O veneno persiste
Diferentemente do previsto, contaminação
continua alta na Europa catorze anos
depois de Chernobyl
Alexandre Mansur
Ronaldo Kotscko/Terra Comunicação
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Criação de ovelhas
na Europa: imprópria
para consumo |
A radioatividade espalhada pelo acidente nuclear na usina
ucraniana de Chernobyl mantém-se em níveis
preocupantes em várias partes da Europa, apesar de
terem decorrido catorze anos. Trabalhando separadamente,
duas equipes de pesquisadores, uma inglesa e outra holandesa,
chegaram à mesma conclusão a de que
a queda nas taxas de contaminação pode demorar
100 vezes mais do que o previsto na época do acidente.
A recomendação dos pesquisadores é
que diversos alimentos produzidos em certas regiões
da Inglaterra, da Escandinávia e dos países
bálticos continuem proibidos para consumo humano
por mais quinze anos. Trata-se basicamente de carne de ovelha,
porque o animal pasta nos campos contaminados. Os bovinos
nesses países são alimentados em estábulos.
Ao explodir no dia 26 de abril de 1986, o reator número
4 da usina de Chernobyl liberou uma nuvem de substâncias
radioativas que os ventos espalharam pela Europa Ocidental.
As conseqüências mais traumáticas foram
na própria Ucrânia. O Ministério da
Saúde ucraniano estima que 3,5 milhões de
pessoas adoeceram por causa da radiação, um
terço das quais eram crianças. Os cientistas
acreditavam que a concentração de césio
radioativo nos alimentos e na água caísse
em poucos anos. Teoricamente, o césio deveria fixar-se
no solo e em pouco tempo deixaria de ser absorvido pelas
plantas e animais. Não foi o que ocorreu. Nos primeiros
cinco anos após o acidente, tudo parecia ir bem:
a contaminação caiu para um décimo
do que era antes. Porém, depois do rápido
declínio inicial, ela se mantém praticamente
inalterada há quase uma década. "O meio ambiente
não está se livrando da poluição
no ritmo esperado", diz o pesquisador Jim Smith, do Centro
de Ecologia e Hidrologia, que coordenou o estudo inglês.
"À medida que o tempo passa, os níveis de
radioatividade caem cada vez mais devagar." A reviravolta
nas expectativas tem conseqüências mais severas
nas áreas mais próximas à usina de
Chernobyl. O consumo de frutas silvestres, cogumelos e peixes
em certas regiões da antiga União Soviética
continuará desaconselhável pelos próximos
cinqüenta anos.
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