de hospital." O custo do programa, cerca
de 1 bilhão de reais por ano, representa menos de 5% do
orçamento federal da saúde neste ano. Pelos resultados
que produz, é uma ninharia.
Modelo cubano O
efeito mais espantoso do programa foi derrubar as
estatísticas de mortalidade infantil nas regiões
atendidas. No Nordeste, ele ajudou a reduzir os índices
quase à metade. Outro efeito foi diminuir drasticamente
o número de internações nos hospitais da rede pública
(veja gráfico ao lado). Em Quixadá, 1120
crianças com menos de 4 anos de idade foram internadas
nos hospitais da cidade em 1994. Dois anos depois, com o
programa em pleno funcionamento, apenas 41 crianças
precisaram ser atendidas, redução de 96%. Em
Camaragibe, município da região metropolitana do
Recife, a morte de crianças por diarréia era comum até
algum tempo atrás. Os agentes de saúde entraram em
campo em 1994, e desde então as autoridades da cidade
só registraram dois casos desse tipo. Nos 106
municípios cearenses que adotaram a idéia, 28% das
crianças não estavam vacinadas contra o sarampo em
1994. Hoje, não há nenhuma sem vacina. Em Brasília, os
agentes também ensinam as crianças a escovar os dentes
e fazem aplicação de flúor para evitar cáries. Em
Goiânia, as equipes são treinadas para destruir focos
do mosquito transmissor da dengue.
O programa Saúde da Família é inspirado na experiência de Cuba, onde médicos e agentes comunitários há décadas cuidam do atendimento a pequenas comunidades. Outros países também adotaram esse modelo. "No modelo tradicional, os centros de saúde esperam a vinda dos pacientes", diz a sanitarista Heloísa Machado, coordenadora do programa Saúde da Família no Ministério da Saúde. "Com este programa, os agentes e os médicos vão às ruas em busca deles."
Exército silencioso Na base do sucesso da iniciativa está o trabalho dos agentes comunitários de saúde. Eles formam um exército de 55.000 pessoas, que atendem 41 milhões de habitantes, em 2.200 cidades. Na maioria desses lugares ainda não há equipes de Saúde da Família, mas os agentes alcançam bons resultados mesmo agindo sozinhos. Contratados dentro das comunidades que atendem, eles mapeiam os problemas de saúde existentes na região e orientam o trabalho dos médicos da rede pública. Além disso, pesam as crianças para identificar sinais de desnutrição e combatê-los a tempo, distribuem remédios a pacientes que precisam de tratamento prolongado e ajudam a prevenir doenças, ao difundir informações sobre prevenção. Em Itaquera, bairro da periferia de São Paulo, onde os agentes chegaram há menos de dois anos, havia muita desinformação entre as mulheres grávidas e 90% só tinham uma consulta médica antes do parto. Agora, 65% das gestantes passam por no mínimo cinco consultas antes de dar à luz. O governo está prometendo que vai ampliar o programa, contratando 45.000 novos agentes de saúde em todo o país. A idéia é passar a atender 75 milhões de pessoas, o equivalente a 46% da população brasileira.
Com reportagem de Juliana De Mari, do Recife
Copyright © 1998, Abril
S.A. |