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Polícia Banho de sangueChacina em
São Paulo revela a semelhança entre
Estudos feitos na Inglaterra mostram que a violência no país, durante a Idade Média, era inacreditavelmente alta. O índice de homicídios era equivalente a cinqüenta para cada 100.000 habitantes, quase o mesmo de hoje na cidade de São Paulo (no século XX, os assassinatos na Grã-Bretanha não chegam a dois por 100.000). Em ambos os lados do túnel do tempo, a explicação para os fenômenos é parecidíssima. No caso da Inglaterra, o sociólogo Jean-Claude Chesnais mostrou que, na falta de polícia ou Judiciário, prevalecia uma lógica de bangue-bangue. Os camponeses se organizavam em milícias particulares. Nas estradas, dominavam os bandos de salteadores. Era a chamada "lógica do domicílio", em que cada grupo ou bando trata apenas de defender os seus, sem que o Estado intervenha para manter a ordem com polícia e escola. O mecanismo é semelhante no mundo das chacinas, em que o traficante mata outros traficantes na briga pelas bocas-de-fumo, mata quem acumula dívidas de droga e pode ser morto pelos justiceiros que trabalham a soldo dos comerciantes. "O crime organizado se instala onde há nítida ausência do poder público. Nessas situações, pode formar um poder paralelo", teoriza o juiz aposentado Luiz Flávio Gomes, estudioso do crime organizado. Não se trata apenas de falta de polícia. Gomes cita o exemplo do interior do Nordeste, onde, na falta de assistência, famílias pobres são cooptadas pelos traficantes para plantar maconha. As chacinas acontecem apenas nas regiões mais pobres das metrópoles e em 40% dos casos estão relacionadas às drogas. Nos casos restantes, envolvem grupos de extermínio ou rixas entre gangues. Chacinas como a de Francisco Morato são um tipo de crime que hoje encontra similar em pouquíssimos lugares no mundo. "É uma forma de violência que só se vê no Brasil e na Colômbia", explica o sociólogo Guaracy Mingardi, especialista em segurança pública. O que ambos os países têm em comum são lugares onde comunidades inteiras são dominadas por bandos de traficantes. Quanto à investigação sobre a chacina de Francisco Morato, no final da semana ela caminhava para uma conclusão típica. Segundo a polícia civil, os assassinos poderiam ser policiais militares corruptos, interessados em eliminar a testemunha de um crime cometido por eles. A jovem Evelyn Zenan, 17 anos, era a principal testemunha do assassinato do namorado, o traficante Marcos Antonio Andrade, morto no Carnaval passado por policiais. Acredita-se que tenha sido morta como queima de arquivo. Outra possibilidade é que o alvo fosse o dono do bar, Renato Girao. Nesse caso, a chacina teria sido um acerto de contas entre gangues. Rogério Gentile
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