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Edição 2118

24 de junho de 2009
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Assuntos mais comentados

Violência nas escolas: 38
Tragédia do voo 447 (capa): 35
Escândalos no Senado: 19
Rudolph Giuliani (Entrevista): 13
Vaca e aquecimento global: 11

 

Tragédia do voo AF 447

Embora não ponha um fim à dor dos familiares das vítimas do Airbus da Air France, a publicação dos detalhes do que possivelmente aconteceu no momento da tragédia com o avião nos sugere que o sofrimento dos passageiros foi amenizado. Lembrar que as 228 vítimas "continuarão a viver nas vidas que ajudarão a salvar" através das lições aprendidas com a triste tragédia nos traz certo consolo ("O que já dizem os corpos", 17 de junho).
Maria Dilma Ponte de Brito
Parnaíba, PI

Não consigo acreditar que, com tanta tecnologia, os computadores tenham se baseado apenas na informação de velocidade proveniente de uma fonte como os três tubos pitot. Há mais de quinze anos nos aviões, os aparelhos de GPS fornecem a velocidade precisa em relação ao solo, e os computadores deveriam utilizar-se também desse parâmetro para o confrontamento de suas informações.
Ovidio da Silveira Gasparetto
Por e-mail

Tenho muito orgulho de ser leitor de VEJA há mais de quinze anos. Gosto muito de me inteirar dos assuntos em primeira mão. VEJA sempre dá a notícia antes. A publicação não enrola, informa seu público de forma ágil e coerente. A reportagem especial sobre o AF 447 mostrou de forma peculiar o trabalho dos legistas e peritos do caso. Em época de crise, VEJA é um ótimo investimento.
Osiel Martins
São João de Meriti, RJ

Não devemos deixar de relacionar o voo AF 447 ao acidente ocorrido em 12 de novembro de 2001 com um A300-600R (aeronave semelhante ao A320) da American Airlines, em Nova York, quando o avião decolou e encontrou a esteira de turbulência de um Boeing 747 que decolara minutos antes. Ora, o que seria para fazer cócegas num A300 arrancou-lhe o leme e o levou ao chão. Sempre soube que a esteira de turbulência seria mais agravada em aeronaves de categorias diferentes e inferiores: pesada para média e média para leve. O mais incrível é que os senhores investigadores (com o dedo da Airbus) nos colocaram goela abaixo que a causa do acidente foi o mau uso dos comandos do leme por parte do piloto. Pergunto: cadê os sensores que não deixam a tripulação exceder certos limites?
George Figueiredo
Comandante
Por e-mail

VEJA menciona a "estrutura molecular" do alumínio, mas a estrutura do alumínio não é composta de moléculas, e sim de átomos em arranjo ordenado (estrutura cristalina do tipo cúbico de face centrada).
Cesar R. Farias Azevedo
Professor
Engenharia metalúrgica e de materiais (USP)
São Paulo, SP

Há um erro na página 72, no diagrama do tubo pitot. O orifício frontal do pitot (a) mede a pressão de estagnação ou pressão total (Pt), enquanto o orifício lateral (b) mede a pressão estática (Pe). A diferença entre os dois valores é então chamada de pressão dinâmica, que é usada em conjunção com outros dados atmosféricos medidos na altitude em que o avião se encontra para calcular a velocidade do vento exposto ao pitot.
Conrad Lee
Engenheiro aeronáutico (Ph.D.)
Porto Alegre, RS

 

Violência nas escolas

VEJA está de parabéns pela dura porém esclarecedora reportagem "Quando ensinar é uma guerra" (17 de junho). Precisamos de mais educadores como o professor Marcelo Rolim, com seu belo exemplo de trabalho em Acari, para trabalhar na periferia. Reportagem corajosa.
Soraya Jorge da Silva
Rio de Janeiro, RJ

