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1 748 - 24 de abril de 2002 |

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A
vida continua
Estréia no país A Sete Palmos,
um seriado que fala sobre a
morte ou o que vem depois dela
Marcelo
Marthe
Fotos divulgação
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| Uma
sessão de embalsamamento na funerária dos Fisher: mais
macabro do que C.S.I |
Não
é de agora que os seriados americanos vêm recorrendo à
morbidez para fisgar o espectador. O exemplo mais radical é C.S.I.,
que acompanha as investigações de peritos criminais
sem economizar nos closes de cadáveres. Mas nem mesmo aquelas cenas
de autópsia superam o impacto da série A Sete Palmos,
que estréia domingo 28, no canal pago HBO. O programa não
se vale da morte apenas como pano de fundo. O que se discute aqui é
o sentido existencial da dita-cuja. A trama gira em torno dos Fisher.
Eles são felizes proprietários de um negócio só
seu uma funerária. Na mesma casa onde vivem e fazem suas
refeições, desenrolam-se velórios e sessões
de embalsamamento. O ponto de partida é a morte do patriarca do
clã, que sofre um acidente enquanto dirige seu rabecão novo.
Com isso, os Fisher sentirão na pele aquilo por que passam seus
clientes. O velório do pai é o momento em que as neuroses
e os comportamentos extrafamiliares de cada um vêm à tona.
Descobre-se que a mãe traía o marido, que a caçula
é drogada, que o mais velho saiu de casa porque tem medo de assumir
responsabilidades e que o do meio, o mais certinho, é gay enrustido.
Tudo perfeitamente normal para um seriado em que cada episódio
começa com um novo cadáver na sala de estar.
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| Os
protagonistas da série: jantar no andar de cima, velório no de baixo
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Nos
Estados Unidos, o sucesso estrondoso de A Sete Palmos surpreendeu
até seu criador, o roteirista Alan Ball, que ganhou o Oscar pelo
filme Beleza Americana. "Pensei que teríamos morte súbita
ainda na primeira temporada", disse ele a VEJA. O seriado, que está
em seu segundo ano na HBO americana, é visto todo domingo por 5
milhões de espectadores, uma enormidade para a TV por assinatura.
E ganhou recentemente o Globo de Ouro de série dramática.
Foi um prêmio merecido. "Embora alguns se neguem a encarar isso,
os Fisher vivem dramas que dizem respeito a boa parte das famílias
americanas", diz Ball. O roteirista salpicou traços de si próprio
pelos três herdeiros da funerária. A ligação
mais evidente é com o filho do meio. Hoje homossexual assumido,
Ball não esconde que já foi um sujeito travadão.
"Só saí do armário com 33 anos", explica.
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