O cavalo de 5 milhões
Baloubet du Rouet pode ganhar uma
medalha para o Brasil nas Olimpíadas
Maurício Cardoso
Divulgação
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| Baloubet com Rodrigo Pessoa: a dupla
já venceu três vezes a Copa do Mundo |
Quem montará o cavalo "Baloubet du Rouet" nas provas
de hipismo dos Jogos Olímpicos de Sydney, em setembro,
ainda é uma incógnita. Pode ser o campeão
mundial de saltos, Rodrigo Pessoa. Ou pode ser seu pai,
Nelson Pessoa, que tenta uma vaga na equipe brasileira para
disputar sua sexta Olimpíada. Qualquer que seja o
cavaleiro a pilotar o cavalo de sela francesa, grande é
sua chance de voltar da Austrália campeão.
Ninguém hoje no Brasil está tão próximo
de uma medalha de ouro olímpica como Baloubet du
Rouet, considerado pelos entendidos em cavalos e hipismo
o melhor do mundo em sua espécie. "Ele é o
melhor, sem dúvida", diz Rodrigo Pessoa, que em abril
último conquistou com ele o tricampeonato da Copa
do Mundo, um dos três principais títulos do
hipismo mundial os outros são o campeonato
mundial e as Olimpíadas.
Rodrigo Pessoa, que também venceu o campeonato
mundial em 1998, mas com outra montaria, reconhece que no
hipismo de alta competição a vitória
depende 70% do cavalo e 30% do cavaleiro. O que significa
que quem estiver sobre a sela de Baloubet terá 70%
do caminho andado em Sydney. "Só que, se o cavaleiro
der 29%, ele perde." Os méritos do cavaleiro vão
além disso. Um cavalo só vira um Baloubet
na vida se tiver educação adequada. Isso quem
dá é seu cavaleiro. "Cavalo é como
criança: tem de receber carinho e correção
na dose certa, senão fica malcriado", afirma Vitor
Alves Teixeira, que está comemorando trinta anos
de hipismo enquanto se prepara para garantir a vaga para
Sydney. Nelson e Rodrigo foram os responsáveis pela
boa criação de Baloubet. "Com os títulos
que já ganhou e com os que vai ganhar ainda, Baloubet
deve entrar para a história do hipismo como o melhor
cavalo de todos os tempos", diz Teixeira.
Sem capim Preço ele já tem.
Há dois anos, o rei Hussein, da Jordânia, ofereceu
5 milhões de dólares para levá-lo para
as cocheiras de sua filha. "O cavalo não está
à venda", diz Rodrigo. Propriedade do empresário
português Diogo Pereira Coutinho, Baloubet é
filho do garanhão campeão "Galoubet" e da
égua "Messanges", ambos resultado de cruzamento de
raças francesas e inglesas. "É um fato raro,
porque os melhores produtos de hipismo são de raças
alemãs", afirma Samir Assad, criador de cavalos de
hipismo de São Paulo. Galoubet já era um campeão,
o que lhe garante a linhagem. "Em 70% dos casos, um campeão
produz filhos bons, em 20%, filhos regulares, e em 10%,
filhos que não servem para nada. Um supercavalo,
como o Baloubet, é uma exceção que
não entra nas estatísticas", diz Rodrigo.
Baloubet foi comprado quando tinha 2 anos de idade, por
150.000 dólares, preço
muito inferior ao que vale agora, mas muito superior ao
de um cavalo comum daquela idade. Com 5 anos o cavalo começa
a ser preparado para a competição e com 8
entra em torneios internacionais. Baloubet está agora
com 11 anos e tem ainda pela frente uma carreira de pelo
menos mais sete.
Baloubet vive no centro de treinamento que os Pessoa têm
nos arredores de Bruxelas, capital da Bélgica. Passa
quase o dia inteiro em uma baia de 10 metros quadrados,
com uma janela para um corredor onde ficam os boxes que
alojam outros treze cavalos aos cuidados da família.
Dali ele sai duas vezes por dia. De manhã, faz meia
hora de esteira e 45 minutos de trote. À tarde, treina
saltos durante uma hora e fica outro tanto solto no pasto.
Tudo em sua vida é feito sob medida e estrito controle.
Ele faz cinco refeições por dia. Come 15 quilos
de ração da grife holandesa Hartog, composta
de grama ressecada, aveia, cevada, milho e melaço.
Toma água de torneira, desde que tratada. "Mas não
come capim natural. Tudo que entra em seu corpo tem de ter
um motivo metabólico", explica Rodrigo. E quase tudo
que sai se transforma em dinheiro. Ele fornece sêmen
para inseminar duas centenas de éguas de raça
por ano.
Viajar, para esses animais que vivem de um lado para outro
do mundo, como um piloto de Fórmula 1 ou um jogador
de tênis, é um problema. Não está
na natureza deles. Quando desembarcou em Las Vegas, vindo
da Bélgica, para disputar a Copa do Mundo, Baloubet
estava com febre alta, provocada pelo stress da viagem.
Mesmo assim competiu e venceu. Por isso, todas as precauções
são tomadas. Baloubet deve viajar para Sydney com
um mês de antecedência, em companhia de outros
cinqüenta animais europeus. Vão ocupar um avião
cargueiro de grande porte, no qual terão uma baia
individual de 6 metros quadrados, com ar condicionado. Cada
cavalo terá um tratador e cada grupo de dez, um veterinário.
Com duas escalas, a viagem vai totalizar 24 horas. Todo
cuidado é pouco. "O hipismo é um esporte diferente,
porque seu equipamento é um ser vivo que sente e
vibra", diz Rodrigo Pessoa.
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