Como educadora da rede pública, acredito que a resolução dos problemas educacionais só virá com diminuição do número de alunos por sala de aula, maior incentivo ao aprimoramento do professor e, principalmente, participação dos pais na educação dos filhos.
Miriam de Souza Macre
Professora
São Paulo, SP

Em minha rotina de professora, já me vi intimidada por crianças que nem haviam chegado à adolescência. Penso que estamos vivendo uma crise de valores. Se antes a educação era rígida demais, agora não se sabe mais impor limites. A meu ver, educação começa em casa. O que ocorre na escola é reflexo do que acontece em casa. Não são raros os casos em que pequenos ditadores fazem o que bem querem com os pais, que reagem com uma incrível submissão.
Núbia Norma de Oliveira
Professora
Goiânia, GO

Sou professora há mais de vinte anos e sei que tensão faz parte do processo ensino-aprendizagem. Mas todos os dias tenho a mesma sensação dos colegas entrevistados e, recentemente, quando fui agredida por um aluno, procurei a Delegacia da Mulher. A atendente, muito atenciosa, após me ouvir disse o seguinte: "Se os pais não assumirem os filhos e a escola não deixar de arcar com a formação total do aluno, a situação não vai mudar". Fiquei frustrada e estou tentando resolver como posso a situação em sala de aula. A educação no Brasil só será sinônimo de futuro se família, governo e demais instituições sociais a levarem a sério. Educar não é responsabilidade única da escola, e o professor não é formado para lidar com situações de violência.
Márcia Andrade Marques
Professora
Araguari, MG

Após ler a reportagem, não tive como ficar calada. Há um ano, eu saía da escola pública onde lecionava, às 23h05, na periferia da Zona Sul de São Paulo, quando, ao entrar em meu carro, fui abordada por dois marginais (ex-alunos), que me mantiveram refém por mais de duas horas. Eles me levaram para um lugar inóspito, na região de Embu, e lá me violentaram. Depois de muitas amea-ças e de toda a violência sofrida (física e psicológica), fui solta. Não bastasse o trauma vivido, bem como todo o tratamento pós-violência (coquetel antiaids, vacinas e injeções), tive de licenciar-me pelo resto do ano, já que não havia a possibilidade de uma remoção imediata, e, ainda sim, sofri todos os descontos salariais possíveis, pois nem convertido para acidente de trabalho o meu afastamento foi. Hoje leciono em outra escola, mas carrego comigo as marcas das agressões: síndrome do pânico, fobias inexplicáveis e insegurança permanente.
F.T.M.R.
Professora
São Paulo, SP

 

Rudolph Giuliani

Estava em minha casa lendo a entrevista com Rudolph Giuliani (Amarelas, 17 de junho), ex-prefeito de Nova York, e admirando suas palavras sobre a tolerância zero, quando fui abordada com a minha família por quatro bandidos armados. Eles levaram tudo o que quiseram – não queriam roupas, cobertores nem comida, apenas joias "de valor" e dinheiro. Não havia muito, já que outra quadrilha levara quase tudo no ano passado. Fui agredida no rosto, assim como meu marido, amarraram meus filhos pequenos e a nós, adultos. A polícia veio a seguir, não registrou nada, não fotografou nada, não tirou impressões digitais nem fez nenhuma daquelas coisas que imaginamos que possam ser realizadas pela polícia. O boletim de ocorrência foi feito com a mesma emoção e importância que se dá quando compramos banana no supermercado. O nosso caso não tem valor, ninguém morreu e não merece divulgação. E esses bandidos que só roubaram, agrediram e marcaram nossas vidas certamente continuarão a fazer o mesmo e um dia matarão. Hoje, somos somente mais uma folha de papel no porão da delegacia.
Maria C.M.A.M.
Por e-mail

Nova York era uma cidade tomada pela violência, pelo crime e pela insegurança. Exatamente como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e tantas outras. Para haver uma mudança, há que começar pelo respeito à cidade: pichações, quebra de monumentos, venda de drogas, roubos não podem acontecer, e a tolerância zero tem de funcionar. O exemplo de Nova York deveria ser seguido por aqui. As cidades brasileiras estão à beira do caos, mas não se vê nenhum político, nenhum governante realmente preocupado com isso.
Maria Tereza Murray
São Paulo, SP

