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TELEVISÃO
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| Anjo:
Dietrich apaixonada |
O
Toque de Lubitsch (de segunda 22 até dia 30, às
22h, no Telecine Classic) Alemão radicado nos Estados Unidos
nos anos 20, o cineasta Ernst Lubitsch deixou uma marca indelével
em Hollywood. Até hoje muito imitadas, suas comédias destilavam
uma sutil ironia em relação a temas polêmicos, do
sexo à política. Esse ciclo traz nove produções,
rodadas nos anos 30 e 40. A seleção é inteligente
evita, por exemplo, repisar o célebre Ninotchka. Em
vez disso, apresenta clássicos menos óbvios, como Sócios
no Amor (quinta 25), com Gary Cooper, no qual Lubitsch demonstra a
habilidade adquirida nos tempos de cinema mudo em seu país: na
sensacional seqüência de abertura, os atores não trocam
uma só palavra durante quase dez minutos. Os diálogos, por
sua vez, são o forte de Anjo (sexta 26), em que Marlene
Dietrich pensa se deve ou não trair o marido. O diretor revela
uma faceta mais politizada em Ser ou Não Ser (domingo 28).
Lançada em plena II Guerra, a comédia é uma crítica
ao nazismo, mas causou controvérsia devido ao humor cáustico.
Como quase tudo que leva a assinatura de Lubitsch, era um filme à
frente de seu tempo.
DISCOS
Songbook
Braguinha, vários intérpretes (Lumiar Discos)
Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, de 95 anos, é um compositor
prolífico: criou cerca de 400 músicas, entre sambas, valsas,
marchas-rancho e canções infantis. Dessas, 43 foram escolhidas
para compor os três volumes desse songbook. Os discos podem
ser adquiridos separadamente e trazem a participação de
alguns dos principais astros da MPB. Entre os destaques, estão
a versão flamenca de Touradas
em Madri, por Ney Matogrosso; A Saudade Mata a Gente,
numa bela interpretação de Nana Caymmi; a versão
gaiata de Zeca Pagodinho para o maxixe Linda Mimi; e Pela Estrada
(tema do personagem Chapeuzinho Vermelho), por Joyce e João Donato.
Inclui um livro com letras e cifras das sessenta composições
prediletas de Braguinha.
This
Is New, Dee Dee Bridgewater (Universal) Uma das principais
cantoras de jazz surgidas na década de 70, a americana Dee Dee
sempre conseguiu colocar sua marca pessoal nas releituras que faz de hits
do gênero mesmo quando eles já são bem surrados,
como as canções interpretadas por Ella Fitzgerald. This
Is New, contudo, traz um desafio maior. A cantora coloca um suingue
inédito nas criações do compositor alemão
Kurt Weill (1900-1950). Seu estilo sincopado de cantar Alabama Song,
por exemplo, supera as versões gravadas pelo americano Jim Morrison
e pela alemã Ute Lemper. Outro destaque é September Song,
em que Dee Dee dissipa o ar melancólico que caracterizava a canção.
DVDs
United Artists
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| Violinista:
clássico tardio do musical |
Um Violinista no Telhado (Fiddler on the Roof, Estados
Unidos, 1971. Fox) Desde que a era de ouro dos musicais se encerrou,
nos anos 50, de tempos em tempos surge um exemplar capaz de revitalizar
brevemente o gênero. É o caso desse clássico adaptado
de um espetáculo da Broadway e ambientado numa comunidade judia
na Rússia, no início do século XX. Equilibrando-se
com destreza entre o humor e o drama, o diretor Norman Jewison (que, apesar
do nome, não é judeu) narra as vicissitudes que atingem
a família do leiteiro Tevye (papel de Topol). Um extra que vale
a pena ver é o da contextualização histórica
do enredo, narrada por Jewison e acompanhada de fotos de família
encontradas no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.
A
Flauta Mágica (Trollflöjten, Suécia,
1975. Continental) Mesmo quem não aprecia ópera irá
encantar-se com a adaptação do cineasta sueco Ingmar Bergman
para a última obra composta pelo austríaco Wolfgang Amadeus
Mozart (1756-1791). A Flauta Mágica conta a história
de Tamino, um jovem escolhido pela Rainha da Noite para resgatar sua filha
Pamina. Ela é mantida prisioneira pelo pai, o sacerdote Sarastro.
Bergman se permite algumas ousadias. O libreto é entoado em sueco
e o diretor preserva em seu filme a forma de uma encenação
teatral. Entre os melhores momentos, estão aqueles que mostram
a expressão atenta do público assistindo à montagem.
LIVROS
Moça
com Brinco de Pérola, de Tracy Chevalier (tradução
de Beatriz Horta; Bertrand Brasil; 240 páginas; 25 reais)
Até hoje, os historiadores não sabem dizer quem foi a jovem
retratada pelo holandês Johannes Vermeer no quadro que dá
nome a esse romance.Para a escritora americana Tracy Chevalier, isso não
representou um problema. Ela construiu uma trama fictícia baseada
na tela. No romance, a musa de Vermeer é Griet, uma empregada que
cai nas graças do pintor. Com esse fiapo de enredo, Tracy criou
uma trama delicada, amparada numa reconstituição minuciosa
da Holanda do século XVII. Leia
trechos do livro.
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VIAGEM
 A
conquista do Pólo Sul, no início do século
XX, suscitou uma das disputas mais acirradas na história
das expedições científicas e deu origem
a uma enxurrada de livros que se propuseram a esgotar o tema. Até
agora, no entanto, nenhuma obra conseguiu chegar aonde chegou O
Último Lugar da Terra (tradução de
José Geraldo Couto; Companhia das Letras; 724 páginas;
49 reais), do jornalista inglês Roland Huntford. Em sétimo
lugar na categoria de não-ficção, o best-seller
analisa em profundidade as razões que levaram ao sucesso
do norueguês Roald Amundsen e ao fracasso do inglês
Robert Scott, os dois exploradores que lutaram pela primazia de
chegar primeiro ao pólo. Sempre se soube que Amundsen venceu
o desafio, atingindo o extremo sul do globo terrestre com seus homens
em 15 de dezembro de 1911, pelo fato de ele ser um explorador muito
mais preparado para a missão do que Scott. O inglês
chegou ao pólo 34 dias depois e morreu no caminho de volta
em circunstâncias trágicas. O que Huntford faz é
demonstrar, ponto a ponto, os erros e acertos de cada um. Apesar
de ter a mesma nacionalidade de Scott, o autor não disfarça
que é Amundsen quem mora em seu coração. O
primeiro emerge de suas páginas como um completo incompetente,
que só embarcou na exploração polar por um
único interesse: aumentar seu prestígio. Já
o segundo é descrito como um homem meticuloso, que absorveu
humildemente os conhecimentos tirados de temporadas com os esquimós
no Ártico. O Último Lugar da Terra é
um livro muito interessante mas para quem gosta do assunto.
Quem for até o pote esperando por uma narrativa em ritmo
de aventura pode se frustrar com seu excesso de detalhes.
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