Edição 1 650 -24/5/2000

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O veneno persiste

Diferentemente do previsto, contaminação
continua alta na Europa catorze anos
depois de Chernobyl

Alexandre Mansur


Ronaldo Kotscko/Terra Comunicação
Criação de ovelhas na Europa: imprópria
para consumo


A radioatividade espalhada pelo acidente nuclear na usina ucraniana de Chernobyl mantém-se em níveis preocupantes em várias partes da Europa, apesar de terem decorrido catorze anos. Trabalhando separadamente, duas equipes de pesquisadores, uma inglesa e outra holandesa, chegaram à mesma conclusão – a de que a queda nas taxas de contaminação pode demorar 100 vezes mais do que o previsto na época do acidente. A recomendação dos pesquisadores é que diversos alimentos produzidos em certas regiões da Inglaterra, da Escandinávia e dos países bálticos continuem proibidos para consumo humano por mais quinze anos. Trata-se basicamente de carne de ovelha, porque o animal pasta nos campos contaminados. Os bovinos nesses países são alimentados em estábulos.

Ao explodir no dia 26 de abril de 1986, o reator número 4 da usina de Chernobyl liberou uma nuvem de substâncias radioativas que os ventos espalharam pela Europa Ocidental. As conseqüências mais traumáticas foram na própria Ucrânia. O Ministério da Saúde ucraniano estima que 3,5 milhões de pessoas adoeceram por causa da radiação, um terço das quais eram crianças. Os cientistas acreditavam que a concentração de césio radioativo nos alimentos e na água caísse em poucos anos. Teoricamente, o césio deveria fixar-se no solo e em pouco tempo deixaria de ser absorvido pelas plantas e animais. Não foi o que ocorreu. Nos primeiros cinco anos após o acidente, tudo parecia ir bem: a contaminação caiu para um décimo do que era antes. Porém, depois do rápido declínio inicial, ela se mantém praticamente inalterada há quase uma década. "O meio ambiente não está se livrando da poluição no ritmo esperado", diz o pesquisador Jim Smith, do Centro de Ecologia e Hidrologia, que coordenou o estudo inglês. "À medida que o tempo passa, os níveis de radioatividade caem cada vez mais devagar." A reviravolta nas expectativas tem conseqüências mais severas nas áreas mais próximas à usina de Chernobyl. O consumo de frutas silvestres, cogumelos e peixes em certas regiões da antiga União Soviética continuará desaconselhável pelos próximos cinqüenta anos.

 

 
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