DISCOS
Jazz
Collection, vários
intérpretes (Columbia/Sony Music) Finalmente
uma coleção de CDs de jazz que foge à
síndrome do picadinho. Em vez de parir Frankensteins
com improvisos tirados de discos diferentes, a Sony resolveu
relançar, na íntegra, alguns títulos
essenciais da discografia de grandes músicos, com
libretos caprichados. Como é possível comprar
os CDs de forma avulsa, concentre seu poder aquisitivo em
cinco deles: quatro de Miles Davis e um de Billie Holiday.
Entre os melhores discos de Miles figuram suas colaborações
com o maestro canadense Gil Evans: Miles
Ahead (1957), Porgy
& Bess (1958) e Sketches
of Spain (1960). Já
em Kind of Blue (1959),
o músico é secundado pelo pianista Bill Evans
e pelo saxofonista John Coltrane nada menos que o
Pelé, o Maradona e o Cruyff do jazz. Lady
in Satin é o último
disco de Billie Holiday. Devastada pelas drogas, ela não
tem o timbre cristalino do começo da carreira, mas
essa obra derradeira é insuperável no quesito
emoção. A faixa Glad
to Be Unhappy ("alegre por
ser infeliz") pode ser considerada o testamento musical
da cantora.
Trilha
sonora de Eu, Tu, Eles, de
Gilberto Gil (Warner) Gilberto Gil é um dos
melhores cantores e compositores brasileiros. Nos últimos
tempos, no entanto, perdeu o prumo fazendo odes estrambóticas
à internet e às antenas parabólicas.
Neste disco, volta àquela que é sua especialidade
desde Eu Só Quero um
Xodó: música
nordestina. Os destaques são as recriações
de sucessos do rei do baião, Luiz Gonzaga, como Assum
Preto, Juazeiro e Asa
Branca. Os arranjos, pontuados
por sanfona, zabumba e triângulo, criam climas agrestes
que lembram a melhor fase de Gilberto Gil, os anos 70, quando
o compositor lançou os antológicos Refavela
e Refazenda.
Dessa época, o autor regravou o doído Lamento
Sertanejo, que compôs
em parceria com o sanfoneiro Dominguinhos.
Anne Sofie von Otter,
Thomas Quasthoff e Claudio Abbado com a Filarmônica
de Berlim interpretam canções de Gustav Mahler
(Universal) Para os amantes da música clássica,
esta será uma semana histórica: a melhor orquestra
do mundo, a Filarmônica de Berlim, e o maior regente
da atualidade, Claudio Abbado, estarão se apresentando
pela primeira vez no Brasil. Quem não comprou ingresso
para os concertos eles estão esgotados há
semanas poderá se consolar adquirindo este belíssimo
CD, que levou o Grammy neste ano na categoria performance
vocal clássica. A meio-soprano Von Otter e o baixo-barítono
Quasthoff estão realmente excelentes, mas quem faz
a diferença é a orquestra. Nos dias de hoje,
ninguém rege Mahler tão bem quanto Claudio
Abbado. O maestro italiano enfatiza os contrastes dos diversos
tipos de instrumento o ponto forte das peças do
compositor austríaco , e os músicos, claro,
não poderiam ser melhores. Uma combinação
perfeita.
LIVROS
O
Caminho de San Giovanni,
de Italo Calvino (tradução de Roberta Barni;
Companhia das Letras; 119 páginas; 19 reais) Este
livro póstumo reúne dispersos autobiográficos
de Italo Calvino (1923-1985). Pode-se dizer que é
uma espécie de Amarcord
do autor italiano. Como Fellini em seu filme, Calvino, na
maior parte dos textos, relembra a própria infância.
O tom dos escritos não é saudosista e algumas
reminiscências valem por pequenos ensaios. O texto
que dá título ao livro é um retrato
lírico do pai do escritor. Destaque também
para Autobiografia de um Espectador,
em que Calvino relembra que, quando menino, atinou para
o horror do fascismo no momento em que os filmes americanos,
que ele adorava, começaram a ser censurados na Itália.
A partir desse fato, tece reflexões afiadas sobre
o cinema.
Dália
Negra, de James Ellroy
(tradução de Cláudia Sant'Ana Martins;
Record; 432 páginas; 30 reais) Nos anos 40,
uma sensual aspirante a atriz circulava por Los Angeles
trajando roupas escuras e insinuantes. Destino cruel: um
dia, ela apareceu morta num terreno baldio, com o corpo
cortado ao meio. Assim nascia o crime da Dália Negra,
até hoje sem solução, tema de vários
livros, filmes e sites na internet. Ninguém, entretanto,
explorou o tema tão a fundo quanto James Ellroy,
autor de Los Angeles
Cidade Proibida. Neste eletrizante
policial, dois tiras adversários nos ringues
de boxe esmiúçam o caso. A obsessão
do escritor tem motivo: pouco tempo depois, sua mãe
foi assassinada.
TELEVISÃO
Divulgação
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| A Casa de 1900: reconstituição
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A Casa de 1900 (de segunda
a sexta-feira, às 19h30, no canal GNT. Reapresentação
às 23h30) Como seria o cotidiano sem comodidades
como eletrodomésticos e computador? Esta série
britânica em oito episódios responde à
pergunta de uma maneira criativa. Para fazer o programa,
a produtora Wall to Wall selecionou uma típica família
britânica os Bowler e a convidou a viver
em uma típica casa da época vitoriana. Videogames
foram substituídos por soldadinhos de chumbo. Forno
de microondas, por um tosco fogão a lenha. A reconstituição
é primorosa. Até os rótulos dos produtos
da época foram recriados. Os Bowler se surpreendem
com vários detalhes curiosos. Entre eles, o fato
de drogas como cocaína e ópio serem usadas
como remédio na virada para o século XX.
Inside the Actors
Studio com Michael Caine
(segunda-feira, 22 horas, na Film & Arts) O ator
inglês Michael Caine tem fama de atuar em filmes de
quinta em troca de um bom troco. Já participou de
106 produções para televisão e cinema,
e muitas delas são rematadas porcarias. Ninguém,
no entanto, questiona o seu talento, reconhecido pelo Oscar
neste ano, ele levou a estatueta de coadjuvante por
Regras da Vida.
No programa de entrevistas Inside
the Actors Studio, Caine
é suficientemente sincero para assumir que realmente
topa tudo por dinheiro. Decano de Hollywood, conta bastidores
saborosos sobre o mundo do cinema e fala da alegria de,
entre tantos filmes ruins, ter participado de uma obra-prima
como O Homem que Queria Ser
Rei, de John Huston.