Edição 1 650 -24/5/2000

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O Paulo Coelho da aventura

Com o relato de suas jornadas, Amyr Klink
se torna um dos autores mais lidos do país

Sérgio Ruiz Luz


Ricardo Benichio
O navegador, seu barco e seu livro: "Fico espantado com todo esse sucesso"

A exemplo dos velhos marujos, o navegador Amyr Klink é um ótimo contador de histórias. Tão bom que se transformou num dos maiores best-sellers do momento. Na semana passada, o livro mais recente do aventureiro, Mar sem Fim, ocupava o topo da lista dos mais vendidos na categoria não-ficção. A obra é o diário de bordo da última jornada do viajante solitário, que contornou com um veleiro o continente antártico. O título deve repetir o sucesso das narrativas anteriores de suas façanhas, Cem Dias entre Céu e Mar e Paratii – Entre Dois Pólos. Cada um deles ultrapassou a casa dos 200.000 exemplares vendidos. O Paratii mereceu até uma versão mais luxuosa, batizada de As Janelas do Paratii. Está quase batendo na faixa dos 20.000 livros. Amyr Klink é o Paulo Coelho da aventura. Poucos autores nacionais fazem sucesso semelhante. Só mesmo fenômenos editoriais como o neurolingüista Lair Ribeiro (quando estava no auge), Jô Soares e, é claro, o imbatível mago carioca. Pelo lançamento de Mar sem Fim, o navegador recebeu 400.000 reais a título de adiantamento pelos direitos autorais.

"Não sou um escritor profissional e fico espantado com todo esse retorno", afirma Amyr Klink. A rigor, os momentos emocionantes de Mar sem Fim se resumem a uma tempestade enfrentada pelo navegador ao sul da Tasmânia e a uma capotagem do barco ocorrida quase no final da viagem. Apesar do susto, o episódio não causou maiores danos. O restante da narrativa é preenchido por descrições de técnicas de navegação, histórias dos pioneiros da Antártica, a rotina a bordo e divagações sobre focas, baleias e albatrozes. A receita tem agradado a um público variado e cativo. "Vejo gente de todas as idades nas filas de autógrafos", conta Amyr.

 

Os três lançamentos anteriores do autor, que venderam juntos mais de 400 000 exemplares: a produção literária é a
ponta do iceberg dos negócios que
sustentam a carreira e os projetos do aventureiro profissional

A produção literária do navegador é apenas a ponta do iceberg de uma indústria de aventuras. Desde que realizou uma travessia a remo do Oceano Atlântico, em 1984, o viajante vive com o dinheiro gerado por seus projetos. Somente no circuito de palestras ele embolsa 800.000 reais por ano. Boa parte de seu faturamento está sendo canalizada para o estaleiro onde constrói o barco Parati 2. Esse novo veleiro será utilizado numa volta ao mundo. O projeto já consumiu um investimento de 1,5 milhão de dólares e está apenas na metade de sua execução. Para manter os negócios de vento em popa, Amyr tem uma preocupação quase obsessiva com a imagem. Um exemplo disso foi sua participação na última edição do rali Paris–Dacar–Cairo, durante um intervalo de suas aventuras náuticas. Às vésperas do início da corrida, o navegador ameaçou desistir de integrar a equipe Troller-Hollywood com medo de associar seu nome a uma marca de cigarro. Topou seguir em frente com a promessa de que quatro jipes seriam doados para uma instituição de combate ao câncer. E, ao final da jornada, embolsou um cachê de aproximadamente 30.000 reais.

 
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