Parabéns pela entrevista com Rudolph Giuliani. "Sem valores morais, toda a sociedade acaba no círculo do crime, de uma forma ou de outra." Isso precisa ser ensinado a todos, urgentemente, para o bem das futuras gerações.
Kiyoharu Miike
Curitiba, PR

As cidades degradadas precisam resgatar o respeito. Não se pode pichar. Também não se pode roubar, nem quebrar, nem vender drogas, nem morar na rua." Impossível resumir melhor a base de qualquer política decente de combate à criminalidade e à corrupção.
Etienne Douat
Joinville, SC

 

Senado

A "omertà", o famoso "código de honra" ao qual os mafiosos obedecem, silenciando sobre qualquer atividade ilícita que possa chegar ao conhecimento das autoridades ou do público, está sendo obedecida no Senado em alta escala. De tal forma que não existe apenas um capo di tutti capi, mas vários capi dispersos pelos partidos com os seus "soldados". Dessa forma, os 500 atos secretos permaneceram anos e anos desconhecidos da opinião pública, mas muitos agora dizem que de nada sabiam, nem mesmo da nomeação de parentes. Me enganem que eu gosto... ("Por debaixo do pano", 17 de junho.)
Guilherme Luiz Leite Ribeiro
Rio de Janeiro, RJ

Cada povo tem suas tragédias, vivendo sob ditaduras insanas, radicalismos religiosos, confrontos étnicos ou a perpetuação da fome e da ignorância. Sem dúvida, o brasileiro vive agora sob o trágico sentimento de impunidade que domina todos aqueles que se servem cinicamente das benesses do estado, quando deveriam, eles próprios, ser servidores do povo. A avalanche de escândalos que se abate sobre o Senado Federal é a mais nova prova disso. Quando acreditamos que essa ou aquela revelação finalmente será a gota d’água que vai romper a represa da paciência e resignação do homem comum, eis que surge outra notícia ainda mais aterradora. Desta vez, descobre-se que mais de 300 medidas secretas foram tomadas pelo Senado para beneficiar funcionários daquela casa com vantagens com que o eleitor não poderia sequer sonhar.
Nadir de Lima
São Paulo, SP

 

A vaca e o aquecimento global

Assim como na reportagem "A melhor amiga do homem" (17 de junho), cito em minha dissertação de mestrado, defendida em 2000, na Universidade de São Paulo, a importância da proteína animal na formação do nosso cérebro, consequentemente de nosso intelecto. Essa reportagem vem esclarecer um pouco o público leigo sobre a importância desse nobre animal na formação de nossa civilização. Espero que também ajude a esclarecer e sensibilizar os ambientalistas radicais, alertando-os para o fato de que, mais que um animal que solta "flatos e arrotos" na camada de ozônio, o bovino é responsável pela sobrevivência e pelo provimento econômico de milhões, talvez bilhões de pessoas.
Fábio Garcia Ribeiro
Sorocaba, SP

Órgãos ambientais das Nações Unidas e vários outros já consideram a pecuária como o principal emissor de gases responsáveis pelo efeito estufa, ganhando de todos os meios de transporte juntos. Além de ser uma atividade altamente poluidora e desnecessária. Se o homem caçou e usou animais para se estabelecer e prosperar, tais atividades não são mais necessárias no meio em que vivemos, e de fato se tornam a cada dia mais inviáveis. Uma alimentação vegetariana traz inúmeros benefícios para o meio ambiente e a nossa saúde, além de poupar animais de uma exploração desnecessária.
Pedro Heringer Lisboa Teixeira
Belo Horizonte, MG

A reportagem "A melhor amiga do homem" (17 de junho) esclarece o público leigo sobre a importância desse nobre animal, o bovino, na formação de nossa civilização.
Fábio Garcia Ribeiro
Sorocaba, SP

