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Edição 1 748 - 24 de abril de 2002
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Aposta certeira

Com Crupiê, o diretor inglês
Mike Hodges finalmente sai do
esquecimento que não merecia

Isabela Boscov

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Trailer do filme

O diretor Mike Hodges, de 69 anos, fez em 1971 um thriller que se tornaria referência do cinema policial inglês: Carter – O Vingador, em que Michael Caine interpretava um gângster de terceiro escalão que retornava à sua cidade natal para matar o assassino de seu irmão. Era um anti-herói bem nos moldes da época, assim como os dos sucessos americanos Uma Rajada de Balas e Operação França. Mas Hodges subtraía dessa receita o glamour, substituindo-o por uma crueza que ainda hoje é capaz de chocar. A despeito do prestígio de O Vingador, o cineasta não conseguiu dinheiro suficiente para realizar outro trabalho de igual projeção. E Crupiê – A Vida em Jogo (Croupier, Inglaterra, 1998), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo e Rio, parecia também fadado a um fim obscuro. Vítima de um lançamento pífio na Inglaterra, o filme só trouxe o nome de Hodges de volta à tona porque os americanos se apaixonaram por esse suspense modesto, mas altamente envolvente.
Divulgação
Owen: a euforia de derrotar um apostador


O crupiê do título é Jack (Clive Owen), um sul-africano que vai a Londres tentar uma carreira literária. Seus esforços não levam a nada e, com alguma relutância, ele aceita um empurrãozinho de seu pai para retornar à vida de crupiê num cassino londrino. Jack acha que poderá usar a experiência num livro que começou a escrever. Mas está decidido a manter seus lemas – nunca apostar, nunca se envolver com colegas ou clientes nem entrar em esquemas escusos. Apesar disso, Jack é, em essência, um apostador: calcula os passos que vai dar e mergulha num vórtice de tensão e euforia ao fazer os clientes de sua mesa perder. Rapidamente, mistura-se ao protagonista de seu livro e à vibração da vida que diz desprezar. Hodges filma essa história com o mesmo brilho intelectual que empregou em O Vingador, e é magnificamente auxiliado por Clive Owen, o valete de Assassinato em Gosford Park e protagonista dos curtas-metragens promocionais da BMW. Owen é um desses atores de inteligência e domínio evidentes, e é bem possível que Hodges tenha feito por ele o que ele merece: transformá-lo num astro.


   
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