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Edição 1 748 - 24 de abril de 2002
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Leia trechos de livros, veja trailers de filmes e ouça as músicas dos CDs recomendados nas últimas semanas por esta coluna na seção multimídia de VEJA on-line.

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TELEVISÃO

Anjo: Dietrich apaixonada

O Toque de Lubitsch (de segunda 22 até dia 30, às 22h, no Telecine Classic) – Alemão radicado nos Estados Unidos nos anos 20, o cineasta Ernst Lubitsch deixou uma marca indelével em Hollywood. Até hoje muito imitadas, suas comédias destilavam uma sutil ironia em relação a temas polêmicos, do sexo à política. Esse ciclo traz nove produções, rodadas nos anos 30 e 40. A seleção é inteligente – evita, por exemplo, repisar o célebre Ninotchka. Em vez disso, apresenta clássicos menos óbvios, como Sócios no Amor (quinta 25), com Gary Cooper, no qual Lubitsch demonstra a habilidade adquirida nos tempos de cinema mudo em seu país: na sensacional seqüência de abertura, os atores não trocam uma só palavra durante quase dez minutos. Os diálogos, por sua vez, são o forte de Anjo (sexta 26), em que Marlene Dietrich pensa se deve ou não trair o marido. O diretor revela uma faceta mais politizada em Ser ou Não Ser (domingo 28). Lançada em plena II Guerra, a comédia é uma crítica ao nazismo, mas causou controvérsia devido ao humor cáustico. Como quase tudo que leva a assinatura de Lubitsch, era um filme à frente de seu tempo.

 

DISCOS

Songbook Braguinha, vários intérpretes (Lumiar Discos) – Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, de 95 anos, é um compositor prolífico: criou cerca de 400 músicas, entre sambas, valsas, marchas-rancho e canções infantis. Dessas, 43 foram escolhidas para compor os três volumes desse songbook. Os discos podem ser adquiridos separadamente e trazem a participação de alguns dos principais astros da MPB. Entre os destaques, estão a versão flamenca de Touradas em Madri, por Ney Matogrosso; A Saudade Mata a Gente, numa bela interpretação de Nana Caymmi; a versão gaiata de Zeca Pagodinho para o maxixe Linda Mimi; e Pela Estrada (tema do personagem Chapeuzinho Vermelho), por Joyce e João Donato. Inclui um livro com letras e cifras das sessenta composições prediletas de Braguinha.

This Is New, Dee Dee Bridgewater (Universal) – Uma das principais cantoras de jazz surgidas na década de 70, a americana Dee Dee sempre conseguiu colocar sua marca pessoal nas releituras que faz de hits do gênero – mesmo quando eles já são bem surrados, como as canções interpretadas por Ella Fitzgerald. This Is New, contudo, traz um desafio maior. A cantora coloca um suingue inédito nas criações do compositor alemão Kurt Weill (1900-1950). Seu estilo sincopado de cantar Alabama Song, por exemplo, supera as versões gravadas pelo americano Jim Morrison e pela alemã Ute Lemper. Outro destaque é September Song, em que Dee Dee dissipa o ar melancólico que caracterizava a canção.

 

DVDs

United Artists
Violinista: clássico tardio do musical


Um Violinista no Telhado
(Fiddler on the Roof, Estados Unidos, 1971. Fox) – Desde que a era de ouro dos musicais se encerrou, nos anos 50, de tempos em tempos surge um exemplar capaz de revitalizar brevemente o gênero. É o caso desse clássico adaptado de um espetáculo da Broadway e ambientado numa comunidade judia na Rússia, no início do século XX. Equilibrando-se com destreza entre o humor e o drama, o diretor Norman Jewison (que, apesar do nome, não é judeu) narra as vicissitudes que atingem a família do leiteiro Tevye (papel de Topol). Um extra que vale a pena ver é o da contextualização histórica do enredo, narrada por Jewison e acompanhada de fotos de família encontradas no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

A Flauta Mágica (Trollflöjten, Suécia, 1975. Continental) – Mesmo quem não aprecia ópera irá encantar-se com a adaptação do cineasta sueco Ingmar Bergman para a última obra composta pelo austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). A Flauta Mágica conta a história de Tamino, um jovem escolhido pela Rainha da Noite para resgatar sua filha Pamina. Ela é mantida prisioneira pelo pai, o sacerdote Sarastro. Bergman se permite algumas ousadias. O libreto é entoado em sueco e o diretor preserva em seu filme a forma de uma encenação teatral. Entre os melhores momentos, estão aqueles que mostram a expressão atenta do público assistindo à montagem.

 

LIVROS

Moça com Brinco de Pérola, de Tracy Chevalier (tradução de Beatriz Horta; Bertrand Brasil; 240 páginas; 25 reais) – Até hoje, os historiadores não sabem dizer quem foi a jovem retratada pelo holandês Johannes Vermeer no quadro que dá nome a esse romance.Para a escritora americana Tracy Chevalier, isso não representou um problema. Ela construiu uma trama fictícia baseada na tela. No romance, a musa de Vermeer é Griet, uma empregada que cai nas graças do pintor. Com esse fiapo de enredo, Tracy criou uma trama delicada, amparada numa reconstituição minuciosa da Holanda do século XVII. Leia trechos do livro.

 

VIAGEM

A conquista do Pólo Sul, no início do século XX, suscitou uma das disputas mais acirradas na história das expedições científicas – e deu origem a uma enxurrada de livros que se propuseram a esgotar o tema. Até agora, no entanto, nenhuma obra conseguiu chegar aonde chegou O Último Lugar da Terra (tradução de José Geraldo Couto; Companhia das Letras; 724 páginas; 49 reais), do jornalista inglês Roland Huntford. Em sétimo lugar na categoria de não-ficção, o best-seller analisa em profundidade as razões que levaram ao sucesso do norueguês Roald Amundsen e ao fracasso do inglês Robert Scott, os dois exploradores que lutaram pela primazia de chegar primeiro ao pólo. Sempre se soube que Amundsen venceu o desafio, atingindo o extremo sul do globo terrestre com seus homens em 15 de dezembro de 1911, pelo fato de ele ser um explorador muito mais preparado para a missão do que Scott. O inglês chegou ao pólo 34 dias depois e morreu no caminho de volta em circunstâncias trágicas. O que Huntford faz é demonstrar, ponto a ponto, os erros e acertos de cada um. Apesar de ter a mesma nacionalidade de Scott, o autor não disfarça que é Amundsen quem mora em seu coração. O primeiro emerge de suas páginas como um completo incompetente, que só embarcou na exploração polar por um único interesse: aumentar seu prestígio. Já o segundo é descrito como um homem meticuloso, que absorveu humildemente os conhecimentos tirados de temporadas com os esquimós no Ártico. O Último Lugar da Terra é um livro muito interessante – mas para quem gosta do assunto. Quem for até o pote esperando por uma narrativa em ritmo de aventura pode se frustrar com seu excesso de detalhes.

 

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
   
 
   
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