Morreu: o cartunista inglês Reginald Smythe, criador do personagem Andy Capp, ou Zé do Boné para os brasileiros. Desde 1957, as tiras assinadas por Smythe foram publicadas em 1.700 jornais e revistas de 48 países e traduzidas para treze idiomas. Desempregado, gordo, relaxado e bêbado, Zé do Boné é a figura mais politicamente incorreta das histórias em quadrinhos. Dia 13, aos 81 anos, de câncer, em Hartlepool, na Inglaterra.

Recusou-se: a pedir perdão pela violação aos direitos humanos durante seu governo o ex-presidente da África do Sul Pieter Botha, de 82 anos. Ele foi levado a julgamento por não colaborar com a Comissão de Verdade e Reconciliação, que investiga os crimes praticados sob o regime de segregação racial. Se julgado culpado, Botha pode pegar dois anos de cadeia. Dia 15, em George, na África do Sul.

Suspenso: pela Justiça da Nicarágua, o processo de abuso sexual contra o ex-presidente Daniel Ortega, movido por sua enteada Zoilamérica, de 30 anos. Como deputado, Ortega só pode ser processado caso o Congresso suspenda sua imunidade parlamentar. Dia 18, em Manágua.

Internado: vítima de um infarto agudo do miocárdio, o senador Romeu Tuma, de 67 anos. Nos próximos dias, a equipe médica avaliará a necessidade ou não de cirurgia. Dia 19, no Instituto do Coração, em São Paulo.

Anunciada: a morte, no dia 27 de abril, do escritor esotérico brasileiro Carlos Castaneda, vítima de câncer no fígado, aos 72 anos. Apontado como líder do novo xamanismo americano, publicou dez livros, com relatos de experiências alucinógenas e rituais de feitiçaria indígena. Dia 19, em Los Angeles.

Extraditado: para a Croácia o criminoso de guerra Dinko Sakic, de 76 anos. Como capitão do Exército croata aliado à Alemanha nazista, entre 1942 e 1944, ele comandou o campo de concentração Jasenovac, onde 600.000 pessoas foram mortas. Desde 1947, ele vivia na Argentina. Dia 17, em Buenos Aires.

Reaberto: pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o processo criminal contra Fabrício José Klein, de 20 anos, por homicídio culposo com agravante de omissão de socorro. Em agosto de 1996, o filho do ex-ministro Odacir Klein atropelou e matou o ajudante de pedreiro Elias Barboza Júnior, de 24 anos. Fugiu sem prestar socorro à vítima. Em 1997, a Justiça acatou a tese de que a assistência era desnecessária, já que Júnior havia morrido na hora — o que limitou a pena à doação mensal de alimentos a uma entidade filantrópica e ao pagamento de indenização à família de Júnior. Dia 18, em Brasília.

Ganhou: o processo por difamação contra o jornal londrino The Mail on Sunday a atriz americana Brooke Shields. Em reportagem de 24 de maio, o jornal informava que a atriz, depois do Festival de Cannes, havia sido interrogada no Aeroporto de Nice, na França, por suspeita de porte de drogas. Dia 15, em Londres.

Lúcio Costa:
morte em casa
Foto: Paulo Jares  

A morte do arquiteto e urbanista Lúcio Costa foi tranqüila. Ele tomou café na cama, virou para o lado e morreu — em casa, ao lado da filha mais velha, Maria Elisa. Eram 9 horas da manhã do sábado dia 13. O pioneiro da arquitetura moderna do Brasil tinha 96 anos. Em 1957, Lúcio Costa venceu o concurso para a escolha do projeto urbanístico de Brasília — nascido, conforme ele definia, "do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos se cruzando em ângulo reto, o próprio sinal-da-cruz". Para a construção da nova capital, formou a lendária dupla com Oscar Niemeyer, cinco anos mais jovem e discípulo nos primeiros anos de carreira. Homem de hábitos simples, tímido, Lúcio Costa assinou projetos de destaque internacional: no Rio de Janeiro, o prédio do Ministério da Educação (1943), o Parque Guinle (1948) e a ocupação da Barra da Tijuca (1969); e, nos Estados Unidos, o pavilhão brasileiro da Feira Mundial de Nova York (1939). De temperamento fechado, tornou-se ainda mais recluso depois de perder a mulher, Julieta, a grande paixão de sua vida, morta prematuramente num acidente de carro, em 1954.




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