Edição 1 650 -24/5/2000

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DISCOS

Jazz Collection, vários intérpretes (Columbia/Sony Music) – Finalmente uma coleção de CDs de jazz que foge à síndrome do picadinho. Em vez de parir Frankensteins com improvisos tirados de discos diferentes, a Sony resolveu relançar, na íntegra, alguns títulos essenciais da discografia de grandes músicos, com libretos caprichados. Como é possível comprar os CDs de forma avulsa, concentre seu poder aquisitivo em cinco deles: quatro de Miles Davis e um de Billie Holiday. Entre os melhores discos de Miles figuram suas colaborações com o maestro canadense Gil Evans: Miles Ahead (1957), Porgy & Bess (1958) e Sketches of Spain (1960). Já em Kind of Blue (1959), o músico é secundado pelo pianista Bill Evans e pelo saxofonista John Coltrane – nada menos que o Pelé, o Maradona e o Cruyff do jazz. Lady in Satin é o último disco de Billie Holiday. Devastada pelas drogas, ela não tem o timbre cristalino do começo da carreira, mas essa obra derradeira é insuperável no quesito emoção. A faixa Glad to Be Unhappy ("alegre por ser infeliz") pode ser considerada o testamento musical da cantora.

Trilha sonora de Eu, Tu, Eles, de Gilberto Gil (Warner) – Gilberto Gil é um dos melhores cantores e compositores brasileiros. Nos últimos tempos, no entanto, perdeu o prumo fazendo odes estrambóticas à internet e às antenas parabólicas. Neste disco, volta àquela que é sua especialidade desde Eu Só Quero um Xodó: música nordestina. Os destaques são as recriações de sucessos do rei do baião, Luiz Gonzaga, como Assum Preto, Juazeiro e Asa Branca. Os arranjos, pontuados por sanfona, zabumba e triângulo, criam climas agrestes que lembram a melhor fase de Gilberto Gil, os anos 70, quando o compositor lançou os antológicos Refavela e Refazenda. Dessa época, o autor regravou o doído Lamento Sertanejo, que compôs em parceria com o sanfoneiro Dominguinhos.

Anne Sofie von Otter, Thomas Quasthoff e Claudio Abbado com a Filarmônica de Berlim interpretam canções de Gustav Mahler (Universal) – Para os amantes da música clássica, esta será uma semana histórica: a melhor orquestra do mundo, a Filarmônica de Berlim, e o maior regente da atualidade, Claudio Abbado, estarão se apresentando pela primeira vez no Brasil. Quem não comprou ingresso para os concertos – eles estão esgotados há semanas – poderá se consolar adquirindo este belíssimo CD, que levou o Grammy neste ano na categoria performance vocal clássica. A meio-soprano Von Otter e o baixo-barítono Quasthoff estão realmente excelentes, mas quem faz a diferença é a orquestra. Nos dias de hoje, ninguém rege Mahler tão bem quanto Claudio Abbado. O maestro italiano enfatiza os contrastes dos diversos tipos de instrumento – o ponto forte das peças do compositor austríaco –, e os músicos, claro, não poderiam ser melhores. Uma combinação perfeita.

 

LIVROS

O Caminho de San Giovanni, de Italo Calvino (tradução de Roberta Barni; Companhia das Letras; 119 páginas; 19 reais) – Este livro póstumo reúne dispersos autobiográficos de Italo Calvino (1923-1985). Pode-se dizer que é uma espécie de Amarcord do autor italiano. Como Fellini em seu filme, Calvino, na maior parte dos textos, relembra a própria infância. O tom dos escritos não é saudosista e algumas reminiscências valem por pequenos ensaios. O texto que dá título ao livro é um retrato lírico do pai do escritor. Destaque também para Autobiografia de um Espectador, em que Calvino relembra que, quando menino, atinou para o horror do fascismo no momento em que os filmes americanos, que ele adorava, começaram a ser censurados na Itália. A partir desse fato, tece reflexões afiadas sobre o cinema.

 

Dália Negra, de James Ellroy (tradução de Cláudia Sant'Ana Martins; Record; 432 páginas; 30 reais) – Nos anos 40, uma sensual aspirante a atriz circulava por Los Angeles trajando roupas escuras e insinuantes. Destino cruel: um dia, ela apareceu morta num terreno baldio, com o corpo cortado ao meio. Assim nascia o crime da Dália Negra, até hoje sem solução, tema de vários livros, filmes e sites na internet. Ninguém, entretanto, explorou o tema tão a fundo quanto James Ellroy, autor de Los Angeles – Cidade Proibida. Neste eletrizante policial, dois tiras – adversários nos ringues de boxe – esmiúçam o caso. A obsessão do escritor tem motivo: pouco tempo depois, sua mãe foi assassinada.

 

TELEVISÃO

Divulgação
A Casa de 1900: reconstituição


A Casa de 1900
(de segunda a sexta-feira, às 19h30, no canal GNT. Reapresentação às 23h30) – Como seria o cotidiano sem comodidades como eletrodomésticos e computador? Esta série britânica em oito episódios responde à pergunta de uma maneira criativa. Para fazer o programa, a produtora Wall to Wall selecionou uma típica família britânica – os Bowler – e a convidou a viver em uma típica casa da época vitoriana. Videogames foram substituídos por soldadinhos de chumbo. Forno de microondas, por um tosco fogão a lenha. A reconstituição é primorosa. Até os rótulos dos produtos da época foram recriados. Os Bowler se surpreendem com vários detalhes curiosos. Entre eles, o fato de drogas como cocaína e ópio serem usadas como remédio na virada para o século XX.

Inside the Actors Studio com Michael Caine (segunda-feira, 22 horas, na Film & Arts) – O ator inglês Michael Caine tem fama de atuar em filmes de quinta em troca de um bom troco. Já participou de 106 produções para televisão e cinema, e muitas delas são rematadas porcarias. Ninguém, no entanto, questiona o seu talento, reconhecido pelo Oscar – neste ano, ele levou a estatueta de coadjuvante por Regras da Vida. No programa de entrevistas Inside the Actors Studio, Caine é suficientemente sincero para assumir que realmente topa tudo por dinheiro. Decano de Hollywood, conta bastidores saborosos sobre o mundo do cinema e fala da alegria de, entre tantos filmes ruins, ter participado de uma obra-prima como O Homem que Queria Ser Rei, de John Huston.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano. Esta lista não inclui livros vendidos em bancas.