A vaca e os verdes
A vaca nos acompanha há 10 000 anos e ajudou a forjar a humanidade, mas é acusada de contribuir para a degradação do ambiente e para o aquecimento global, emitindo gases que causam o efeito estufa, como o metano

 

PAC

Parabéns pela reportagem de treze páginas sobre o Programa de Aceleração do Crescimento ("Ele existe, é bom que exista, mas a maior parte ainda está no papel", 10 de junho). Trata-se de um trabalho espetacular, minucioso, técnico, com dados completos e bem ilustrado sobre o assunto.
Virgilio Pimentel Itapema Alves
Valinhos, SP

 

Gay Talese

Foi um bálsamo para a alma a entrevista concedida pelo jornalista e escritor Gay Talese ("A crise é dos jornais – e não do jornalismo", 17 de junho). Lendo seu ponto de vista de como deve se comportar um veículo de comunicação e como, por consequência, seus jornalistas devem se portar, verificamos que ainda temos do que nos orgulhar na imprensa, ao contrário do que afirmam seus inúmeros detratores. Os meios de comunicação e seus membros não precisam ser contra ou a favor disso ou daquilo, basta que o ceticismo esteja presente na profissão.
Adriano Rodrigues
Tremembé, SP

 

Holofote

O projeto do trem de alta velocidade ligando Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas é coordenado pelo Ministério dos Transportes, em conjunto com a ANTT. Para assessorar a atuação desses órgãos, o BNDES contratou estudos junto a consultores internacionais, objetivando analisar a viabilidade técnica e econômica do projeto. Tais estudos estão em curso. Portanto, na versão atual, não há, quer por parte da diretoria do BNDES, quer por parte de seu presidente, Luciano Coutinho, desconfiança quanto à viabilidade do projeto.
Marcos Paulo Veríssimo
Chefe de gabinete da presidência do BNDES
Brasília, DF

 

Radar

O PSDB só marchará unido em 2010 se optar por prévias amplas e transparentes ("Aécio bate o martelo. Serra, o pé", Radar, 17 de junho). A data pouco importa. O fundamental é não repetir os equívocos que derrotaram o partido nas eleições presidenciais de 2002 e 2006. Tucano que pensa pequeno tem voo curto.
João Paulo Medrado
Belo Horizonte, MG

 

Cinema

Parabéns a Isabela Boscov pela excelente reportagem "O astro operário" (17 de junho). Moro em Londres há alguns meses e tive a oportunidade de conhecer Clive Owen, pois ele frequenta o club onde trabalho e já o atendi. Se você não for uma pessoa atenta, ele acaba passando despercebido, pois costuma chegar com alguns amigos, compra (não ganha) sua bebida, sempre trajando terno e gravata, o que para os clubs da moda de Londres acaba sendo um tanto arcaico. Ah, não contrata paparazzi e se mistura perfeitamente com os outros frequentadores do club. Ser ator para ele é realmente só uma profissão.
Antonio Carlos de Mello
Londres, Inglaterra

 

Música

Ao ler a reportagem "A geopolítica do pop" (17 de junho), fiquei surpresa com a falta de liberdade de expressão que ainda nos assombra. Em um mundo considerado globalizado, em que a informação se expande em velocidade cada vez maior, ainda vemos repressão, exílio e perseguição a artistas.
Carolina Balza
São Paulo, SP

 

Lya Luft

Mais uma vez a extraordinária Lya Luft nos presenteia com um texto maravilhoso. Há quem tenha o livro de cabeceira. Tenho os textos de Lya Luft na cabeceira da minha cama. O artigo "Os vivos e os mortos" (17 de junho) é um louvor à vida. Com a facilidade com que a pena percorre o papel, essa maravilhosa escritora nos premia com o conforto da "compreensão" desse fato inquestionável que é a morte.
Simão Horácio Bottesi
Mogi Mirim, SP



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