Filhotes do alto luxo
Grifes caríssimas
criam uma segunda marca
para vender roupas um pouco mais baratas
Silvia
Rogar
Fotos Selmy Yassuda
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1) 290
reais. Saia preta de crepe pesado. Completam
o visual blusa de chiffon com Lycra (190
reais) e bota (540 reais).
Maria Bonita
2) 78 reais.
Saia preta de crepe de malha, acompanhada de camisa
de malha cristal (120 reais)
e bota (260 reais).
Maria Bonita/Extra
3) 1 320 reais.
Casaco de tafetá forrado de cashmere. Andrea
Saleto
4) 220
reais. Casaco de algodão peletizado. Permanente
5) 449
reais. Twin set rosa de cashmere e seda com
bordados. Krishna
6) 389
reais. Twin set rosa
de cashmere e seda. Krishna/Empório
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A invenção
é americana. Para atender a um público menos
abastado, grifes caríssimas lançaram "marcas-filhotes",
com preços mais baixos. Donna Karan criou a DKNY
e Calvin Klein, a CK. As vendas cresceram e os italianos,
rapidamente, aderiram à idéia: Giorgio Armani
abriu o Emporio Armani, Versace inaugurou a Versus, Prada
ficou um pouco mais acessível com a Miu Miu, e Dolce
& Gabbana popularizou-se, digamos assim, por meio da
D&G. Só os franceses desdenharam a fórmula,
num misto de esnobismo e purismo. Entre os brasileiros,
a onda vem tomando corpo nos últimos tempos. Segue-se,
aqui, o mesmo padrão do Hemisfério Norte:
a marca-filhote tem, geralmente, um estilo mais casual,
com tecidos mais simples e sem detalhes que encarecem a
peça em demasia, tais como bordados e forros luxuosos.
O corte e o estilo da grife-mãe, no entanto, são
preservados. Trata-se de um negócio praticamente
infalível, já que duplica o apetite insaciável
das multidões de clientes loucas por um logotipo
da moda. Para essa freguesia, melhor que sair da loja com
uma sacola de autênticos Versace, só mesmo
ter a outra mão ocupada com uma pilha de roupinhas
Versus.
O esquema está
dando tão certo que algumas lojas-filhotes já
superam as vendas da original. As nacionais Krishna Empório,
da Krishna, e Maria Bonita Extra, da Maria Bonita, por exemplo,
vendem 30% mais em número de peças do que
as marcas das quais nasceram. De olho no filão, a
estilista paulista Glória Coelho, dona da exclusiva
G, lançou há três anos a grife Carlota
Joaquina para "as adeptas da dupla jeans-camiseta". Andrea
Saletto, com lojas no Rio de Janeiro e em São Paulo,
abriu a Permanente há dois anos. A marca já
é responsável por mais de 40% da produção
da rede. Um trench coat da loja-mãe chiquérrimo,
de tafetá, totalmente forrado de cashmere custa
1.320 reais. O casacão básico da Permanente,
de algodão peletizado (coberto de uma penugem que
parece pele), sai por 220 reais. Barato, barato não
é. Mas comparado com o outro...
A principal justificativa
para os preços estratosféricos nas lojas originais
é o custo do material. Elas só usam tecido
importado e acabamento de primeiríssima qualidade.
Um fator que também encarece a roupa da grife-mãe
é a fabricação própria boa
parte da produção da filhote é terceirizada,
o que resulta numa grande economia. A exclusividade é
outro item que torna o produto da primeira marca bem mais
caro. "Em alguns casos, produzimos apenas cinco peças
iguais", diz Eliana Dias da Cruz, da Krishna, que jamais
aplica a mesma contenção na hora de fabricar
blusas e saias para a Krishna Empório. Afora, é
claro, o abuso puro e simples na hora de cobrar. As grifes
brasileiras, muitas vezes, conseguem ser mais caras que
suas equivalentes americanas e européias.
Em que pesem todas
as diluições e os barateamentos, os preços
da marca secundária, seja no Brasil ou lá
fora, estão longe de ser uma pechincha. Muito pelo
contrário rara é a roupa que custa
menos de um salário mínimo. "Mesmo usando
material menos nobre, temos de manter nosso alto padrão
de qualidade", alega a carioca Maria Cândida Sarmento,
dona da Maria Bonita. Pode ser, mas também conta
muito o fato de que popularizar demais a segunda grife mataria
de ódio as clientes que desembolsam fortunas com
a marca principal.
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