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Aposta
certeira
Com Crupiê, o diretor inglês
Mike Hodges finalmente sai do
esquecimento que não merecia
Isabela
Boscov

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O
diretor Mike Hodges, de 69 anos, fez em 1971 um thriller que se tornaria
referência do cinema policial inglês: Carter O Vingador,
em que Michael Caine interpretava um gângster de terceiro escalão
que retornava à sua cidade natal para matar o assassino de seu
irmão. Era um anti-herói bem nos moldes da época,
assim como os dos sucessos americanos Uma Rajada de Balas e Operação
França. Mas Hodges subtraía dessa receita o glamour,
substituindo-o por uma crueza que ainda hoje é capaz de chocar.
A despeito do prestígio de O Vingador, o cineasta não
conseguiu dinheiro suficiente para realizar outro trabalho de igual projeção.
E Crupiê A Vida em Jogo (Croupier, Inglaterra,
1998), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo e Rio,
parecia também fadado a um fim obscuro. Vítima de um lançamento
pífio na Inglaterra, o filme só trouxe o nome de Hodges
de volta à tona porque os americanos se apaixonaram por esse suspense
modesto, mas altamente envolvente.
Divulgação
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| Owen:
a euforia de derrotar um apostador |
O crupiê do título é Jack (Clive Owen), um sul-africano
que vai a Londres tentar uma carreira literária. Seus esforços
não levam a nada e, com alguma relutância, ele aceita um
empurrãozinho de seu pai para retornar à vida de crupiê
num cassino londrino. Jack acha que poderá usar a experiência
num livro que começou a escrever. Mas está decidido a manter
seus lemas nunca apostar, nunca se envolver com colegas ou clientes
nem entrar em esquemas escusos. Apesar disso, Jack é, em essência,
um apostador: calcula os passos que vai dar e mergulha num vórtice
de tensão e euforia ao fazer os clientes de sua mesa perder. Rapidamente,
mistura-se ao protagonista de seu livro e à vibração
da vida que diz desprezar. Hodges filma essa história com o mesmo
brilho intelectual que empregou em O Vingador, e é magnificamente
auxiliado por Clive Owen, o valete de Assassinato em Gosford Park
e protagonista dos curtas-metragens promocionais da BMW. Owen é
um desses atores de inteligência e domínio evidentes, e é
bem possível que Hodges tenha feito por ele o que ele merece: transformá-lo
num astro.
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