O Paulo Coelho da aventura
Com o relato de suas jornadas, Amyr Klink
se torna um dos autores mais lidos do país
Sérgio Ruiz Luz
Ricardo Benichio
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| O navegador,
seu barco e seu livro: "Fico espantado com todo esse
sucesso" |
A exemplo dos velhos marujos, o navegador Amyr Klink é
um ótimo contador de histórias. Tão
bom que se transformou num dos maiores best-sellers do momento.
Na semana passada, o livro mais recente do aventureiro,
Mar sem Fim, ocupava o topo da lista dos mais vendidos
na categoria não-ficção. A obra é
o diário de bordo da última jornada do viajante
solitário, que contornou com um veleiro o continente
antártico. O título deve repetir o sucesso
das narrativas anteriores de suas façanhas, Cem
Dias entre Céu e Mar e Paratii Entre
Dois Pólos. Cada um deles ultrapassou a casa
dos 200.000 exemplares vendidos.
O Paratii mereceu até uma versão mais
luxuosa, batizada de As Janelas do Paratii. Está
quase batendo na faixa dos 20.000
livros. Amyr Klink é o Paulo Coelho da aventura.
Poucos autores nacionais fazem sucesso semelhante. Só
mesmo fenômenos editoriais como o neurolingüista
Lair Ribeiro (quando estava no auge), Jô Soares e,
é claro, o imbatível mago carioca. Pelo lançamento
de Mar sem Fim, o navegador recebeu 400.000
reais a título de adiantamento pelos direitos autorais.
"Não sou um escritor profissional e fico espantado
com todo esse retorno", afirma Amyr Klink. A rigor, os momentos
emocionantes de Mar sem Fim se resumem a uma tempestade
enfrentada pelo navegador ao sul da Tasmânia e a uma
capotagem do barco ocorrida quase no final da viagem. Apesar
do susto, o episódio não causou maiores danos.
O restante da narrativa é preenchido por descrições
de técnicas de navegação, histórias
dos pioneiros da Antártica, a rotina a bordo e divagações
sobre focas, baleias e albatrozes. A receita tem agradado
a um público variado e cativo. "Vejo gente de todas
as idades nas filas de autógrafos", conta Amyr.
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Os três lançamentos
anteriores do autor, que venderam juntos mais de 400
000 exemplares: a produção literária
é a
ponta do iceberg dos negócios que
sustentam a carreira
e os projetos do aventureiro profissional
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A produção literária do navegador
é apenas a ponta do iceberg de uma indústria
de aventuras. Desde que realizou uma travessia a remo do
Oceano Atlântico, em 1984, o viajante vive com o dinheiro
gerado por seus projetos. Somente no circuito de palestras
ele embolsa 800.000 reais por
ano. Boa parte de seu faturamento está sendo canalizada
para o estaleiro onde constrói o barco Parati
2. Esse novo veleiro será utilizado numa volta
ao mundo. O projeto já consumiu um investimento de
1,5 milhão de dólares e está apenas
na metade de sua execução. Para manter os
negócios de vento em popa, Amyr tem uma preocupação
quase obsessiva com a imagem. Um exemplo disso foi sua participação
na última edição do rali ParisDacarCairo,
durante um intervalo de suas aventuras náuticas.
Às vésperas do início da corrida, o
navegador ameaçou desistir de integrar a equipe Troller-Hollywood
com medo de associar seu nome a uma marca de cigarro. Topou
seguir em frente com a promessa de que quatro jipes seriam
doados para uma instituição de combate ao
câncer. E, ao final da jornada, embolsou um cachê
de aproximadamente 30.000 reais.
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